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sexta-feira, 22 de junho de 2018

Filha da Alvorada


Eu nunca compreendi de verdade porque esse blog se chama FILHA DA ALVORADA. Eu achei que era um nome bonito e que fazia alusão ao Salat Fajr, que é a primeira oração do dia, e a oração da Alvorada.

Mas agora eu enxergo muito além, e percebi que esse blog só existe hoje porque, uma vez, uma única vez em toda a minha vida, eu me cansei da Noite Escura, tive coragem de encarar a minha repulsa à Luz e, então, eu simplesmente esperei a noite terminar e, pela primeira vez na vida, eu me deixei banhar pelos primeiros raios do Sol, e vi a Alvorada nascer...

Desde então, eu nunca mais voltei para a escuridão...

Isso é algo muito mais verdadeiro e profundo que as palavras podem agora expressar. Porque eu fui uma Filha da Lua Negra, eu era sim uma criatura da noite profunda, das sombras! Eu me sentia confortável quando estava envolta no véu negro da Noite, e eu realmente sentia repulsa pela Luz. 

Tal qual uma verdadeira vampira, eu me movia por entre vielas escuras e envoltas em brumas, eu me perdia contemplando o mundo do alto dos abismos mergulhados no mistério e na escuridão, eu sempre vaguei por recantos elísios e sem começo nem fim, sem pé nem cabeça, onde você não sabe se há uma festa ou um velório, e nem quando começa ou quando acaba. A balança balançando sozinha ao sabor do vento, o lençol que voa descontrolado e solto em uma tempestade, roubado do varal em meio ao vento, perdido, sem saber onde é o chão, onde é o céu, onde é o mar, e muito menos quando termina o voo e onde vai pousar.

Não falo aqui da vida mundana e muito menos das coisas físicas, mas sim de sentimentos e das coisas do ar. Sim, como todo mundo eu cometi meus desvios, nada muito grave, e se eles fossem graves eu não teria nenhum motivo para não os confessar, já que para tudo isso eu tive mesmo de ter uma imensa CORAGEM! Não nego os caminhos por onde caminhei, e muito menos as vidas que eu vivi, mas um dia, uma única vez, uma única chance na vida, em uma única ocasião, eu me perguntei o que havia depois do fim da noite, depois do nascer do sol, o que havia no meio daquela Luz que nascia lá bem longe de mim, no horizonte... e foi assim que eu, morcega criatura da noite, vampira escondida em recantos escuros, resolvi enfrentar o começo da Luz, e tive uma coragem imensa para ver o Sol raiar.

Desde então eu caminho durante o dia e finalmente me sinto aquecida, confortável e protegida quando estou imersa na Luz da Vida, quando o Sol me toca e me faz sorrir, e respirar. Não posso mudar a minha natureza, mas agora eu voo seguindo a Luz.

Isto não aconteceu por causa do Islam! Não! Não mesmo! Isso foi antes, porque isso aconteceu em minha alma, muito antes daquele momento também único em que, sem nenhum motivo profundo e, por mero acaso, eu resolvi ler o Qu’ran.

Aí sim, eu estava preparada! Se eu não tivesse ousado ver a Alvorada nascer antes, eu não estaria pronta para o Qu’ran, eu não estaria pronta para, mais uma vez, ver a minha vida mudar. E eu agradeço a Allah, Subhana Wa Ta’ala, por isso, por tudo! Agradeço porque eu hoje percebo que realmente Ele, e somente Ele, me resgatou, me curou, me preparou, e então, quando eu estava pronta, me encaminhou ao Islam...

Você pode entender e sentir a profundidade disto? Você pode sentir? Você já sentiu dor na vida? Não a dor do corte, da fratura, da doença física, mas a dor de fato, a Grande Dor, a Dor Profunda? Você já caminhou na escuridão, e já teve de morrer várias vezes na mesma vida para só depois disso poder voar?

Agora eu encontrei o verdadeiro motivo pelo qual esse blog se chama FILHA DA ALVORADA! Porque, de fato, eu sou a filha mais nova e mais pequena de uma Alvorada mágica que um dia apareceu no horizonte, e mudou tudo, para sempre, Alhamdulillah...

Eu precisava escrever sobre isso, para eu mesma!

Salam

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Agora nós teremos algumas mudanças aqui - Now we'll have some changes here


Salam a todos,

Agora nós teremos algumas mudanças aqui, e a primeira mudança delas é que, de agora em diante (e na verdade eu já vinha fazendo isto antes), todos os posts serão bilíngues (português e inglês).

Eu quero ser sempre bem sincera com todos, e eu tenho muito carinho por este meu blog islâmico, que existe desde 2010 falando, pensando e escrevendo esclusivamente sobre o ISLAM, a minha religião.

Eu procuro escrever aqui de uma maneira bem pessoal. E eu não escrevo aqui para quem já conhece a religião, mas antes de tudo, PARA TODOS, tá bom? Então aqui não há textos profundos sobre estudos e nada disto. Há um monte de lugares na internet para isto. Sim sim, há algo sobre estudo, e sobre escolas de jurisprudência, e alguns grandes nomes do pensamento islâmico mas, dentro deste tipo de tópico, eu só escrevo aqui o que eu SINTO que é interessante.

Porque o ponto de vista do FILHA DA ALVORADA é sempre o SENTIMENTO. É sempre a vivência. É sempre o resultado do meu olhar, estando eu inserida no ISLAM.

E vai ser sempre assim.

Bom, voltando às mudanças que teremos por aqui, uma delas é que eu encontrei na inverdade de algumas pessoas, uma nova chama de ânimo para retomar a minha dedicação ao estudo islâmico, e a este blog.

