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sábado, 16 de agosto de 2014

Carta do Imam Sulaiman ibn Suhaim az-Zubairi sobre Muhammad ibn 'Abdul Wahhab



O ÓDIO, A TRUCULÊNCIA, A IGNORÂNCIA, O ORGULHO EXACERBADO, O VENENO DA LÍNGUA E A PROMOÇÃO DA DESAVENÇA NUNCA SERÃO O CAMINHO DE ALLAH, ANTES DE MAIS NADA SÃO O CAMINHO CERTO PARA O DESVIO, PARA O MAL, E CERTAMENTE O MODO MAIS FÁCIL DE SE DISTANCIAR DA VIDA, DO BEM, DE ALLAH.

VAMOS ESTUDAR SEMPRE E CONSTRUIR O VERDADEIRO CONHECIMENTO, ESTA É A MELHOR DEFESA CONTRA O ENGANO E A INSANIDADE PROMOVIDA POR PESSOAS E GRUPOS MAL INTENCIONADOS.

Pela primeira vez em Inglês, o leitor tem uma explicação histórica e teológica profunda sobre a Salafiyyah. O autor, Imam Sulaiman Ibn ‘Abdul Wahhab, o irmão e, por fim, vítima do movimento, foi o primeiro a escrever sobre isto. Qualquer um que procura respostas - muçulmanos ou não - precisa entender que esta tribulação não começou agora, mas na mente de um falso profeta a mais de 200 anos atrás.


Retirado de:

O Relâmpago Divino pg 32-37
Por Imam Sulaiman Ibn 'Abdul Wahhab (Irmão de Muhammad Ibn ‘Abdul Wahhab)
Traduzido por Al-Hajj Abu Jafar al-Hanbali

Carta do Imam Sulaiman ibn Suhaim az-Zubairi sobre Muhammad ibn 'Abdul Wahab

Imam Sulaiman ibn Suhaim az-Zubairi رحمة اللہ علیه, quando recebeu uma carta de Muhammad ibn 'Abdul Wahhab, ele respondeu e também enviou uma cópia para os juízes em torno de sua área:

Em nome de Allah, o Misericordioso, o Compassivo

Esta é do escravo necessitado de Allah, o Altíssimo. Meu nome é Sulaiman ibn Muhammad ibn Suhaim e eu vos enviei esta a todos os que ela vai atingir dentre os estudiosos dos muçulmanos, os servos da Lei Revelada do Mestre dos Filhos de Adão, o primeiro deles e o último deles.

A paz, a misericórdia e as bênçãos de Allah estejam com você. Quanto ao que vem a seguir:

Certamente tem merecido a sua atenção o fato de que tem aparecido em nossa terra um homem que é um inovador, ignorante, desviado e que está levando outros a se desviarem. Isso está causando o rompimento do conhecimento e o corte da piedade nos corações do povo. Isto levou a muitos fatos horríveis e batalhas cheias de ódio entre as pessoas. Algumas das coisas que aconteceram causaram ódio, inimizade e são difíceis de suportar para os ouvidos. Isso não chegou a nossa terra antes, então nós desejamos mandar um recado para os estudiosos dos muçulmanos, os herdeiros do Mestre dos Mensageiros, a fim de que eles possam barrar este inovador.

A intenção desta carta é levantar-se para Allah e Seu Mensageiro, para ajudar a religião com sinceridade. Que Allah nos faça, a nós e a vocês, entre aqueles que ajudam uns aos outros em justiça e piedade. Algumas das inovações e coisas extraviadas que este inovador trouxe são as seguintes:

Ele foi até os mártires dos Companheiros do Mensageiro de Allah ﷺ, que estão enterrados em al-Jubailah, entre estes, por exemplo, Zaid ibn al-Khattab e seus companheiros, e destruiu suas sepulturas e espaços porque eles estão em câmaras e eles são incapazes de exumá-los. Eles, então, decidiram demolir seus túmulos até que estejam no nível de um palmo, a fim de afastar os animais. Estas pessoas enterradas eram ninguém menos que Khalid e os Companheiros do Mensageiro de Allah ﷺ.

O inovador também se dirigiu para a mesquita naquela área e a destruiu. Não há nenhuma prova de que isto deve ser feito na Lei Revelada, mas isso é seguir os desejos vãos.

