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sexta-feira, 22 de junho de 2018

Filha da Alvorada


Eu nunca compreendi de verdade porque esse blog se chama FILHA DA ALVORADA. Eu achei que era um nome bonito e que fazia alusão ao Salat Fajr, que é a primeira oração do dia, e a oração da Alvorada.

Mas agora eu enxergo muito além, e percebi que esse blog só existe hoje porque, uma vez, uma única vez em toda a minha vida, eu me cansei da Noite Escura, tive coragem de encarar a minha repulsa à Luz e, então, eu simplesmente esperei a noite terminar e, pela primeira vez na vida, eu me deixei banhar pelos primeiros raios do Sol, e vi a Alvorada nascer...

Desde então, eu nunca mais voltei para a escuridão...

Isso é algo muito mais verdadeiro e profundo que as palavras podem agora expressar. Porque eu fui uma Filha da Lua Negra, eu era sim uma criatura da noite profunda, das sombras! Eu me sentia confortável quando estava envolta no véu negro da Noite, e eu realmente sentia repulsa pela Luz. 

Tal qual uma verdadeira vampira, eu me movia por entre vielas escuras e envoltas em brumas, eu me perdia contemplando o mundo do alto dos abismos mergulhados no mistério e na escuridão, eu sempre vaguei por recantos elísios e sem começo nem fim, sem pé nem cabeça, onde você não sabe se há uma festa ou um velório, e nem quando começa ou quando acaba. A balança balançando sozinha ao sabor do vento, o lençol que voa descontrolado e solto em uma tempestade, roubado do varal em meio ao vento, perdido, sem saber onde é o chão, onde é o céu, onde é o mar, e muito menos quando termina o voo e onde vai pousar.

Não falo aqui da vida mundana e muito menos das coisas físicas, mas sim de sentimentos e das coisas do ar. Sim, como todo mundo eu cometi meus desvios, nada muito grave, e se eles fossem graves eu não teria nenhum motivo para não os confessar, já que para tudo isso eu tive mesmo de ter uma imensa CORAGEM! Não nego os caminhos por onde caminhei, e muito menos as vidas que eu vivi, mas um dia, uma única vez, uma única chance na vida, em uma única ocasião, eu me perguntei o que havia depois do fim da noite, depois do nascer do sol, o que havia no meio daquela Luz que nascia lá bem longe de mim, no horizonte... e foi assim que eu, morcega criatura da noite, vampira escondida em recantos escuros, resolvi enfrentar o começo da Luz, e tive uma coragem imensa para ver o Sol raiar.

Desde então eu caminho durante o dia e finalmente me sinto aquecida, confortável e protegida quando estou imersa na Luz da Vida, quando o Sol me toca e me faz sorrir, e respirar. Não posso mudar a minha natureza, mas agora eu voo seguindo a Luz.

Isto não aconteceu por causa do Islam! Não! Não mesmo! Isso foi antes, porque isso aconteceu em minha alma, muito antes daquele momento também único em que, sem nenhum motivo profundo e, por mero acaso, eu resolvi ler o Qu’ran.

Aí sim, eu estava preparada! Se eu não tivesse ousado ver a Alvorada nascer antes, eu não estaria pronta para o Qu’ran, eu não estaria pronta para, mais uma vez, ver a minha vida mudar. E eu agradeço a Allah, Subhana Wa Ta’ala, por isso, por tudo! Agradeço porque eu hoje percebo que realmente Ele, e somente Ele, me resgatou, me curou, me preparou, e então, quando eu estava pronta, me encaminhou ao Islam...

Você pode entender e sentir a profundidade disto? Você pode sentir? Você já sentiu dor na vida? Não a dor do corte, da fratura, da doença física, mas a dor de fato, a Grande Dor, a Dor Profunda? Você já caminhou na escuridão, e já teve de morrer várias vezes na mesma vida para só depois disso poder voar?

Agora eu encontrei o verdadeiro motivo pelo qual esse blog se chama FILHA DA ALVORADA! Porque, de fato, eu sou a filha mais nova e mais pequena de uma Alvorada mágica que um dia apareceu no horizonte, e mudou tudo, para sempre, Alhamdulillah...

Eu precisava escrever sobre isso, para eu mesma!

Salam

sábado, 9 de abril de 2016

The World Needs Peace - O Mundo Precisa de Paz


A humanidade precisa aprender a exercer a paz universal, e o amor incondicional. E se você segue a luz da Bondade no Universo, não importa qual a sua fé, a sua crença, a sua filosofia, é preciso aprender que esta luz segue por este caminho, a paz universal, e o amor incondicional.

Se você procura seguir o caminho que leva à Divindade, independente de sua fé, então esta necessidade de aprender a exercer de fato o amor incondicional, e a paz universal, é mais urgente.

Não há estrada do bem que não passe por estes dois pontos importantes. E isto é muito maior do que qualquer filosofia, religião, ou crença (incluindo aqui a crença na não existência do elemento divino).

Falando um pouquinho sobre quem segue a Deus, mas mesmo assim sem falar em religião nenhuma, é muito triste observar pessoas que alegam estar seguindo a Deus, e para isto praticam o ódio, a agressão, o preconceito, a violência... Por favor, deixe de ser hipócrita! E abra os olhos! Não é esta a mensagem de Deus! 

Não é este o caminho da paz, não é este o caminho da vida.

Todas as mensagens de todas as escrituras inspiradas, de todos os livros sagrados, de todas as pessoas elevadas em luz, são centradas no AMOR INCONDICIONAL, e na PAZ UNIVERSAL.

A Humanidade precisa parar de falar que é evoluída, e de fato evoluir.

O mundo precisa de PAZ.


Humanity must learn to exercise universal peace, and unconditional love. And if you follow the light of Goodness in the Universe, no matter what your faith, your beliefs, your philosophy, you have to learn that light follows this way, universal peace, and unconditional love.