Conforme eu disse na matéria publicada na AJ+ sobre mim recentemente, críticas são saudáveis, e eu não tenho nenhuma intenção de agradar a todos. Eu só quero fazer a MINHA MÚSICA. E a minha profissão, a música, me levou a ser conhecida pelo mundo todo, é verdade. Então sim, há críticas, motivadas especialmente pela TOTAL FALTA DE CONHECIMENTO por parte de pessoas do mundo todo, pessoas que não são muçulmanos, MAS TAMBÉM MUÇULMANOS, sobre o que é de fato O ISLAM. Então uma destas pessoas andou dizendo que AJ+ ME PAGOU para eu vestir o niqab e fazer a matéria que fui publicada pela Al Jazeera, e que eu não era muçulmana de verdade e que era um golpe...

Rs... eu devo estar rica, então! Porque a imprensa do mundo inteiro vem publicando matérias sobre mim desde 2013! =D

E esta pessoa alegou que eu era BRANCA! DE OLHOS "AZUIS" (outro erro já que meus olhos são verdes... =D), com NOME CRISTÃO (outro erro já que o meu nome não é cristão, na verdade metade é grega, antiga, e metade pode ser até islâmica, já que nós muçulmanos amamos e temos MARIA, mãe do Profeta Jesus - a paz esteja com ela e com ele, como exemplo de mulher para nós muçulmanas), e que vivo eu no Ocidente e blá blá blá... Estranho, eu pensava que somente as pessoas do meu país confundiam ISLAM, UMA RELIGIÃO PARA TODA A HUMANIDADE, com NACIONALIDADE ÁRABE, mas pelo jeito esta total falta de conhecimento é mundial, o que me deixa espantada, afinal parece mesmo que a capacidade intelectual humana regrediu! =O

Isto é a mesma coisa que falar que TODO CRISTÃO E PALESTINO, já que o cristianismo surgiu na... PALESTINA! 

Bem, então é questão de como você encara a vida.

Eu estou sempre feliz, sempre positiva, sempre procurando emanar boas energias. Sim, pego o limão e faço uma boa limonada, docinha e gelada, e olho o copo pela metade e, para mim, ele está quase cheio, e não quase vazio. Mas eu sou assim, e não sei ser de outro jeito.

E, eu tenho MUITO ORGULHO, e agradeço a Allah, Subhana Wa Ta'ala, por Ele ter me encaminhado ao ISLAM, há alguns bons anos atrás, na verdade desde 2009! O que mudou para sempre e para melhor a minha vida.

SEJA VOCÊ MESMO, E PAZ PARA TODOS! =)


Salam to all of you people,

Now we'll have some changes here, and the first change of them is that, from now on (and in fact I have been doing this before), all posts will be bilingual (Portuguese and English).

I want to be always very honest with everyone, and I have much affection for this blog, my Islamic blog, online since 2010 talking, thinking and writing exclusively about ISLAM, my religion.

I try to write here in a very personal way. And I don't write here for those who already know the religion, but for ALL THE PEOPLE, okay? So here there is no profound texts on studies and none of this. There are a lot of places on the internet for this. Yes yes, there is something about the study, and on schools of jurisprudence, and some big names of Islamic thought but in this kind of topic, I just write here what I FEEL that is interesting.

Because the point of view of DAUGHTER OF THE DAWN is always FEELING. It's always the experience. It's always the result of my eyes, as I inserted in ISLAM.

And it will always be so.

Well, back to the changes that we have here, one is that I found on the untruth of some people, a new flame of courage to increase my dedication to Islamic study, and this blog.

As I said in the article published in AJ+ about me recently, criticism is healthy, and I have no intention to please everyone. I just want to MAKE MY MUSIC. And music, my work, let me to be known all over the world, it's true. So yes, there is criticism, especially motivated by TOTAL LACK OF KNOWLEDGE by people around the world, people who are not Muslims, BUT ALSO MUSLIM, about what is in fact ISLAM. Then one of those people been saying that AJ+ PAID ME to wear the niqab and make the article that was published by Al Jazeera, and I'm not really a Muslim and that was a blow ...

Lol ... I must be rich, then! Because the world press has been publishing stories about me since 2013! =D

And this person claimed I'm WHITE! "BLUE" EYES (another mistake as my eyes are green ... =D), with CHRISTIAN NAME (another mistake as my name is not a Christian name, actually is half Greek, old, and half may be up to Islamic since we Muslims love and have Mary, mother of the Prophet Jesus - peace be with her and he, as a example of woman for us Muslim), and I live in the West and blah blah blah... This is weird, cause I thought that only people of my country mistook ISLAM, a RELIGION FOR ALL MANKIND, with ARAB NATIONALITY, but the fact is that this total lack of knowledge is worldwide, which makes me worried, since it shows that human brainpower regressed! =O

This is the same thing as saying that ALL CHRISTIAN ARE PALESTINIAN since Christianity came in ... PALESTINE!

Well, then it's a matter of how you see the life.

I'm always happy, always positive, always looking to emanate good energies. Yes, I take the lemon and make a good lemonade, sweet and cold, and I look at a glass half full of water, and I see a glass that is almost full. I don't see a glass that is almost empty. But that's how I am, and don't know any other way.

And I'm very proud, and I thank Allah, Subhana Wa Ta'ala, that He sent me to ISLAM, there are a good few years ago, actually since 2009! And ISLAM has changed forever and for the better my life.

BE YOURSELF, AND PEACE FOR ALL! =)

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Um Pedido...