Ele queimou o texto “O Guia Maravilhoso” (Dala'il ul-Khairat pelo Imam Muhammad al-Jazuli, a grande estudioso Maliki), devido à declaração do autor, nosso mestre, nosso líder. Ele também queimou o texto "Duas Brisas Adoráveis” (Rawd ur-Riyahin fi Hakayat is-Salihin pelo Imam ‘Afif ud-Din 'Abdullah ibn As'ad ibn ‘Ali ibn Sulaiman al-Yafi'ii ash-Shafi'ii) e chamou-lhe, a "Brisa dos Demônios".

Então ele disse: "Se eu tivesse sido capaz de chegar à Sepultura do Mensageiro, eu iria destruí-la e se eu pudesse chegar à Casa Nobre Eu teria feito isso e levado as jóias dela e a teria reduzido à lenha.” Esta pessoa não ouviu a declaração do Excelso: "Essa é a Nossa determinação, e quem magnífica os ritos de Allah, por certo, isto é prova da piedade dos corações." (Surata 22, versículo 32)?

Foi registrado que, em determinado momento, ele disse: "As pessoas nos últimos 600 anos não foram em cima de qualquer coisa." Um livro também foi enviado para mim, que li em um artigo, "Você deve afirmar que antes de mim você era ignorante e extraviado.".

Qualquer um que não concordar com ele em tudo o que ele diz ou não testemunhar em favor dele, é julgado por ele como alguém que cometeu kufr maior. Quem concorda com ele e testemunha a favor do que ele diz, recebe dele a seguinte declaração: "Você é um Muwahhid.". Isto acontece mesmo nos casos em que a pessoa é totalmente um pecador rebelde ou um reprovável. Então, na realidade, quando alguém vê isso, percebe que ele está chamando para o Tawhid de si mesmo e não ao Tawhid de Allah.

Ele, então, enviou um livro para a nossa terra que foi trazido por alguns de seus missionários que levam o seu manuscrito. Uma vez aberto, você pode ver que, neste livro, ele jurou por Allah que o conhecimento que ele possui não está presente em seus professores que afirmam ter conhecimento. Esta é a sua reivindicação. Se este for o caso, então ele não tem professores, e nem seu pai, nem o povo da terra de al-'Arid estavam cientes disso. Eles ficaram surpresos ao saber que, quando ele não estava aprendendo com os professores, ele estava fazendo seus próprios pontos. Nem o pai nem o seu povo foram informados sobre este assunto. Então, de onde vem o conhecimento deste homem? Quem deu a ele esta informação? Foi dada a ele como revelação? Ele viu isto em um sonho? Ou será que Shaitan ensinou a ele? O juramento que fez, alegando que ele estava dizendo a verdade, é mais caro a ele do que a todas as pessoas de al-'Arid.

Depois disso, ele fez mais e chamou Ibn Al-Farid e Ibn al-'Arabi de incrédulos. Ele disse que os parentes do Mensageiro entre nós eram incrédulos porque eles fazem juramentos e quem não testemunhar a kufr deles também era dos descrentes.

Foi estabelecido fortemente por ele que, quando lhe foi dito que a diferença de opinião dos estudiosos é a misericórdia, ele comentou: "A diferença de opinião é um julgamento." Além disso, ele começou a destruir e saquear as doações de caridade e negar o que foi narrado a partir do Mensageiro de Deus ﷺ, e seus companheiros, que eles costumavam dar doações de caridade.

O mesmo inovador removeu o salário para os guias do hajj, a súplica feita para o sultão na khutbah e deu a sua razão como, "O sultão é um pecador rebelde e não é permitido fazer súplica para ele ou elogiá-lo."

Fomos então informados de que o envio de paz e bênçãos sobre o Mensageiro de Deus ﷺ na sexta-feira à noite é uma inovação e desvio que levará a pessoa que faz isso para o fogo.

A alegação foi então de que o salário que os juízes tomam, passado e presente, quando julgam entre reclamantes e há nenhum tesouro para eles ou para manutenção, então isto é suborno. Esta afirmação contradiz completamente o que foi textualmente transmitido a parrtir de todos os imãs, ou seja, que a corrupção é aquilo que é feito para anular a verdade ou tornar a falsidade uma verdade. É também suborno quando o juiz diz a os dois reclamantes, "Eu não vou julgar entre vós, senão por um salário." Este é realmente o suborno, não o que os juízes estão fazendo agora ou anteriormente, em eras passadas.