If you are looking to follow the path that leads to Divinity, regardless of their faith, then this need to learn the fact of exercising unconditional love and universal peace is more urgent.

There is no road of the Goodness that don't cross through these two important points. And this is much higher than any philosophy, religion, or belief (including here the belief in the nonexistence of the divine element).

Talking a little bit about who follows God, but still not to mention any religion, is sad to observe people who claim to be following God, and then practice hatred, aggression, prejudice, violence ... Please let being a hypocrite! And open your eyes! This is not the message of God!

This is not the way of peace, this is not the way of life.

All messages contained in the inspired scriptures, holy books, and the words spoken by all people in high light, are centered in UNCONDITIONAL LOVE, and UNIVERSAL PEACE.

Humanity needs to stop talking that is evolved, and indeed evolve.

The world needs peace.


Salam ...

Gisele Marie Rocha

terça-feira, 28 de maio de 2013

Algo Importante a ser dito - Something important to be said

Salam,

Muitas pessoas têm me perguntado se sou eu a guitarrista de uma banda de heavy metal que está aparecendo na mídia, e eu entendo porque há queridos leitores que me acompanham a muitos anos aqui no meu cantinho, este blog através do qual eu falo sobre a minha religião já a um bom tempo, vários anos....

Bem, sim sou eu, e neste momento em que o mundo inteiro quer falar comigo, eu quero deixar uma coisa muito bem explicada que é algo que talvez muitas pessoas ouçam de mim daqui para frente...

Não, eu não sou uma GUITARRISTA que "virou" MUÇULMANA.

Muito pelo contrário, eu sou mesmo é UMA MULHER MUÇULMANA.

Posso ser uma guitarrista... HOJE... mas serei para sempre UMA MUÇULMANA.

Então o correto é dizer: "Ela é uma MUÇULMANA, que por um acaso toca guitarra..."

Salam



Salam

Many people have asked me if I'm the guitar player in a heavy metal band that is appearing in the media, and I understand this question. There dear readers who accompany me to many years here in my little corner, this blog through which I talk about my religion has for a long time, several years ....

Well... yes, it´s me, And at this a time when the whole world wants to talk to me, I want to make something very well explained, and it's something that many people might listen to me going forward ...

No, I'm not a GUITAR PLAYER that "turned" MUSLIM.

Rather, I am, first and foremost, A MUSLIM WOMAN.

I can be a guitar player ... TODAY ... but will forever be A MUSLIM.

So, it is okay to say, "She is a MUSLIM WOMAN, and she also plays guitar ..."

Salam

domingo, 4 de novembro de 2012

A Eterna Luz de Uma Alvorada

Bismillah...


Dia 9 de dezembro, daqui a mais ou menos 1 mês, portanto, o blog Filha da Alvorada vai fazer 2 anos de existência, Alhamdulillah.

Isto quer dizer que eu estou completando 2 anos de Shahada, na verdade já completei, porque eu fiz a minha Shahada no dia 17 de outubro de 2010, 2 anos de Islam, 2 anos...

Um lindo caminho, que começou em uma linda tarde de sol calmo sobre São Paulo, quando eu abri a janela do meu quarto e emocionada proferi a minha Shahada, e então chorei muito emocionada, eu me lembro como se fosse ontem, me lembro daqueles dias, de todos aqueles sabores e de todas aquelas cores, como se fosse ontem, como se fosse ontem.

Allah fez uma grandiosa transformação em minha vida, e eu que estava acostumada a me sentir em casa na sombra, na escuridão, na penumbra, que habitava a penumbra feito menina ferida sangrando e sentindo o toque da mão de fogo sobre mim, um dia parei no penhasco, e observei encantada os primeiros raios de sol de uma linda manhã que eu não conhecia, eles vieram e rasgaram o véu da escuridão em mim, e nunca mais, nunca mais, pararam de brilhar!

Em me lembro da força daquele momento na minha vida, quando eu estava cansada de ser uma filha da noite e um dia desejei conhecer a alvorada que havia depois de toda aquela escuridão, Ya Allah o que houve??? Como isto foi acontecer??? Eu não sei!! Eu não sei como isto foi acontecer!!! Eu só sei que foi isto que aconteceu comigo, é só isto que eu sei, e o porque disto, somente Allah sabe, e somente em Allah eu confio e adoro, somente Allah, só por Allah...

Quem me conhece bem sabe que meus caminhos até aquele dia não foram revestidos de seda e chão macio, eu havia chegado até aquele ponto da minha vida inteira sim, guerreira lutando por mim, mas somente pela graça de Allah estava viva, porque naquele momento eu estava extremamente ferida e já havia vertido todo o meu sangue pelo caminho, mas como guerreira forjada em flagelo eu tinha comigo a disposição de morrer lutando, e nunca desistir da batalha.

Um dia, perdida em meio à escuridão, e cansada de arranhar as paredes do túmulo que foi meu berço, eu tola e sem conhecimento ousei apontar o meu dedo para o alto e gritar de ódio afirmando que o brinquedo estava quebrado e a culpa era de Allah!! Sim sim, isto aconteceu de fato!

Mas eu era apenas uma morta-viva, e tão pequena em sabedoria como sou hoje, porém sem a Luz que hoje em dia ilumina tudo ao meu redor, um dia isto aconteceu, eu estava então no fundo da morte, no pior do meu momento, no mais profundo e escuro canto da minha cova...

Mas Allahu Ahlam!! E por mais incoerente que isto possa parecer, eu não sabia, mas era exatamente naquele canto escuro e desolado que já estava renascendo por vontade de Allah! E eu não sabia, eu não poderia saber, estava tão ferida que se soubesse talvez não resistisse viva a este conhecimento, até ali naquele momento de extremo ódio e desesperança, fui tratada com carinho cuidado delicadeza e atenção, um amor que por mais que eu corresponda nunca será tão grandioso como este amor é.