Salam, eu sempre escrevo aqui sobre o Islam, mas agora eu vou escrever sobre algo que não é ligado à religião.

Reproduzindo aqui o texto que eu escrevi no meu perfil do Facebook, 


Queridos amigos e amigas, todos que estão aqui, muçulmanos e não muçulmanos, brasileiros e estrangeiros, o mundo está correndo um grande risco e a crise na Síria tomou um rumo inesperado, ameaçando se tornar uma grande crise mundial por conta da ganância, das alianças obscuras e imundas e do jogo de dominação mundial e vampirismo de recursos naturais e riquezas. Nada nesta questão é o que parece realmente, a crise ao mesmo tempo serve para mostrar um pouco de quais cartas do baralhos estão de fato na mesma caixa, mas como sempre, sabemos sobre o sangue de quem será derramado, o sangue das crianças, dos pais de família, dos idosos, dos indefesos, dos cidadãos comuns, das mães de família, o sangue daqueles que perante os jogadores das cartas de baralho da geopolítica não passam de massa e alvo de manobra e violência, a vida destes não vale de fato mais nada aos olhos vazios destes.

Esta guerra não é religiosa, nada tem a ver com a busca pelo bem de uma população, muito menos tem a ver com os interesses de uma nação, na verdade tem a ver com ganância, com ânsia por poder, com disputas de blocos internacionais.

Peço a todos que se unam em uma grande corrente de boas energias e pensamentos positivos, e aqueles que assim como eu são religiosos e praticam a sua fé, seja ela qual for, que façam orações e pedidos pelas crianças e pelas pessoas da Síria, e do mundo todo ao redor, porque tudo isto está fugindo ao controle e se esparramando pelas fronteiras do país.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Qual é o caminho mais certo para chegar ao Islam?

"Bismillahir' Rahmanir' Rahím" (Em nome de Allah, O Misericordioso, O Misericordiador)...



Muitas pessoas tomam contato com o Islam e acabam chegado ao Islam por meio de diversos e diferentes caminhos, e sempre foi assim. Algumas pessoas chegam para ficar, outras passam durante um tempo em suas vidas, algumas nunca chegam até o Islam, mas afinal qual é o caminho mais certo para se chegar até o Islam?

Ao longo do tempo em que eu sou muçulmana, eu vi diversas pessoas chegarem ao Islam, aparecerem na Mesquita pela primeira vez, e também vi algumas pessoas partirem. Há os casos em que, durante um tempo, a pessoa se afasta, mas por alguma razão acaba voltando. Algumas dizem que não conseguiram ficar longe do Islam, outras por variados motivos, porque precisavam de um tempo de amadurecimento, cada pessoa tem as suas curvas, pedras, retas, ladeiras e particularidades em seu caminho, cada pessoa é sempre um caso único diferente das outras e também igual em valor e individualidade.

As que eu vi chegarem, assim como eu, sempre chegam da sua maneira, no seu tempo, em determinado momento de sua vida.

Algumas chegam porque conheceram alguém que já era da Religião, outras chegaram porque assistiram uma novela ou leram um livro. Há mesmo casos em que a pessoa se aproxima simplesmente porque... acha bonito, ou se interessa pela "cultura" do Oriente Médio, ou até mesmo porque gosta das roupas.

Há os casos em que irmãs se envolveram com irmãos, e depois do casamento ou até mesmo durante o tempo em que se conheceram, acabaram fazendo a Shahada, e há também algumas que declaradamente chegam ao Islam porque por alguma razão sonham em se casar com "homens árabes".

Quando eu me tornei muçulmana, eu nunca havia entrado em uma mesquita, e eu não conhecia ninguém que era muçulmano. Eu havia conhecido o Islam através de um homem que não era muçulmano, o meu pai.

Desde pequena eu tive contato com os conceitos islâmicos e com muitos elementos também da cultura árabe, lembrando aqui que o Islam não é cultura árabe, o Islam é uma religião determinada por Allah para toda a humanidade.

Mas este foi apenas um dos muitos elementos da minha infância, não foi algo único, mas me marcou para sempre.

Então um dia eu resolvi aprender a falar a língua árabe, e por conta disto eu acabei lendo o Alcorão.

Eu não me tornei muçulmana por causa de seres humanos, por causa de comunidade, por causa de outro motivo.

Eu me tornei muçulmana unica e somente por Allah! E nada mais....

Eu me reverti ao Islam porque eu li o Alcorão, e o Alcorão mudou a minha vida para sempre, para sempre...

Então este é o caminho "MAIS CERTO"?

Sinceramente?

Eu acho que NÃO.

Como assim?

Simples: este foi o caminho mais certo para mim. Porque foi assim que Allah me levou ao Islam, e se foi Allah que me levou ao Islam, é porque era o certo.

A verdade é que somente Allah conhece de fato o coração de uma pessoa, suas razões, o que a faz caminhar, o que a faz agir, e como ela se comporta, esta é a verdade, só a Allah cabe o conhecimento verdadeiro, e tudo na vida acontece segundo o que Allah determina.

E cada ser humano é um universo único, ao mesmo tempo diferente e ao mesmo tempo igual ao seu semelhante.

Então, qual o caminho mais certo para chegar ao Islam?

A resposta a esta pergunta é: O caminho mais certo é aquele que Allah determina para que isto aconteça, e no momento em que Allah determina que aconteça na vida da pessoa.

Temos recentemente exemplos de pessoas no mundo todo que combatiam de forma radical o Islam, e mesmo assim acabaram se tornando muçulmanos religiosos e tementes a Allah. Porque ao estudar o Islam para combater o Islam, encontraram o caminho para a senda reta e a verdade sobre o Islam.