Estudiosos, que Allah tenha misericórdia de vós, por favor, esclareçam os leigos em relação a essas questões, e protejam esses crentes pobres que estão sendo enganados, tendo o seu verdadeiro credo corrompido. Se vocês julgam isso como o melhor proceder, por favor, esclareçam e seguiremos as suas declarações; mas se vocês veem isso como um erro, leve-nos para longe dele, empurre-nos para longe dele e deixem claro para as pessoas o erro nesta questão. Muitas pessoas nesta terra já foram testadas com grande julgamento por essa pessoa. Que Deus tenha misericórdia de vocês, esperamos que o assunto seja explicado antes que falsos pensamentos surjam na alma do povo. A resposta deve vir de vocês e ela deve ser encontrada por quem a mantém. Aqueles que mantêm são aqueles que têm conhecimento e profundo conhecimento da sentença proferida por Allah e Seu Mensageiro, como é assim que a verdade se manifesta quando é ameaçada e da mesma forma que a falsidade é repelida.

Nota: O Imam 'Abdullah ibn Suhaim رحمة اللہ علیه, também ponderou sobre isto quando recebeu dois dos missionários muwahhidun, Hasan ibn 'Aidan e um guarda armado, e no decorrer da conversa ele percebeu que eles dois tinha comparado Allah com sua criação. Além disto, as pessoas comuns o rejeitaram e mandaram-no embora. Isto forçou Muhammad ibn 'Abdul Wahhab a recuar em sua teologia; mas percebendo que o Imam não cedeu, Ibn 'Abdul Wahhab recorreu a chamá-lo de incrédulo.

Retirado de:
O Relâmpago Divino pg 32-37
Por Imam Sulaiman Ibn 'Abdul Wahhab (Irmão de Muhammad Ibn' Abdul Wahhab)
Traduzido por Al-Hajj Abu Já’far al-Hanbali

https://www.facebook.com/pages/Islam-Tradicional/898410773505844 

quinta-feira, 13 de junho de 2013

O que é uma Madhab? Por que é necessário seguir uma?



© Nuh Ha Mim Keller, 1995


"Os slogans que ouvimos hoje sobre 'seguir o Alcorão e a sunna em vez de seguir as madhhabs' estão longe da verdade... Na realidade, é um grande salto para trás, uma chamada para abandonar séculos de estudos islâmicos detalhados e realizados caso a caso no intuito de encontrar e explicitar os mandamentos do Alcorão e sunna" - argumenta Nuh Ha Mim Keller.


A palavra madhhab é derivada de uma palavra árabe que significa "ir" ou "tomar como caminho", e refere-se à escolha de um mujtahid no que diz respeito a uma série de possibilidades interpretativas em derivar a regra de Deus a partir dos principais textos do Alcorão e um hadith sobre uma questão particular.

Em um sentido mais amplo, a madhab representa toda a escola de pensamento de um determinado Imam mujtahid, como Abu Hanifa, Malik, Shafi'i, ou Ahmad - juntamente com muitos estudiosos de primeira linha que vieram depois de cada um destes em suas respectivas escolas, que verificaram as suas evidências, e refinaram e atualizaram o seu trabalho. Os Imames mujtahid foram, assim, explicadores, que operacionalizaram o Alcorão e a sunna nas decisões da sharia específicas em nossas vidas que são conhecidas coletivamente como fiqh ou "jurisprudência".

Em relação ao nosso din ou "religião", este fiqh é apenas uma parte dele, porque cada um de nós possui três tipos de conhecimento religioso.

O primeiro tipo é o conhecimento geral dos princípios da crença islâmica na unicidade de Deus, em Seus anjos, Livros, A profecia de Muhammad (Deus o abençoe e lhe dê paz), e assim por diante.