Sim sim, isto tudo que estou escrevendo aconteceu de fato, não estou romanceando nada, e por conta de todos estes elementos, eu digo que tudo foi muito forte, profundo, físico, real, naqueles dias, e tudo isto que foi tão forte e indescritível me levou à minha Shahada.

Eu tinha outro blog naquele tempo, um blog extremamente dark, escuro, expressão da escuridão que me envolvia, não digo escuridão no sentido propriamente negativo, é como um mar escuro onde eu menina ferida e arredia me escondia na vã esperança de obter algo que eu nunca tive: proteção... mas é ambiente propício para as verdadeiras sombras do mal se aproximarem e sim eu estava andando em meio ao fogo e pisando em cacos de vidro.

De repente, gotas de luz começaram a respingar naquele blog.

Um ano antes eu havia perdido o meu pai.

Um dia eu estava navegando pela internet e encontrei um site que ensinava a falar árabe, e isto me levou a encontrar o fio partido da minha infância, porque eu sempre tive o Islam e a cultura árabe perto de mim, desde pequena. Na verdade eu conheci o Islam por meio do meu pai, que não era muçulmano, mas admirava os conceitos islâmicos.

Eu decidi estudar árabe, e isto me levou um dia a ler o Alcorão, e então tudo mudou para sempre na minha vida.

Hoje eu me sinto emocionada porque já fazem 2 anos que eu proferi a minha Shahada, é pouco tempo eu sei, mas para mim até hoje tem sido um lindo caminho em uma nova estrada dourada, de Luz, a Eterna Luz de uma Alvorada, e esta Alvorada, na minha vida, foi a minha Shahada...

Alhamdulillah!!!

Alhamdulillah!!!......

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Rasgando o Verbo Mais Uma Vez...




Sim sim este post e o anterior estão sendo muito pessoais mas, além de serem úteis, acho que podem conter algumas lições interessantes, embora eu nada saiba e não seja uma professora, mas apenas uma mulher que é sempre uma aprendiz e que gosta de dividir o que vai aprendendo na vida...

E além disso, me desculpem mas eu sou assim, eu só sei ser eu, e é como eu consigo existir: sendo eu mesma e nada mais.

Então, lá vai, uma reprodução de uma nota que eu publiquei em meu perfil no Facebook:






Assalam Waleikum wa Rahmatullah wa Barakatuh,

Que a paz, as bençãos e a misericórdia de Allah, Subhana wa Taala, estejam com todos os meus amigos e com todos os meus irmãos e irmãs no Islam.

Vamos escrever porque escrevendo eu me comunico com o mundo da melhor forma que sei fazer, que é criar, escrever, e tentar em vão descrever o que estou sentindo porque ainda não inventaram palavras suficientes para nomear todos os sentimentos que habitam um coração...

Hoje eu venho aqui sentindo uma necessidade grande dentro de mim de escrever sobre algo que eu preciso falar para todos mas em especial para as minhas queridas irmãs e meus irmãos no Islam.

Eu sou apenas uma menina, uma pequena bebê sobretudo no Islam porque apesar de estar já fazendo dois anos de Shahada, SÃO APENAS DOIS ANOS, e eu nada sei ainda, estou apenas aprendendo, sou sempre uma aprendiz.

Somos todos nós eternos aprendizes e estamos sempre aprendendo. Todos nós, sem exceção, mesmo aqueles que se auto-denominam sábios são aprendizes, mesmo que se fechem para o conhecimento estão sempre aprendendo, e bem sabemos que Allah nos diz que é dever de todo muçulmano e de toda muçulmana, buscar o conhecimento do berço ao túmulo, e esta frase diz que não só somos sempre estudantes e aprendizes como também que vamos ter lições para aprender do começo ao fim da vida.

Mas eu aprendi algumas coisinhas já, e sempre que posso eu fico muito felizinha em dividir o pouco que alhamdulillah eu já aprendi.

Hoje em especial eu vou falar de algumas destas coisas que aprendi e, em paralelo e misturado com tudo isto como sempre, vou falar de mim, e do que estou sentindo.

Sabem eu costumo falar que eu sou uma verdadeira saladinha, porque eu sou brasileira, neta de alemães e muçulmana, além de outros aspectos múltiplos que compõem a mulher que eu sou.

Mas além destes aspectos eu sou também "italiana" no modo de agir em algumas situações. E uma delas acaba de se fazer presente frente aos últimos acontecimentos ocorridos não só na "comunidade" islâmica mas em especial comigo.

E como é este "ser italiana no modo de agir"?

Simples, quando estou com raiva, magoada, triste, decepcionada, eu explodo!!! Então eu gesticulo e fico brava e dou bronca e em geral como tenho raciocínio muito rápido e sou "escrevinhadeira" de textos e letras, eu produzo frases e raciocínios contundentes e faço todo o meu show de extravasar a tensão que estou sentindo.

Isto na verdade traz uma vantagem para mim porque na psicologia percebemos que quem exterioriza tensão tem mais facilidade de transcedência, superação, e de alcançar em seguida um estado de relaxamento e alívio desta mesma tensão.

Isto faz com que eu sempre a minha vida toda tenha a vantagem de não guardar raiva, sabem? Sempre foi assim, mesmo em relação aos agressores que me atacaram quando eu tinha 11 anos de idade, eu fui sim massacrada e destruída pelo que eles fizeram e depois procurei a minha auto-destruição e levei muitos anos, décadas, para conseguir me reinventar, e curar as minhas feridas, mas hoje eu me encontro em tal estado de superação e paz dentro de mim, e agradeço muito a Allah por isto porque se isto aconteceu foi por determinação Dele, que sinceramente não sinto mais nada, o tempo passou e sim isto me modificou para sempre e deixou em mim marcas que nunca mais se apagarão, mas eu sobrevivi, e venci, e me reinventei, e superei. O resto, é com Allah.