Então, como podemos julgar o motivo ou caminho pelo qual um irmão ou uma irmã chegou ao Islam?

Acho que não há desmérito em nenhum destes caminhos porque no fim de todas as contas não importa o caminho que a pessoa trilhou até o Islam, mas sim a sua chegada ao Islam, se é determinado por Allah.

Acho também que a Shahada, que é a declaração de fé que torna alguém um seguidor do Islam, já traz em si uma nova vida conforme aprendemos e conforme é mesmo falado no momento da Shahada: "todos os seus pecados anteriores estão perdoados, e você agora tem uma nova vida..."

Então cada pessoa tem a sua hora, e o seu caminho, determinados por Allah, e para nós seres humanos pequenos em conhecimento e limitados em percepção perante a Sabedoria Infinita e a Visão Ilimitada de Allah, muitas vezes este caminho pode parecer tortuoso, mas não somos nós capazes de perceber a linda poesia traçada no livro da vida através das curvas do caminho de vida de alguém, só Allah percebe, e só Allah determina estas curvas, e o que cada curva destas representa no livro da vida daquela pessoa.

Não devemos julgar, porque só a Allah cabe o julgamento...

A paz de Deus esteja com todos.

Salam 



terça-feira, 26 de março de 2013

Reflexões quanto ao texto de Nasreen Amina



Eu penso que o texto postado por mim no post anterior, de autoria da irmã Nasreen Amina, traduzido por Aline Freitas e que me foi passado por uma amiga, é praticamente um manifesto contundente!

Um manifesto sobretudo contra a falta de diálogo, entendimento, e compreensão. E todas estas faltas são mães legítimas do preconceito, e do desentendimento.

Desde que me tornei muçulmana eu constato com certo espanto a distância abismal e colossal que existe entre a nossa realidade de mulheres muçulmanas, e o pretenso "conhecimento" que as feministas têm sobre nós no mundo todo.

Até quando este quadro vai perdurar?

E porque ele existe?

Será de fato a falta de informação? Eu não creio, sinceramente não creio nisto. Porque nós mulheres muçulmanas estamos em todos os cantos do mundo!! E temos nos manifestado de todas as formas possíveis!! Basta ver a quantidade de sites, blogs, perfis públicos na internet que pertencem à mulheres muçulmanas! Usamos de todos os meios de comunicação para falar sobre nós, para termos voz, para exercermos o direito que temos de nos comunicar mas mesmo assim a maioria das pessoas insiste em não nos ouvir, insiste em nos estereotipar segundo as suas próprias crenças que são de fato totalmente falhas e supersticiosas a nosso respeito. E isto é grave, muito grave, porque gera nada mais do que PRECONCEITO, VIOLÊNCIA MORAL E SOCIAL, E DESAVENÇAS DE AMBAS AS PARTES.

O fato é que temos no mundo um movimento feminista que é importante para a realidade das mulheres hoje em dia, que sim foi o motor de muitas conquistas sociais e pela derrubada de muitos paradigmas da opressão, segregação, e violência no mundo, porém, as feministas têm FALHADO ESPETACULARMENTE AO LONGO DO TEMPO AO SE RELACIONAR CONOSCO, MULHERES MUÇULMANAS,  e CONTINUAM A FALHAR DE FORMA MONUMENTAL.

E VÃO CONTINUAR A FALHAR ATÉ O DIA EM QUE SE PERMITIREM A ALGO BEM SIMPLES: NOS OUVIR, E AÍ SIM DE FATO CONHECER DE VERDADE A NOSSA REALIDADE.

PORQUE É FATO: O FEMINISMO MUNDIAL NADA SABE SOBRE NÓS.

E fica uma questão no ar, porque isto? MEDO? Medo de constatar que as suas crenças em relação a nós são falsas? Medo de descobrir que existem outras realidades femininas no mundo que não são uniformizadas e cujas necessidades são diferentes?

Ou será que há outras razões ocultas por trás disto, como a intenção de manipular a informação justamente contra nós?

Porque a mídia se apresenta como duvidosa e manipulada para a maioria das organizações feministas, mas quando se trata de nós, ela se torna uma fiel e verdadeira fonte de informação? Qual o acordo que existe por trás de uma mutação como esta?

Por esta razão, não há diálogo. Não há entendimento. Não é possível o diálogo quando apenas um dos lados se acha no direito de falar, e ser ouvido. Não há sequer liberdade QUANDO AS PESSOAS E ISTO INCLUI AS ORGANIZAÇÕES FEMINISTAS INSISTEM EM TAPAR A NOSSA BOCA E SE ACHAM NO DIREITO DE FALAR POR NÓS, SEM NUNCA TEREM CONVERSADO CONOSCO.

Algo para refletir...

Salam

O que nos ensina os peitos de Amina, a garota da Tunísia - por Nasreen Amina



Por Nasreen Amina

As últimas 48 horas foram ricas em lições de todo tipo. Todas elas provêm da polêmica que surgiu a propósito da suposta fatwa que condenava à morte a jovem tunisiana chamada Amina. O grupo "feminista" Femen espalhou a informação de que um clérigo muçulmano havia emitido uma fatwa contra Amina, condenando ela a uma pena de chicotadas e apedrejamento. A notícia se espalhou como um rastro de pólvora e viralizou como uma gripe.

Hoje, 22 de março muitas inflamadas defensoras dos direitos das mulheres vão marchar nas embaixadas da Tunísia pelo mundo, na ONU, ou onde for para exigir que não se aplique a pena de morte contra Amina por divulgar a foto no qual mostrava seus peitos nus.