Todos nós podemos derivar esse conhecimento diretamente do Alcorão e de um hadith, como é também o caso do segundo tipo de conhecimento, que se refere aos princípios éticos gerais islâmicos para fazer o bem, evitar o mal, cooperar com os outros em boas obras, e assim por diante. Todo muçulmano pode tomar estes princípios gerais, que formam a maior e mais importante parte de sua religião, do Alcorão e de hadiths.

O terceiro tipo de conhecimento é o da compreensão específica de determinados mandamentos divinos e proibições que compõem a sharia. Aqui, por causa tanto da natureza quanto do grande número de textos do Alcorão e hadith envolvidos, as pessoas diferem na capacidade acadêmica para compreender e deduzir as decisões deles.

Mas todos nós temos sido ordenado a vivê-los em nossas vidas, em obediência a Deus, e por isso os muçulmanos são de dois tipos, aqueles que podem fazer isso por si mesmos, e eles são os imãs mujtahid, e quem deve fazê-lo por meio de outro, isto é, seguindo um Imam mujtahid, de acordo com a palavra de Deus na Sura al-Nahl:

"Pergunte a aqueles que se recordam, se você não sabe" (Qur'an 16:43)

 e, em Surat al-Nisa:

"Se eles tivessem remetido a questão para o Mensageiro e às de autoridade entre eles, em seguida, aqueles cuja tarefa é encontrá-lo teria conhecido as matéria" (Alcorão 4:83 )

Onde a frase “aqueles cuja tarefa é encontrá-lo”, expressa as palavras "alladhina yastanbitunahu minhum", referindo-se àqueles que possuem a capacidade de fazer inferências diretamente a partir da evidência, o que é chamado em árabe istinbat. Estes e outros versos e hadiths obrigam o crente que não está no nível de istinbat ou derivando diretamente decisões do Alcorão e hadith a perguntar e seguir alguém em tais decisões, que está neste nível. Não é difícil ver por que Deus nos obrigou a pedir a especialistas, pois se cada um de nós é pessoalmente responsável por avaliar todos os textos preliminares relativos a cada pergunta, uma vida inteira de estudo dificilmente seria suficiente para isso, e teria de desistir de ganhar a vida ou desistir do nosso querido Din, e é por isso que Deus diz em Surat al-Tawba, no contexto da jihad:

"Não deverão os crentes sair todos juntos. Deve permanecer um contingente de cada grupo, para instruir-se na religião, e assim admoestar a sua gente quando regressar, para se resguardarem." (Qur'an 9:122)

O slogan que ouvimos hoje sobre "seguir o Alcorão e a sunna em vez de seguir as madhhabs" estão longe da verdade, pois todos concordam que devemos seguir o Alcorão e a Sunna do Profeta (saws).

O fato é que o Profeta (saws) não está mais vivo para nos ensinar pessoalmente, e tudo o que temos dele, seja o hadith ou o Alcorão, foi transmitido a nós através de estudiosos islâmicos. Portanto, a questão não é se devemos ou não devemos aprender sobre o nosso din através de estudiosos, mas sim, a partir de qual dos estudiosos devemos aprender. E esta é a razão pela qual temos madhhabs no Islam: porque a excelência e a superioridade dos estudos dos Imames mujtahid - juntamente com os acadêmicos tradicionais que os seguiram em cada uma de suas escolas, e avaliaram e atualizaram o seu trabalho depois deles - passaram no teste de investigação acadêmica e ganharam a confiança de pensamento e da prática dos muçulmanos ao longo de todos os séculos de crescimento islâmico.

A razão pela qual madhhabs existem, o benefício que vem delas, passado, presente e futuro, é que elas fornecem milhares de som, respostas baseadas em conhecimento para as perguntas dos muçulmanos sobre como obedecer a Deus. Os Muçulmanos perceberam que seguir uma madhhab significa seguir um super- estudioso que não só tinha um conhecimento abrangente dos textos do Alcorão e hadith referentes a cada questão que necessita de julgamento, mas também viveu em uma época de um milênio mais perto do Profeta (saws) e seus companheiros, quando taqwa ou "temência a Allah" era a norma – e ambas as condições estão em flagrante contraste com os estudos disponíveis hoje.