Desde que eu comecei a estudar sobre o Islam, a ler o Alcorão, e desde a minha reversão, eu aprendi algumas lições preciosas que me acompanham até hoje.

Uma delas é que um muçulmano NUNCA pode acusar outro muçulmano de não ser muçulmano, porque a Shahada é SAGRADA, é da pessoa diretamente com Allah, e só Allah pode julgar a validade ou não desta Shahada.

Sim sim temos irmãos e irmãs que infelizmente não praticam o que dizem acreditar, alguns se desviam do caminho, outros infelizmente infestam a nossa comunidade de fitnah e hipocrisia, e bem sabemos o tamanho do estrago que isto tem causado não só na comunidade como também na vida de muitas pessoas, MAS MESMO ASSIM SÃO ESTAS PESSOAS MUÇULMANAS SIM, e não podemos falar que não são, a não ser nos casos em que a pessoa abandona mesmo a Religião de Deus ou não faz as orações ou quebra um dos 5 pilares do Islam.

Outra lição importante: Não julgar, porque o julgamento cabe a Allah.

E

Não expor o seu irmão publicamente, se você tem algo a dizer para o seu irmão ou para a sua irmã, diga em particular, não exponha o seu irmão e a sua irmã à vergonha e à admoestação pública.

Eu pratico isto, sabem? Mesmo quando não praticam comigo, eu pratico isto porque eu sou de verdade uma muçulmana!
Então, assim, sendo sincera porém polida porque foi esta a educação que eu recebi dos meus pais, e sendo direta também: eu fiquei muito magoada e muito triste e senti raiva e senti decepção e ainda estou tentando vencer a mim mesma em relação a estes sentimentos que eu senti da minha irmã. E eu não vou citar nomes porque não preciso!!

E eu senti!! E ainda sinto buracos em meu peito, e está sendo difícil lidar com muitas coisas, sabem? Ainda me pego sentindo raiva misturada com todos os tipos de sentimentos de frustração e tristeza, ainda me pego chorando, ainda me pego rangendo sim os dentes e minha jihad tem sido no momento vencer a mim mesma, e pedir a Allah que tire estes sentimentos ruins do meu coração.

Mas porque toda esta intensidade?! Porque isto foi tão brutal e porque gerou tudo isto de uma forma tão forte e profunda?


SIMPLES: PORQUE EU A AMO!!


Entendem o que eu quero dizer??

EU AMO PROFUNDAMENTE ESTA MINHA IRMÃ!! E ELA ME FAZ FALTA!! E SE SINTO RAIVA ÓDIO RANCOR TRISTEZA DECEPÇÃO E FRUSTRAÇÃO DE UMA FORMA TÃO PROFUNDA QUE ME FAZ ESCREVER AQUI EM MAIÚSCULA, É PORQUE A FALTA DELA É SIMPLESMENTE MORTAL E LASCINANTE PARA MIM, E SOBRETUDO PORQUE ELA IMPORTA E MUITO!! NA MINHA VIDA, NO MEU CAMINHO, NA MINHA HISTÓRIA.

Eu estou magoada, e eu estou dizendo isto! E fui eu quem foi atingida, e fui eu que fui diretamente envolvida neste episódio.

Então se eu estou falando isto, por favor, peço a todos, não me julguem, mas também não julguem ela!!

Porque Allah é testemunha de nossos corações, e ninguém mais. Só Allah sabe o que eu estou passando, e o que ela está passando também, eu tenho certeza disto.

E eu não sei dela, e ela não sabe de mim, porque em um momento em que a gasolina pega fogo não adianta jogar água porque não é assim que o fogo apaga, não adianta!! Enquanto houver combustível, há incêndio...

Allah também é testemunha de minhas orações, e em minhas orações eu desejo que possamos sim superar este rompimento, porque caminhamos lado a lado durante muitos dias das nossas vidas e porque eu sei que esta amizade que para mim era tão preciosa e guardada com carinho em um diamante raro e cristalino em meu coração foi sim uma dádiva.

Mas tenho de aceitar o que Allah determina para mim, para nós, para ela também.

Se for da vontade de Allah para quem nada é impossível, talvez um dia possamos estar fortalecidas em nossa amizade, ou então talvez tenhamos de nos conformar em nunca mais passear juntas sob o sol que Allah nos concede todos os dias, mas por favor, eu peço,

NÃO JULGUEM ELA, E NÃO JULGUEM A MIM, POR FAVOR, PORQUE JÁ TEMOS SOFRIMENTO DEMAIS NESTE MOMENTO...

Que Allah nos conceda a compreensão e a humildade suficiente para de fato estarmos todos nós preparados para adquirir novos conhecimentos e com isto crescermos todos sob as bençãos dele.

Salam! 

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Blog CRÓNICAS DAS MUÇULMANAS NO OCIDENTE - vale a pena conhecer =D

Eu estou participando como uma das autoras do blog CRÓNICAS DAS MUÇULMANAS NO OCIDENTE, um blog muito divertido e bem humorado, um trabalho muito bom realizado por diversas mãos de irmãs queridas, e internacional já que une irmãs de Portugal e do Brasil.

Tudo isto está fazendo com que o blog seja algo realmente diferente e delicioso tanto de ler quanto de participar, conferindo a ele um "tempero" todo especial!

Eu estou participando com muito carinho deste blog e convido todos que curtem este meu cantinho a conhecer também este blog, garanto que vocês irão se divertir com as nossas histórias, todas reais, vividas no nosso dia a dia de muçulmanas no Ocidente!

Pensa que é fácil ser uma muçulmana por aqui???

Rs... não é fácil não, mas com bom humor e boas intenções no coração, dá para sobreviver e ainda se divertir =)

Espero que todos gostem!

Salam!