Na Tunísia não existe pena de morte já que foi abolida no ano de 2011, sendo o primeiro país africano a abolir. Também esta nação é das poucas que consagrou a igualdade do homem e da mulher a nível constitucional. Não esqueçamos da massiva marcham das mulheres tunisianas exigindo esta mudança na sua Constituição no ano passado. Tampouco a Tunísia está entre os países que aplicam o apedrejamento, mas isto se pode deduzir usando um pouco de lógica: o apedrejamento é um castigo que causa a morte da pessoa. Se na Tunísia não existe pena de morte e isto quer dizer que ninguém é assassinado por decisão judicial, então como poderia existir apedrejamento legal se este causa justamente a morte do(a) acusado(a)?

Outra conclusão fácil de obter com um simples exercício de raciocínio e com a ajuda da Wikipédia, tem a ver com a condenação da mesma. A Tunísia possui tribunais civis, ou seja, não são os representantes das religiões, mas sim o poder público quem julga os cidadãos. Quando Amina foi presa? Qual o tribunal que formulou as acusações? Que juiz a condenou? Ninguém pensou nisso, nem em fazer o mínimo esforço para averiguar mais além. Os preconceitos foram mais fortes.

Em cada página onde a foto da garota com os seios de fora foi postada, os comentários contra os muçulmanos foram de uma virulência, ódio e desumanização que não se diferenciavam muito de qualquer discurso fascista de aniquilação de outros por ser diferentes. O grau de violência das expressões daqueles que alegavam defender a liberdade estavam muito próximos do discurso de ódio e de incitação a violência por razões religiosas. Apesar dos textos e da informação esclarecendo a situação [1] ter sido publicado em várias páginas e colocada na frente dos narizes dos ditos "Defensor@s dos Direitos Humanos", est@s não o leram porque não confirma suas próprias verdades assumidas sobre os muçulmanos.

Também deixou em evidência que o discurso de integração das mulheres muçulmanas da parte de outras mulheres sejam feministas ou não, ainda tem muito de discurso e pouco de vontade, ao menos no que se refere às redes sociais. Durante as últimas horas vi como as mulheres muçulmanas são castigadas com violência verbal e palavras e termos discriminatórios; em meio a verborragias pela liberdade, nos pedem que respondamos "moralmente" pelo que fazem os governantes e as autoridades religiosas nos países de maioria muçulmana.

Esta violência contra nós nas redes sociais é tão injusta quanto castigar as católicas pelo que fazem os padres pedófilos. É absurdo, mas assim é. É tão ridículo. Um idiota profere frases misóginas e outros, que se creem menos idiotas, em vez de perseguir o idiota que falou primeiro, começam a fazer caça as bruxas contra uma comunidade. A reação de islamofobia do caso de Amina na Tunísia se explica bem com a seguinte analogia: um leão ruge na África e as pessoas, em vez de tentar pegar o leão, começam a envenenar gatos.

A grande maioria das pessoas não nos escutam. Colocamos a informação a sua disposição mas insistem em negá-la como mentira e propaganda. Só serve a informação que alimenta seus estereótipos. Foi repetido muito que nós muçulmanas fazíamos propaganda e limpeza de imagem do Islã no Facebook. Isto apesar de não sermos donas da CNN, Fox News, Televisa nem controlarmos Facebook ou Twitter.

É curioso que para certo setor do ativismo os meios de comunicação não conspiram e se tornam fontes muito credíveis quando se trata de dar crédito a seus próprios preconceitos. Quando questionamos as verdades assumidas sobre nós como mulheres e sobre o Islã como nossa fé, só recebemos violência e maltrato, somos desautorizadas como possuidoras de um ponto de vista, somos tratadas como menores, ignorantes e incapazes.

Não é o governo da Tunísia, nem seus tribunais, nem a comunidade muçulmana quem quer cometer danos a Amina. É importante fazer esta distinção. Misóginos estão em todos os lados e certamente muitos cidadãos molestam uma mulher que se manifesta desta forma, mas são indivíduos. O que há que pedir através das embaixadas da Tunísia no mundo é que se aplique a lei que garante a segurança da garota contra as reações violentas que, aliás, podem ocorrer de todos os lados, porque machistas violentos sobram no planeta.

A propósito não posso deixar de mencionar meu profundo questionamento aos objetivos reais do grupo autodenominado feminista "Femen", o qual foi denunciado por muitas de seus ex-membros, assim como por distintas pessoas, como promotor da islamofobia, do neo-colonialismo, relação com grupos neonazistas e de ser financiado pela Cia. Se tanto lhes preocupa a segurança de Amina já contataram um advogado para interpor um Habeas Corpus?

Hoje vou ver como minhas "colegas" feministas marcham para reclamar pela não-aplicação de uma pena de morte que nunca existiu, apesar de que nós, as mulheres muçulmanas, termos entregado a informação correta sobre as reais dimensões do caso. Na próxima vez que escutarmos dizer a "@s libertári@s" que nós, as mulheres muçulmanas, não temos voz, saberemos que na realidade o que querem dizer é que não querem nos escutar. O preconceito justifica o duplo padrão. Um par de seios pode ser muito distrativo e um apedrejamento que nunca existirá vende mais que a verdade e a garantia de alguns minutos na Televisão Nacional. Um detalhe nada menor. No Chile é ano eleitoral.

O ocorrido com a notícia da suposta execução de Amina deixou em evidência o quão comprometidas estão as pessoas que se declaram "informadas" "libertárias" e "respeitosas" ao seguir seus próprios preconceitos, estereótipos e medos sobre o Islã.