Apesar da chamada para um retorno ao Alcorão e a sunna parecer ser um slogan atraente, na realidade, é um grande salto para trás, uma chamada para abandonar séculos de estudos islâmicos detalhados e realizados caso a caso no intuito de encontrar e explicitar os mandamentos do Alcorão e sunna, um sofisticado esforço interdisciplinar feito por mujtahids, especialistas em hadith, os exegetas do Alcorão, lexicógrafos e outros mestres das ciências jurídicas islâmicas. Abandonar os frutos desta pesquisa, a sharia islâmica, em favor dos estudos de Sheikhs contemporâneos que, apesar das alegações, não estão no nível de seus antecessores, é uma substituição de algo testado e comprovado por algo, na melhor das hipóteses, que é ainda uma tentativa.

A retórica de se seguir a sharia sem seguir uma madhhab particular é como uma pessoa indo para uma loja de veículos para comprar um carro, mas exigindo que este não seja um carro de procedência conhecida - nem um Volkswagen, nem um Rolls-Royce e nem um Chevrolet - mas sim "um carro, pura e simples." Essa pessoa não sabe realmente o que ele quer; os carros não são assim, eles se diferenciam por tipos de carros. O vendedor provavelmente vai expressar um leve sorriso, e pode eventualmente tentar explicar que produtos mais sofisticados vêm de sofisticados meios de produção, das fábricas, com uma divisão de trabalho entre aqueles que testam, produzem e montam as várias partes do produto acabado.

Esta é a natureza dos esforços humanos coletivos para produzir algo muito melhor do que cada um de nós o faria sozinho se fôssemos produzir algo a partir do zero, mesmo se for dada a uma pessoa uma forja e as ferramentas, e 50 anos de prazo, ou mesmo mil anos. E assim é com a sharia, que é mais complexa do que qualquer carro, porque ela lida com o universo das ações humanas e uma grande variedade de interpretações dos textos sagrados.

É por isso que descartar o estudo monumental dos madhhabs na operacionalização do Alcorão e da Sunna, a fim de adotar o entendimento de um sheikh contemporâneo, não é apenas uma opinião equivocada. É desmontar um Mercedes, e fazer com ele um kart.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Indicação de Livro - Riadhussálihin - O Jardim dos Virtuosos


Hoje vou falar de um lindo e importante presente que eu ganhei de uma querida irmã e amiga de fé.

Trata-se do Riadhussálihin - O Jardim dos Virtuosos, do Iman Abu Zakaria Yahia Ibn Charaf An Nawawi.

A capa da edição que eu ganhei segue aí em cima ilustrando este post. Apresentado em belíssimo trabalho de editoração, com capa dura de luxo e em magnífica edição bilíngue (Português - árabe), este é mais um lindo trabalho de tradução e adaptação do Professor Samir El Hayek, e curiosamente parece ser ele também o editor desta edição, já que no meu livro não há indicação nenhuma de editora.

Um lindo presente realmente, que tem lugar especial na minha casa.

Vamos falar um pouco deste livro e do porque eu o recomendo.

Citando o seu prefácio, "A majestade e a importância dos ahádice (plural de hadice), os ditos ou tradições do Profeta do Islam, Mohammad (saws), além de seu valor moral, podem ser inteiramente apreciados apenas quando alguém se conscientiza de que toda a estrutura religiosa, moral, social, econômica e política de mais de um quinto da humanidade assenta-se no Alcorão Sagrado e nos ditos ou atos, ou Sunna, do Profeta Muhammad (saws)."

Allah, Louvado seja, nos diz claramente em suas palavras no Alcorão:

"Realmente, tendes no Mensageiro de Deus um excelente exemplo" (Alcorão, 33:21)

O grande líder indiano Mahatma Ghandi considerava os ahádice como entre "...os tesouros da humanidade, e não são apenas muçulmanos." (segundo suas palavras em introdução ao livro de Abdullah Al Mamun Al Suharawardy "Os Ditos de Mohammad")

E é exatamente ahadice que o Riadhussalihin nos apresenta, em coleção cuidadosa e criteriosa e sábia organização do Imam Al Nawawi.

O Imam Al Nawawi, falecido em 676 A.H. (1277 DC), colecionou muitas tradições do Profeta (saws) e as organizou em um livro que é um dos melhores e mais bem escritos no campo da moralidade islâmica nos trazendo um guia seguro para a vida pessoal e social.