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Passeio no Zoológico de São Paulo



Dia 12 de outubro é feriado aqui no Brasil.

Um feriado misto, porque é o Dia das Crianças, e também porque é um feriado católico, Dia de Nossa Senhora Aparecida (Padroeira do Brasil) e o Brasil é um país muito engraçado, se diz Laico mas NÃO É.

É laico sim, contando que você, independente de qual seja a sua religião concorde em ser forçado a aceitar "de livre e expontânea vontade" que as datas comemorativas cristãs (na verdade com ênfase no catolicismo) são mais importantes do que outras datas e devem ser motivo de feriado, festa e outras coisas mais...

Bem, mas como é feriado mesmo, eu e algumas amigas e irmãs no Islam resolvemos marcar um delicioso passeio no Jardim Zoológico de São Paulo, um autêntico "Programa de Índio", como se diz por aqui, ou seja, um programa que com certeza dará errado!

Porque? Ah... porque especialmente no Dia das Crianças, o Zoológico fica lotado de gente, e já é muita sorte conseguir chegar até a portaria, afinal apenas uma estreita e antiga avenida, comprida e sem alternativa de caminhos, leva até o complexo de parques onde o Zoológico está localizado, imagina então entrar no mesmo...

Mas fomos abençoadas e conseguimos entrar até com certa facilidade, apesar das imensas filas tanto no terminal de ônibus quanto nas bilheterias do Zoológico.

Entramos Allhamdulillah, e de fato o parque estava cheio!! O Jardim Zoológico de São Paulo é simplesmente o maior Zoológico da América Latina (em São Paulo tudo é grande, ou imenso...) e eu vou dizer uma coisa para vocês: meninos e meninas, eu nunca na minha vida tirei tantas fotos como tirei no Zoológico!! =O

Se vocês estão pensando que eu fotografei os bichos... erraram. Na verdade todo mundo resolveu me fotografar, seja pedindo para tirar fotos, seja tirando sem pedir, seja tentando disfarçar que estava fotografando, ou tirando fotos comigo e com as meninas, entre nós, o fato foi que o que eu mais vi por lá foram luzes de flash em minha direção =S. Teve uma hora que eu pensei, "daqui a pouco me colocam em um habitat e não deixam eu ir mais embora..."

Ser fotografada é uma coisa normal para uma munaqaba brasileira, afinal somos de fato raras no Brasil. Eu particularmente já estou acostumada, na verdade sempre pedem para tirar fotos comigo quando eu saio de casa, mas nunca vi tanta gente assim. A vantagem é que a pessoa acaba conversando comigo e eu aproveito para fazer Dawah, mas ontem foi como se um enxame permanente de fotógrafos nos perseguisse por onde nós íamos no Zoológico...

O passeio em si foi ótimo, as pessoas não incomodam de verdade, ao contrário sempre se mostram educadas, e a companhia das queridas irmãs Najla, Michelle e Thami foi o suficiente para garantir um ótimo dia.

Destaco um simpático rapaz que, tendo nos abordado perto do setor de répteis com a intenção de tirar uma foto nossa, e certamente tendo concluído que éramos "árabes" e portanto não devíamos falar português, limitou-se a se comunicar conosco por meio de gestos, e foi assim até o fim quando agradeceu pela foto, sem pronunciar uma palavra sequer.

Outra abordagem interessante também foi a abordagem de duas simpáticas senhoras que se mostraram de fato emocionadas por me ver! E elas nos chamaram de "mulheres do caminho" como se fôssemos a coisa mais rara do mundo, e comentaram sobre uma tal "pastora" - "... que pena que a pastora não está aqui para ver vocês..."

Entre os animais, para variar um pouco, eu fiquei fascinada ao ficar perto mais uma vez das minhas queridas Harpias! Para quem não sabe, a maior, mais forte e mais impressionante ave de rapina do mundo, é brasileira! Seu nome é Harpia, e eu acho que ela deveria ser eleita um dos símbolos do Brasil!

Harpia

Para vocês terem uma idéia da dimensão desta águia, as unhas da harpias são maiores do que as unhas do urso pardo, o maior urso que vive na América do Norte. A fêmea da harpia, maior do que o macho, chega a ter uma envergadura de 2 metros de comprimento de ponta a ponta das asas, um animal realmente impressionante, e eu me sinto muito bem perto delas.

Elas me fascinam todas as vezes que eu vou ao Zoológico, e o Zoológico de São Paulo tem sido muito bem sucedido na manutenção destas aves impressionantes, tendo dois viveiros imensos que permitem o vôo contendo cada um destes viveiro, um casal.

Outro animal que me fascinou muito foi o Rinoceronte branco, porque eles são fofinhos! Dá vontade de entrar no viveiro e apertar a bochecha deles =) e eu sou uma verdadeira menina e me dou muito bem com animais, e gosto de bichos fofos assim, tá bom? =D



Vimos também o Trigo, um tigre siberiano imenso criado com mamadeira pelos biólogos do Zoo, os cachorros vinagre, e muitos outros animais, mas infelizmente eu descobri que os meus queridos bisões norte-americanos não estão mais lá, e eu não sei o que aconteceu com eles.


Cachorro-vinagre, um canídeo típico do Brasil e América do Sul em geral
Eu gostava muito de estar com eles, e na vez anterior que eu tinha ido ao Zoológico, um deles se aproximou de mim e abaixou a cabeça, eu extendi o braço e fiz carinho na testa dele e ele ficou ali um tempão quietinho recebendo o meu carinho, enquanto um distinto senhor levava uma senhora cusparada na cara de uma lhama mal educada no viveiro ao lado...


Sussuarana, ou onça parda, também conhecida como Leão da Montanha, ou Puma, na América do Norte

Onça Pintada, o terceiro maior felino do mundo, o único que ataca as vítimas mordendo o crânio, uma excelente nadadora e um ícone de nossas matas

O dia também se tornou muito especial porque tivemos a alegria de testemunhar a Shahada da nossa querida e mais nova irmãzinha Thami Khadija, cujo vídeo segue no próximo post.

