Eu não gosto de escrever em meio a uma crise, e sim, houve agora uma crise e eu mesma estou em crise...
Não gosto de escrever em meio a crise porque eu me conheço! Apesar de ser brasileira, e ter em minhas veias o sangue alemão, herdado da parte do meu pai, eu tenho também rompantes de italiana, quando fico nervosa ou tensa eu costumo externar a minha raiva em explosão de gestos e falações, típico de uma italiana, e a vantagem disto é que eu não guardo raiva. Após isto eu me tranquilizo e muitas vezes perdoo, o que é bom para a preservação da minha saúde.
A desvantagem é que invariavelmente na hora eu perco a razão por estar com raiva, e isto não é sábio e nem bom, até porque nos impede de refletir antes de opinar.
Então com o tempo eu aprendi a me calar no rompante da crise, e só opinar depois.
Eu também constumo escrever aqui de forma mais voltada para quem está conhecendo o Islam agora, para o leigo, e não para quem já conhece o Islam, embora saiba que acabe contribuíndo também para os meus irmãos e irmãs na construção do conhecimento que é dever de todo muçulmano, de toda muçulmana.
Mas hoje talvez eu esteja escrevendo mais para quem já é muçulmano, não sei...
Tivemos ao longo deste fim de semana a notícia de triste fato motivado por preconceito religioso por parte de um centro de treinamento de condução de veículos e por parte do Detran, me refiro à irmã que teve sua prova de renovação da carteira de motorista interrompida por estar usando hijab.
Este fato motivou, além das medidas legais cabíveis que eu sei que darão sim frutos, já que todos os envolvidos tiveram o grande azar de, além de ter provada toda a sua atitude preconceituosa, terem mexido com integrante de família importante, também protestos e opiniões acaloradas de todos os muçulmanos através da internet, todos aliás com muita razão sim porque um crime de preconceito religioso foi praticado contra uma irmã nossa.
Para quem não sabe:
Discriminação religiosa é crime! Enquadra-se no art. 20 da Lei Caó (lei nº 7.716/89 alterada pelas leis nº 8.081/90 e 9.459/97. Lei nº 12.288/20.07.2010) conforme abaixo:
Art. 1º - Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
Art. 20º - Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
Pena: Reclusão de um a três anos e multa...
Também tivemos a manifestação de pessoas que, sem a mínima base de conhecimento, protestaram alegando que a proibição está certa, que nos "países islâmicos" não há respeito a outras religiões e escolhas, etc, etc, etc...
Em primeiro lugar, NÃO EXISTE PAÍS ISLÂMICO NO MUNDO HOJE EM DIA.
Isto é muito simples de constatar: Existe algum país cujo governo seja capitaneado por um Khalifa? Não? Ah então sinto muito mas não tem então nenhum governo islâmico...
O que existe, aí sim, são países de MAIORIA ISLÂMICA, e tem de existir mesmo, afinal o ISLAM HOJE EM DIA É A MAIOR INSTITUIÇÃO OU CONGREGAÇÃO RELIGIOSA DO MUNDO.
Ah sim o Cristianismo é maior... Mas é maior se juntarmos todas as congregações, inclusive a Católica, em uma só religião. E a Católica é a maior delas ainda.
O Islamismo é maior do que o catolicismo, então é a maior congregação religiosa hoje em dia.
Em segundo lugar, 99,9% das pessoas que opinaram na forma de achar certo a atitude preconceituosa:
01. Nunca moraram em um país de maioria islâmica;
02. Não conhecem ninguém que mora lá;
03. Não conhecem e nunca conversaram com nenhum muçulmano e nenhuma muçulmana;
04. Não sabem o que é de verdade o Islam.
E por não saberem o que é o Islam, confundem RELIGIÃO COM NACIONALIDADE, um grande erro, e consideram que atitudes de países cujos governos sucessivamente têm se afastado do Islam e trazido de volta os costumes abomináveis da Era da Ignorância, tão duramente combatidos pelo Profeta Muhammad (saws) POR DESLEIXO, ou muitas vezes por "EXCUSOS INTERESSES" de grupos e governos longíquos e poderosos, como atitudes islâmicas, quando não são.
Basta lembrarmos da atitude de Saladino (escrevo assim para ser identificado por todos) por ocasião da tomada de Jerusalém, não só preservando todos os locais cristãos como também permitindo o acesso de cristãos a estes locais.
Basta citarmos que não: muçulmanos e cristãos egípcios não estão em guerra, a não ser quando são incitados e direcionados a isto por "grupos" cujos interesses são muito mais profundos e satânicos do que um eventual motivo religioso.
Mas, na verdade eu vim falar aqui de duas coisas:
01) O cumprimento da LEI;
02) A atitude pró-ativa.
A atitude pró-ativa é aquela atitude que possibilita a ação positiva, a construção verdadeira da defesa legalista, e que dá frutos, ao contrário do que acontece quando ficamos apenas reclamando e nos vitimizando.
Há uma lei a ser cumprida, há uma comunidade que cresce de forma espantosa todos os dias no Brasil que, repito, porque já falei sobre isto, precisa acordar, deixar suas diferenças internas de lado, se unir, se organizar, e exigir os seus direitos.
Eu ainda sinto que falta isto na comunidade islâmica brasileira, estamos precisando de organização e ação.
Então tá, o que deve ser feito no caso? Precisamos da garantia de que fatos assim não vão se repetir, precisamos exigir o cumprimento da lei, precisamos agir!
A atitude pró-ativa acontece quando você:
01) Observa;
02) Obtém a consciência a partir da reflexão de sua observação;
03) Com base nestas reflexões e na conclusão delas, elabora um planejamento;
04) Executa o que foi planejado.
Isto leva a uma atitude pró-ativa, e ela começa a nível pessoal quando você cumpre o seu papel na defesa de seus direitos e do Islam no seu dia-a-dia, e desemboca na atitude social quando você une forças com os seus irmãos e irmãs, para exigir o direito do grupo, e promover a defesa do grupo, dentro do que é estabelecido em lei.
E este ponto que precisamos por em prática, é isto que me move a escrever aqui.
Irmãos e irmãs, precisamos nos unir, ter a consciência do que nos garante a lei, e exigir este cumprimento.
Esta é a minha opinião.
Salam!