Neste aspecto, o livro é muito importante porque é uma das fontes da Sunnah Profética, abrangendo toda a vida do muçulmano desde o nascimento até a morte e é um orientador para todos, para o aluno, para o professor, para o sábio, para aquele que já vive o Islam de fato, para aquele que começa a trilhar os seus caminhos.

Então eu recomendo e acho que é uma boa maneira de começar a conhecer a Sunnah e as obras que juntas deram origem à Sharia, a jurisprudência islâmica, pois a Sharia é fundamentada no Alcorão, e na Sunna, os ditos do Profeta (saws).

Bem mas o livro não é fácil de se encontrar por aí.

Mas eu achei uma boa solução para quem se interessar pelo Riadhussálihin! Eu encontrei ele disponível para download gratuito na net =)... não é ótimo?

Então para quem tiver interesse, basta acessar este link aqui: http://www.islamicbulletin.org/portuguese/details.aspx?id=31 

Aliás o site deste link, THE ISLAMIC BULLETIN, que consta da lista de sites recomendados do meu blog, é muito bom, possui livros islâmicos gratuitos em várias línguas, inclusive em Português, e eu também o recomendo.

Boa leitura e....

Salam!

sábado, 15 de janeiro de 2011

DICA - O Alcorão vendido pela Folha de São Paulo já está nas bancas

E eis que chega finalmente às bancas o Alcorão vendido pelo Jornal A Folha de São Paulo, o número 19 dentro da Série LIVROS QUE MUDARAM O MUNDO.

Eu já fui buscar o meu e ele está aqui do meu lado.

Recomendo, para todas as pessoas que querem de fato conhecer o Islam e para irmãos e irmãs que estão sem o Alcorão em casa, já que o Islam está crescendo tanto aqui no Brasil que estamos com falta de Alcorão nas Mesquitas e Associações.

Gostei da edição caprichada, com capa dura e papel especial amarelado. A "versão" ou "tradução" (na verdade é sempre o significado do Alcorão, já que o original mesmo é só o Alcorão em árabe) é de Samir El Hayek.

Bem, já ouvi comentários à respeito desta versão, algumas pessoas consideram que esta não é a melhor em português, mas também não está entre as piores, mas é sem dúvida a mais publicada aqui no Brasil.

Esta edição da Folha contém índice remissivo e um belo texto introdutório escrito pelo Samir El Hayek.

A Palavra de Allah não é para ser vendida, e neste sentido costuma-se conseguir o Alcorão em sua "versão" oficial gratuitamente nas Mesquitas e em vários sites e Associações Islâmicas, mas como eu disse estamos com falta de Alcorão no momento devido à grande procura e ao crescimento do Islam no Brasil.

Esta edição, vendida pela Folha, custa R$ 15,90, e segundo o rapaz da banca onde adquiri o meu, todos foram vendidos, restando apenas mais dois exemplares na banca dele.

No fim das contas existem vários pontos positivos nesta história toda. O primeiro ponto positivo é o reconhecimento da importância do Alcorão aqui no Brasil ao ser incluído nesta coleção de livros importantes para toda a humanidade, editada pela Folha de São Paulo.

Além disso, já que estamos mesmo com falta de Alcorão, este lançamento ajuda algumas pessoas que já são revertidas recentemente ao Islam e ainda se encontram sem o Livro em casa.

E a vendagem que parece estar sendo expressiva mostra também que o Islam chegou para ficar mesmo no Brasil.

Vá correndo pegar o seu =)

Salam!

sábado, 1 de janeiro de 2011

Livro: A Mulher no Islam - Mitos e Realidade

Eu acabo de ler o livro A MULHER NO ISLAM - MITOS E REALIDADE, e fiquei muito impressionada com ele. Recomendo certamente a sua leitura, para muçulmanos e para não muçulmanos.

Não há nele muita informação à respeito da editora, o autor é SHARIF ABDUL AZIM, canadense, e o livro recebe o apoio cultural do CDIAL - Centro de Divulgação do Islam para a América Latina (http://www.islambr.org.br/). Foi adaptado e revisado em 1429 A.H. (2008).

É um livro pequeno, tem ao todo 65 páginas e trata-se de um estudo comparativo das condições e direitos da mulher entre o que estabelecem o Judaísmo, o Cristianismo e o Islam.