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domingo, 4 de novembro de 2012

A Eterna Luz de Uma Alvorada

Bismillah...


Dia 9 de dezembro, daqui a mais ou menos 1 mês, portanto, o blog Filha da Alvorada vai fazer 2 anos de existência, Alhamdulillah.

Isto quer dizer que eu estou completando 2 anos de Shahada, na verdade já completei, porque eu fiz a minha Shahada no dia 17 de outubro de 2010, 2 anos de Islam, 2 anos...

Um lindo caminho, que começou em uma linda tarde de sol calmo sobre São Paulo, quando eu abri a janela do meu quarto e emocionada proferi a minha Shahada, e então chorei muito emocionada, eu me lembro como se fosse ontem, me lembro daqueles dias, de todos aqueles sabores e de todas aquelas cores, como se fosse ontem, como se fosse ontem.

Allah fez uma grandiosa transformação em minha vida, e eu que estava acostumada a me sentir em casa na sombra, na escuridão, na penumbra, que habitava a penumbra feito menina ferida sangrando e sentindo o toque da mão de fogo sobre mim, um dia parei no penhasco, e observei encantada os primeiros raios de sol de uma linda manhã que eu não conhecia, eles vieram e rasgaram o véu da escuridão em mim, e nunca mais, nunca mais, pararam de brilhar!

Em me lembro da força daquele momento na minha vida, quando eu estava cansada de ser uma filha da noite e um dia desejei conhecer a alvorada que havia depois de toda aquela escuridão, Ya Allah o que houve??? Como isto foi acontecer??? Eu não sei!! Eu não sei como isto foi acontecer!!! Eu só sei que foi isto que aconteceu comigo, é só isto que eu sei, e o porque disto, somente Allah sabe, e somente em Allah eu confio e adoro, somente Allah, só por Allah...

Quem me conhece bem sabe que meus caminhos até aquele dia não foram revestidos de seda e chão macio, eu havia chegado até aquele ponto da minha vida inteira sim, guerreira lutando por mim, mas somente pela graça de Allah estava viva, porque naquele momento eu estava extremamente ferida e já havia vertido todo o meu sangue pelo caminho, mas como guerreira forjada em flagelo eu tinha comigo a disposição de morrer lutando, e nunca desistir da batalha.

Um dia, perdida em meio à escuridão, e cansada de arranhar as paredes do túmulo que foi meu berço, eu tola e sem conhecimento ousei apontar o meu dedo para o alto e gritar de ódio afirmando que o brinquedo estava quebrado e a culpa era de Allah!! Sim sim, isto aconteceu de fato!

Mas eu era apenas uma morta-viva, e tão pequena em sabedoria como sou hoje, porém sem a Luz que hoje em dia ilumina tudo ao meu redor, um dia isto aconteceu, eu estava então no fundo da morte, no pior do meu momento, no mais profundo e escuro canto da minha cova...

Mas Allahu Ahlam!! E por mais incoerente que isto possa parecer, eu não sabia, mas era exatamente naquele canto escuro e desolado que já estava renascendo por vontade de Allah! E eu não sabia, eu não poderia saber, estava tão ferida que se soubesse talvez não resistisse viva a este conhecimento, até ali naquele momento de extremo ódio e desesperança, fui tratada com carinho cuidado delicadeza e atenção, um amor que por mais que eu corresponda nunca será tão grandioso como este amor é.

Sim sim, isto tudo que estou escrevendo aconteceu de fato, não estou romanceando nada, e por conta de todos estes elementos, eu digo que tudo foi muito forte, profundo, físico, real, naqueles dias, e tudo isto que foi tão forte e indescritível me levou à minha Shahada.

Eu tinha outro blog naquele tempo, um blog extremamente dark, escuro, expressão da escuridão que me envolvia, não digo escuridão no sentido propriamente negativo, é como um mar escuro onde eu menina ferida e arredia me escondia na vã esperança de obter algo que eu nunca tive: proteção... mas é ambiente propício para as verdadeiras sombras do mal se aproximarem e sim eu estava andando em meio ao fogo e pisando em cacos de vidro.

De repente, gotas de luz começaram a respingar naquele blog.

Um ano antes eu havia perdido o meu pai.

Um dia eu estava navegando pela internet e encontrei um site que ensinava a falar árabe, e isto me levou a encontrar o fio partido da minha infância, porque eu sempre tive o Islam e a cultura árabe perto de mim, desde pequena. Na verdade eu conheci o Islam por meio do meu pai, que não era muçulmano, mas admirava os conceitos islâmicos.

Eu decidi estudar árabe, e isto me levou um dia a ler o Alcorão, e então tudo mudou para sempre na minha vida.

Hoje eu me sinto emocionada porque já fazem 2 anos que eu proferi a minha Shahada, é pouco tempo eu sei, mas para mim até hoje tem sido um lindo caminho em uma nova estrada dourada, de Luz, a Eterna Luz de uma Alvorada, e esta Alvorada, na minha vida, foi a minha Shahada...

Alhamdulillah!!!

Alhamdulillah!!!......

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Irmandade


Bismillah...

Hoje passei por uma experiência que me emocionou muito e me fez refletir, pensar, sonhar e escrever aqui...

E não pensem vocês que foi algo impressionante a ponto de todos verem, ou algo marcante a ponto de comover a todos que estavam ao redor do fato, não pensem que foi algo barulhento, gigantesco, traumatizante, não...

Foi simples, singelo, pequeno, sabem? E muito sutil, mas por isso mesmo importante, marcante, imenso, exemplar!