E além disso, os fatos engraçados de sempre: uma pessoa olhou para nós e falou "Olha as burquianas!!" se referindo à burka...

Em outro momento, a Najla ouviu alguém falar que éramos "arábiasauditianas"! Esta eu nunca havia ouvido =O... e a Thami se divertiu ao ver como as pessoas olhavam para nós, e para mim, uma munaqaba no meio do Zoológico de São Paulo.

Na saída, a velha desorganização e incompentência de sempre, mas foi um dia memorável, Mashallah! =D

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Halima

Então eu de dentro da noite escura vislumbrei um facho de luz e comecei a caminhar na direção dele.

A noite era fria, sem brilho sem cor, sem nada na imensa desolação cruel e mortal do Deserto dos Ventos Esquecidos...

Seguindo o facho de luz, eu cheguei a uma praia, e nela encontrei uma linda Alvorada, depois veio a luz, a paz, a cura! E a noite foi embora...

Depois da Alvorada, veio a minha Shahada.

E depois da Shahada, Allah colocou no meu caminho a amiga certa, na hora certa: Halima...

Eu estou escrevendo este post porque me pediram para falar mais sobre a minha Shahada, sobre a minha reversão ao Islam.

Eu estou escrevendo este post para dizer a todos que querem se reverter ao Islam que NÃO TENHAM MEDO, vocês não estarão sozinhos, nunca mais estarão sozinhos.

Eu estou escrevendo este post porque isto mostra que de fato não há melhor Protetor, não há melhor Provedor do que Allah, porque Ele tudo provê de melhor para a nossa vida, encaminha quem Ele quer encaminhar, e não nos abandona nunca no meio do caminho.

Eu estou escrevendo este post porque alguém extendeu a mão para mim, e nunca mais eu estive sozinha, e para sempre eu ganhei uma amiga que é muito mais do que uma irmã, uma verdadeira dádiva de Allah!

Então eu fiz a Shahada sozinha, e feliz da vida sozinha eu permaneci, mas e agora? Agora eu desejava começar a vivenciar de fato o Islam, aprender a fazer as orações diárias, ler novamente o Alcorão, passar a usar hijab e roupinhas apropriadas para uma muçulmana, mudar meus hábitos e o meu dia-a-dia, e finalmente poder frequentar uma mesquita, ter uma mesquita para frequentar!

Mesquita? Mas espera aí, eu não conhecia ninguém!!

Sim sim, eu me tornei muçulmana, e de fato já havia me comunicado via mail com algumas poucas irmãs, pedindo ajuda com minhas dúvidas, mas eu não conhecia pessoalmente ninguém que fosse da minha nova religião, e para completar, eu era e sou muito tímida, não queria entrar em uma mesquita e falar "olá, eu me reverti ao Islam, e agora o que eu faço?"

Ao longo da minha pesquisa febril sobre o Islam depois que eu comecei a ler o Alcorão, eu encontrei inúmeros sites e blogs, escritos por irmãs que hoje em dia eu me sinto abençoada por serem sim minhas amigas, mas um blog sempre me chamou a atenção, porque era escrito por uma mulher que usava algo que me chamava muita a atenção, um niqab! Ela usava niqab e chador, e isto me deixava impressionada!

Eu permaneci sozinha durante um tempo. Pesquisando e praticando, eu aprendi sozinha a fazer as minhas orações e passei a rezar todos os dias, 5 vezes por dia. Finalmente encontrei o meu primeiro hijab, um lindo hijab tipo shayla retangular preto com bordas em fios de prata, diferente, grande, de excelente trama, pashmina indiana, que tenho até hoje e sempre foi o meu hijab predileto.

Depois comprei outros, e comecei a treinar a colocação do véu assistindo aos vídeos da irmã Falastin, no seu blog Fay Z, foi com ela que eu aprendi a colocar o hijab!

Roupas propriamente dito, foram uma grande dificuldade no começo, e eu acho que toda mulher que se reverte ao Islam passa por esta dificuldade, porque não temos uma loja sequer de roupas islâmicas no Brasil. É certo que desde a minha Shahada, já melhorou muito porque temos hoje várias irmãs que vendem roupas apropriadas, abayas, niqabs, hijabs de vários modelos e cores, e até chador.

Mas para quem não conhecia ninguém, como eu, era uma grande dificuldade. Decidi optar por batinhas e saias indianas, mas eu queria mesmo era conhecer uma mesquita! E eu simplesmente não sabia o que fazer, me sentia perdida!

Muitas vezes eu pensei "Como seria bom se eu tivesse uma amiga muçulmana! Para poder conversar, compartilhar este meu momento, para ter companhia para ir à mesquita, uma amiga que tivesse algo em comum finalmente comigo agora!"

Eu continuei a escrever no Livro das Sombras, e um dia, para minha surpresa, a Halima escreveu para mim!

Eu confesso que derramei lágrimas quando recebi o que ela escreveu, se oferecendo para me apresentar a Mesquita do Pari, e agradeci a Allah por isto! Eu não conhecia ela, e na hora não associei ela à moça de niqab que escrevia o blog, só depois fui perceber que era ela! A Halima do blog Diário de Halima! Que tantas vezes me fez viajar para outros lugares em saborosas leituras, mas o fato é que aceitei o convite na hora, e comecei a esperar ansiosamente pelo dia em que pela primeira vez eu estaria em uma mesquita, e conheceria uma irmã no Islam que acreditava nas mesmas coisas que eu.

A Halima foi a primeira irmã que eu conheci, me lembro que eu estava muito nervosa e tímida porque sou de fato tímida, no sábado em que eu pisei pela primeira vez na mesquita que se tornaria a minha mesquita tão querida e amada como é hoje.