Eu confesso que não esperava tanto dele. Não porque o assunto não me interessa, afinal eu sou uma mulher e sou muçulmana, mas sim porque na verdade eu já havia lido e estudado sobre os direitos que o Islam nos trouxe muito antes de termos estes direitos garantidos no Ocidente, como já escrevi aqui no meu blog em outro post.

Mas, depois de uma comparação muito bem fundamentada em textos verídicos das três religiões, ao chegar no Epílogo do livro eu fui surpreendida por um texto coeso, curto e direto do autor que me fez refletir e muito!

Porque só lendo o Epílogo do livro é que dá para formar de vez a idéia central do autor quando desenvolveu este estudo. E eu acho que ele foi fundamental agora para que eu aumentasse o meu conhecimento o suficiente para já começar a formar uma opinião sólida e crítica à respeito da realidade do Islam hoje no mundo.

Porque crítica? Isto quer dizer que eu vou criticar?

Não. De forma alguma! É que eu tenho uma característica, eu tenho opinião própria, senso crítico apurado, e sempre anseio por construir o conhecimento e por ter uma visão consciente do que me interessa e me move.

E se tem uma coisa que eu gosto muito, é de aprender, estudar, e ler, e de livros!

E agora eu começo a enxergar um aspecto sobre o qual eu já ouvi falar algumas vezes: ao longo das eras, ao longo dos séculos, ao longo dos anos passados, as sociedades islâmicas de fato acabaram por se distanciar do Islam!

E é interessante ver o autor lembrar a todos que o Alcorão criticou severamente os árabes pagãos da era pré-islâmica por seguirem cegamente a tradição dos seus ancestrais, sugerindo que está na hora de uma nova ruptura com tudo o que apareceu de inovação, deturpação, e tradição que se distancia do Islam que é acreditado, porém não é praticado.

E isto só no final do livro, no Epílogo que me deixou realmente encantada.

E eu começo a entender este distanciamento entre crença e prática, e ao menos sobre este aspecto eu já posso dizer que concordo integralmente com o que o autor escreveu.

Está mais do que provado que estamos vivendo uma era de renascimento islâmico, já que o Islam está crescendo no mundo todo de uma maneira realmente impressionante, inclusive aqui no Brasil.

Mas eu acho que de nada adiantará se este crescimento for apenas quantitativo, e não for também qualitativo. Então aí sim teremos muçulmanos como a espuma na praia, que faz grande volume e logo se desintegra, que parece muita coisa mas não há na verdade nada ali.

E agora eu consigo entender uma impressão que tenho desde que comecei a estudar sobre o Islam: eu sou apaixonada pelo Islam, empolgada, defendo como uma leoa a minha religião, a memória do Profeta Muhammad (que a paz e as bênçãos de Deus estejam sobre ele) e a mensagem de Allah expressa no Alcorão, e eu vejo isto em muitas irmãs revertidas ao Islam como eu, por vontade própria, porque escolheram assim.

Isto se deve ao fato de que nos apaixonamos pelo Islam puro, verdadeiro, original como o Profeta Muhammad (que a paz e as bênçãos de Deus estejam sobre ele) ensinou e praticava, e por incrível que pareça é este o Islam que praticamos!

Praticamos este Islam porque sem perceber não fomos contaminadas! Bebemos diretamente da fonte (Alcorão e Sunnah) e esta água cristalina e pura que emana de tão nobres fontes não atravessou campos poluídos por tradições desviantes de seu caminho e convenções sociais escuras de fuligem e sujas de pó e ranço. Assim também é com os irmãos que eu estou conhecendo. Em resumo nós muçulmanos revertidos estamos em sua grande maioria praticando o Islam de forma pura, original, mas infelizmente em outros lugares e regiões este mesmo Islam está sendo renegado, deixado de lado, esquecido entre costumes viciados que são exatamente o ilícito descrito pelo Alcorão, e pelos ditos do Profeta (SAAS).

Espero sinceramente que todo este renascimento seja de fato um renascimento e uma RENOVAÇÃO no sentido de RESGATE do Islam verdadeiro inshallah.

Se isto não acontecer, temo pelo futuro, temo por descobrir que seremos de fato, como espumas na praia...