Foi algo que ninguém viu, algo que aconteceu apenas comigo e com uma de minhas filhas, e que me fez pensar muito sobre o que é de verdade praticar aquilo que se acredita, e afirma.

Eu não encontrei imagem melhor para ilustrar este post do que esta foto que segue aí em cima, uma linda foto de um lindo momento que já passou em minha vida, tantas irmãs queridas, eu mesma no meio de todas estas irmãs aqui neste momento do tempo congelado e preservado em uma singela foto de um instante gravado nas páginas da história da minha querida mesquita, porque vou falar de irmandade...

Sabe você já sentiu que estava no meio de uma turma que era de fato... a sua turma? A sua família? A sua verdadeira irmandade?

Porque nós no Islam nos chamamos de "irmãos" e de "irmãs"? É apenas um título, uma forma de tratamento, um código de mútuo reconhecimento? Ou é de fato uma irmandade verdadeira? O que deveria ser? O primeiro, ou o segundo caso?

Hoje eu vivenciei um episódio singelo de pura irmandade verdadeira. E Alhamdulillah, uma de minhas filhas estava comigo, porque desta forma eu pude mostrar para ela o real e profundo sentido de irmandade dentro do Islam.

Eu estava caminhando pelas ruas do meu bairro com esta minha filha, e de repente, sem aviso e sem motivo, do nada um carro parou no meio de um trecho de  grande fluxo de uma rua, e buzinou para nós duas.

Eu me aproximei do veículo que estava com o vidro abaixado e visualizei lá dentro, ao volante, uma muçulmana de hijab que linda e sorridente me cumprimentou.

Eu respondi ao cumprimento, e ela muito simpática me perguntou: "Irmã, para onde você está indo?" e me ofereceu uma carona.

Eu agradeci e respondi "não se preocupe irmã, estou indo para a estação de metrô que fica aqui pertinho..."

Então nos despedimos do modo como o Profeta Muhammad (S.A.S.) nos ensinou, e cada uma de nós seguiu o seu caminho. E isto me fez sorrir, me fez sentir orgulho por ser irmã desta minha querida irmã, e me fez vivenciar o que é o verdadeiro sentido de irmandade dentro do Islam... ao menos, o que deve ser...

Porque não devemos apenas nos chamar de irmãs, e de irmãos, da boca para fora, porque somos verdadeiramente irmãs e irmãos, e como tal devemos agir!

Eu pude explicar para a minha filha: "Filha, esta é de fato uma verdadeira muçulmana, porque isto sim é que é ser de fato irmã no Islam. Esta, filha, é a verdadeira atitude islâmica que Allah determinou, e que o Profeta (SAS) nos ensinou.

Um simples gesto, mas que tem o poder de mudar toda uma história, toda uma vida, um dia inteiro, como mudou o meu dia, tá bom?

Peçamos a Allah que cada vez mais nossos irmãos e irmãs no Islam possam ter atitudes como esta, de fato vivenciar a irmandade verdadeira no Islam.


Salam... =)

terça-feira, 31 de julho de 2012

O Verdadeiro Jejum no Mês de Ramadan

Todo mundo sabe que eu procuro sempre escolher com muito carinho e critério as imagens que ilustram este meu cantinho.

Desta vez eu não tive paciência de escolher muito porque eu queria aproveitar para escrever sobre algo importante para este mês e não queria correr o risco de ver a idéia do post "fugir" de mim como acontece algumas vezes.

Então, sem demora vamos lá:

Queridos irmãos e irmãs no Islam, estamos entrando no segundo terço do Mês Sagrado do Ramadan, Alhamdulillah!

Que Allah, Subhana wa Taala, aceite as nossas orações e o nosso jejum.

Mas afinal de contas, e aqui eu falo para muçulmanos e não muçulmanos, qual é o verdadeiro jejum no Ramadan? Qual é o seu verdadeiro significado?

Jejuar quer dizer penitência? E afinal, jejuar quer mesmo dizer apenas privar-se do alimento e da água???

Somos seres humanos e falhamos sim porque só Allah é infalível. Isto não quer dizer que somos "defeituosos". Não, de forma alguma, somos perfeitos sim enquanto criação de Allah porque Allah é perfeito, e também é perfeito em tudo o que Ele faz.

Mas, enfim, somos falhos, e isto é humano.

Em minha modesta opinião falhar é tão humano quanto também deve ser característica da pessoa que segue o Caminho da Senda Reta, procurar sempre a sua superação e o seu desenvolvimento, e isto quer dizer também corrigir os seus próprios erros.

Aliás aqui vale um parênteses: antes de querer apontar os erros dos outros, aponte o seu dedo para si mesmo e se preocupe com os seus erros em primeiro lugar.

Mas, continuando a minha linha de raciocínio... mais um Ramadan, e novamente eu vejo sempre atritos discussões acusações distenções e outros comportamentos entre irmãos.

E onde fica o verdadeiro jejum do Ramadan em uma hora destas?

Porque sinceramente de nada adianta você acordar as 4:30hs. da manhã, comer o Sohor (desjejum reforçado), rezar o Salat Fajr (a oração da Alvorada) e ficar até em torno das 17:40hs. sem comer ou beber nada, se no meio disto você não pratica também o jejum da língua, o jejum do coração, o jejum das intenções, o jejum dos pensamentos.

Porque este sim é o jejum verdadeiro e completo. O jejum que traz de fato o sentido do mês de Ramadan, o jejum que nos traz a reflexão, que nos traz sempre que permitirmos a verdadeira TRANSFORMAÇÃO em nossa vida.