Com o endereço em mãos, eu entrei na rua andando devagar com o meu carro, procurando localizar a mesquita. Então eu achei a mesquita, procurei uma vaga para estacionar, subi a escada da frente e ia entrando quando eu percebi que ali não era o lugar, eu estava entrando no salão reservado aos homens da mesquita.

Na porta da frente, dois irmãos me observavam, eu os cumprimentei toda sem jeito e disse que era a primeira vez que estava ali, então eles me indicaram o elevador e o primeiro andar, que era o andar reservado para as mulheres.

Eu agradeci e subi, estava retraída e tímida, não sabia o que iria encontrar ali.

O elevador abriu e não havia ninguém! Eu entrei e encontrei uma ampla sala com sofás e cadeiras, uma mesa no fundo com uma intrigante caixa preta que se parecia com um grande estojo de guitarra porém maior ("o que será que é aquilo ali?") e uma porta ladeada por duas janelas de vidro que davam para um salão acarpetado, o salão de orações para mulheres.

Tudo estava calmo, e muito agradável, eu não me atrevi a entrar no salão de orações porque não sabia o que teria que fazer e eu queria fazer tudo certo, e de repente uma paz muito grande invadiu o meu coração, uma sensação de calma e tranquilidade que eu nunca mais esqueci, intensa, forte.

Depois de um tempo, o elevador abriu, e a Halima apareceu com um sorriso, me perguntando se eu era a Gisele, eu disse que sim.

Começamos a conversar, e nunca mais paramos!!! Até hoje continuamos a nossa conversa, Alhamdulillah!

Ela me apresentou toda a mesquita, me ensinou muitas coisas, eu voltei para a casa com um sorriso imenso no rosto, feliz da vida e com a certeza de que acabava de ganhar uma nova e querida amiga de verdade! Algo muito valioso para mim...

Então foi a Halima que me extendeu a mão, e hoje eu procuro sempre fazer isto com todas que me procuram, querendo conhecer a mesquita, porque esta foi uma grande lição!

De lá para cá, muitas coisas vivemos juntas, eu aprendi muito com ela, e tentei ensinar também aquilo que eu sabia e que era necessário para ela, é como ela mesma disse um dia, tem vezes que eu sou a irmã mais nova e ela é minha irmã mais velha que nunca tivemos, tem vezes que é o contrário, eu é que passo a ser a mais velha...

Foi com a companhia da Halima que eu me tornei uma munaqaba, e isto eu vou contar em um outro post mais para frente, mas basicamente foi com ela que eu comecei a usar niqab, e nunca mais parei também.

Eu agradeço a Allah todos os dias por esta amizade tão preciosa e única para mim, porque grande de fato não é quem diz que é isso ou aquilo, ou quem julga as pessoas e pensa que tem este direito em vez de Allah, mas sim quem tudo faz com o coração como ela, quem tem a coragem de fazer de fato, quem tem a modéstia real estampada em sua vida, e ama de fato a Allah!

Que Allah te abençoe sempre, minha querida amiga e irmã!

Salam!

ANTES DA LUZ - Transcrição do "Livro das Sombras" - "O que de fato está acontecendo e o que há aqui"


Este texto foi escrito no Livro das Sombras, em um domingo, no dia 17 de outubro de 2010, dois dias antes da minha Shahada.

Eu estava em plena ânsia febril por estudar o Islam e decidi comprar um hijab para experimentar. Como eu nada sabia e nada conhecia, esta busca se tornou uma verdadeira "epopéia" que acabou entrando em paralelo com a busca dentro de mim e culminou com a minha Shahada, quando coincidentemente eu acabei encontrando o meu primeiro hijab.

Foi só eu fazer a minha Shahada, que ele apareceu na minha frente em uma loja...

Eu vou transcrever aqui três textos do Livro das Sombras, este que é antes da minha Shahada, o texto do dia da minha Shahada, e o primeiro texto escrito depois que eu me tornei muçulmana...


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"Estou escrevendo um post para dizer que não há aqui o uso alegórico ou fantasioso do véu.
Porque é verdade que hoje encontramos em todos os lugares por onde olhamos o véu usado por inúmeros outros motivos que não são os motivos que existem no uso do véu de fato.

Isto começa a me incomodar um pouco, mas não cabe a mim o julgamento, nem tampouco a condenação. Não escrevo isto para apontar o que é o erro e o que é o certo, quem sou eu para fazer isto, eu sou apenas uma mulher, e sempre sempre apenas uma aprendiz, mas quero deixar isto de forma clara, aqui não há alegoria, aqui não existe a expressão de uma fantasia.

Se estou escrevendo sobre minha busca pelo hijab, se coloco aqui e nos meus perfis fotos em que estou usando o véu, é porque isto é sério, merece de mim o respeito que sempre procurei ter comigo mesma, com todos, com tudo, é porque é novamente verdade, e não alusão.

A única alusão que pode ser feita em minha busca pelo meu primeiro hijab, é a alusão à busca interna que está acontecendo em mim, ou melhor dizendo talvez ao encontro que está acontecendo, mas aqui é verdade, e engana-se aquele que vem a este meu canto procurando a satisfação de suas próprias fantasias, porque elas não são minhas, são daquele que as busca, e por engano quer encontrá-las entre a minha verdade.

Engana-se aquele que olha também para este meu blog com olhos de superficialidade, ou com leviandade, este vai se decepcionar, e provavelmente nada entenderá, porque sempre há oceanos profundos e recantos vibrantes quando tentamos ao menos a sinceridade em si mesma, mas é preciso calma e profundidade do olhar para saber encontrar e de fato enxergar.

Hoje sou novamente aprendiz. Humildemente sempre me vejo assim. Confesso que estou de fato caminhando a passos largos, porém pensados, passos firmes porém ritmados, encantada que estou com as dádivas que recebo porém consciente do fato de que ainda não me sinto pronta para dizer que sim, eu sou uma mulher muçulmana.

Mas estou caminhando na estrada que eu considero certa para me sentir pronta, dedico o melhor de mim à este momento, como de fato sempre procurei dedicar, então o momento é novamente de intensa e profunda mudança e transformação em minha vida, como isto foi acontecer?

Eu sei! Ou pelo menos eu tenho as pistas para entender o que está acontecendo comigo. Porque eu estava morta! Morta de fato, de morte nascida e de morte matada, mas renasci!

E depois do torpor dos primeiros dias de Sol em minha existência, veio a paz, e a maturidade, é quando de fato sentimos que tudo, tudo mudou! É o que de fato aconteceu comigo.

Com a serenidade vieram novos anseios, novas necessidades de aprendizagem e de vivência, e eu que sempre tive a coragem de caminhar caminhei, estou caminhando, não me vanglorio disto, engana-se quem pensa que isto me faz melhor, ou elevada perante outras pessoas, pois este não sabe que antes de tudo eu tive de ser assim para estar viva até hoje, questão que foi de sobrevivência e não de virtude, se é virtude não sei, só sei que é por isto que agora estou viva, só sei que é por isto que não há mais morte em mim.

Então é assim, se agora apareço de véu é porque é legítimo, não é fantasia, que isto fique bem claro!

É porque, a estas alturas, talvez pelo que acredito eu já possa ser considerada de fato uma muçulmana, apenas não me considero pronta para me nomear assim. Ainda não dei meu testemunho, humildemente digo a mim mesma que não estou pronta, estou me preparando com respeito e dedicação, e assim que estiver pronta de fato eu farei.

Antes disto, não vou usar da palavra! Não vou me expressar em cumprimentos, não vou pendurar em mim um título e agitar ao vento como bandeira para chamar a atenção, eu não sou assim! Não é isto que me interessa, não é isto que me traz sempre aqui.

Não faço também da mudança motivo para desmerecer ou diminuir tudo o que eu já vivi. Aqui também não há hipocrisia de minha parte, apenas a sinceridade que sempre procurei ter acima de tudo comigo mesma, a tentativa verdadeira de traduzir em palavras a minha alma e meus sentimentos, os passos dados de meu caminho, apenas isto e nada mais.

É o que está acontecendo, é o que há aqui..."
São Paulo (SP), 17 de outubro de 2010.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Eu não sei!


Não eu não sei fazer blog...

E eu também não sei viver!

Não eu não conheço todos os ahadith da Sunnah, não sei às vezes com Allah falar, não eu não sei o que dizem todas as escolas de jurisprudência à respeito de tudo o que me perguntam e não sei também onde eu poderei consultar.

Eu não sei trabalhar.

Não eu não sei todas as respostas, e muito menos como fazer as perguntas, não sei prever o futuro, eu não sei também o que tem do outro lado do muro.

Eu não sei o que acontecerá comigo daqui a um segundo, esta sabedoria cabe apenas a Allah!

Eu ainda não sei mergulhar!

Não! Eu não sei o que você sente, posso apenas imaginar, mas eu sei me colocar no seu lugar.

Eu ainda não sei o que é cuidar de um marido, eu ainda não sei o que é recebê-lo em casa depois do trabalho com a mesa posta e disposição para fazer ele relaxar, não eu ainda não sei amar, mas estou aprendendo, com o homem com quem eu quero me casar...

Não eu não sei! Eu não sei muitas coisas, mas eu sempre estou disposta a aprender, porque eu acho que isto sim é viver.

Mas eu sei sentir, e eu aprendi a sorrir!

Isto eu sei que eu sei, sentir e sorrir, e com isto eu faço e realizo em minha vida, porque isto é viver, e porque eu quero muito aprender!


Um brinde à Palavra Não Dita!


Um brinde à palavra não dita! Aquela que poderia ser ouvida, mas nunca foi pronunciada!

Um brinde ao abraço esquecido, ao beijo não realizado, um brinde à declaração de afeto adiada, ao sentimento contido, ao sorriso encarcerado.

Um aceno de mão ao arrependimento sincero, mas não a um arrependimento qualquer! E sim àquele que se esconde por trás do ego, do orgulho que tem medo de ser ferido, do pedestal que se torna mais alto do que o ato de se reatar uma amizade perdida...

Um brinde a tudo que é adiado na vida! Porque estas sim são as verdadeiras coisas que deveriam ser vivivas,
Porque a palavra não dita poderia dizer coisas lindas,
Porque todas as palavras não ditas,
Todos os abraços negados,
Todos os sorrisos contidos,
Todos os reconciliamentos barrados,
São flores lindas que, já que são descartadas, vão juntas habitar um lindo jardim,
Que pena que suas cores e seus perfumes se tornam inalcançáveis assim!

Mas no portão do lindo jardim, sempre há um bravo soldado que não permite a saída das flores e tampouco a entrada de qualquer um, seu nome é Medo, e ele ali se instala e cumpre com competência a sua missão!

Um brinde a quem não produz flores para este jardim, mas prefere plantá-las lá mesmo em sua casa, em sua vida, e não deixa o Medo tomar conta de suas flores, colorindo e perfumando o mundo assim!

Um brinde a quem tem coragem, de cruzar a ponte, estender a mão e perguntar "como você vai, meu irmão?"


E você, tem medo do que? Porque ter medo se apenas um simples gesto seu poderia te fazer sorrir? Do que você tem medo? E porque você deixa o soldado Medo conter a sua vida?

Um brinde à alegria vivida, e devidamente compartilhada, um brinde à vida enfim!

Eu agradeço a Allah porque sou apenas uma criança, uma menininha brincando sentada no meio de um lindo jardim!

Um brinde a quem não complica e sim simplifica, vivendo a vida de forma simples enfim!

Um brinde!