O Ramadan é o mês da revelação do Alcorão, e neste sentido é um mês de orações, de compartilhamento, de acolhimento, onde se deve procurar muitas coisas. Por exemplo, o perdão e reconciliação são recomendados antes do Ramadan. A maior convivência entre irmãos e irmãs também. A reflexão, assim como as orações em comunidade, a maior vivência familiar e comunitária, tudo isto faz parte do Ramadan.

Então não nos esqueçamos disto, deste real sentido do jejum, do real sentido e das reais intenções do Ramadan, tá bom?

Eu escrevo isto para todos, para muçulmanos, para não muçulmanos, e para eu mesma também.

Que Allah abençoe o nosso Ramadan, aceite o nosso esforço e o nosso jejum e orações, facilite os nossos passos e nos conceda a dádiva da reflexão verdadeira, da consciência, e da capacidade de aprender cada vez mais.

Salam...

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Ramadan...


Então chegou novamente o Ramandan, e o meu coração se enche de esperança e expectativas porque eu sei que será um novo período de reflexão, experimentação, vivências, e aprendizados.

Eu já descrevi o Ramadan aqui no FILHA DA ALVORADA, não vou repetir isto porque não acho necessário, mas para quem está conhecendo o Islam agora, recomendo a leitura do meu post neste link: http://filhadaalvorada.blogspot.com.br/2011/08/mas-afinal-de-contas-o-que-e-e-como-e-o.html 

Agora eu tenho um novo blog pessoal, o ROSAS EM VERSO E PROSA, mas eu acho que este post será um misto de pessoal com islâmico, eu nunca sei até onde os meus escritos vão me levar, eu apenas sinto e escrevo, e com isto navego até o porto de chegada.

O Ramadan é o mês da revelação do Alcorão, pois foi no Ramadan que o Alcorão foi revelado por Allah, Subhana wa Taala, através do Anjo Gabriel, para o Profeta Muhammad (saws).

É também um mês em que a Ummah no mundo todo se une em orações, jejum do alimento, da água, do coração, da língua, da mente, um mês onde temos a promessa do perdão das faltas cometidas anteriormente, um mês onde sempre ganhamos, onde as portas do céu estão abertas, e as portas do inferno estão trancadas, um mês onde o shaytan está acorrentado, um mês de confraternização, paz, congregação.

Há tantas coisas que eu quero falar sobre este Ramadan em especial, eu tenho tantas esperanças em meu coração, e elas são tão grandes que superam em muito o que existe de decepção.

Eu peço a Allah em minhas súplicas que todos possamos ter um bom Ramadan. E peço a Allah que possamos de fato fazer o jejum verdadeiro, eu peço a Allah que eu possa de fato jejuar, mas não falo do jejum do alimento, falo do jejum da alma, do coração, da mente.

Temos, todos nós, tanto a aprender, e tanto a superar, e podíamos aproveitar este Ramadan para refletir sobre isto, refletir sobre união, sobre perdão, sobre o real sentido de sermos A Nação do Profeta Muhammad (saws).

Eu me lembro novamente dos meus dias inocentes em que eu, ávida por conhecimento e tendo sido arrebatada pela leitura do Alcorão, pesquisava, lia e aprendia coisas lindas sobre o Islam, sobre o modo de vida islâmico, sobre o que Allah nos determinou e nos ensinou à respeito do Seu caminho, o Caminho da Senda Reta.

Eu faço referência a estes dias porque eu de certa forma vivenciei um Ramadan antes de ser muçulmana. Então para mim é sempre o fechamento de um ciclo, me lembro que eu me sentia agoniada durante o Ramadan porque em meu coração eu já era muçulmana mas não havia feito ainda a Shahada, e como eu já tinha contato com o Islam de forma anônima, eu vi todos os muçulmanos vivenciando o Ramadan e eu não conhecia ninguém! Eu nunca havia ido à uma mesquita, e vivenciei tudo isto sozinha, dentro da minha casa...

Eu me lembro que foi algo estranho como me sentir parte de algo do qual eu ainda não fazia parte, foi como estar escondida em um vagão de um trem, anônima, foi como estar ligada porém distante. Foram lindos dias aqueles, hoje eu sei, lindos dias... de ansiedade, de descobertas, de alegrias e de renascimento para mim.

Foi como descobrir onde de fato o sol nascia, e depois do Ramadan, eu fiz a minha Shahada, a dois anos atrás, a dois anos atrás...

E depois disto? Depois disto foi como voltar a ser criança! E como criança eu vivi muitos momentos lindos, guardando em meu coração sempre a espera gostosa e ansiosa pelo meu primeiro Ramadan.

Agora, às portas do Ramadan deste ano, o meu segundo Ramadan, eu estou muito feliz e agradecida a Allah por estar aqui viva e por ser muçulmana!

Dois anos... parece uma eternidade, mas na verdade é apenas o começo, ainda sou uma bebê no Islam. Neste tempo todo, tantas coisas eu vivi e tantas coisas eu senti... foi como estar no meio de um furacão de sentimentos, mas ainda estou aqui.

Em dois anos, eu vi pessoas chegarem e também partirem, eu vi o Islam crescer de uma forma impressionante, vivenciei coisas que me emocionaram, e outra que cortaram com faca o meu coração, eu derramei lágrimas de alegria, mas também de tristeza e dor, eu fui feliz e ao mesmo tempo triste, eu vi pessoas transformarem a sua vida, amigas que chegaram e ficaram, outras que se foram para sempre, eu vi a prática verdadeira do Islam, e também desunião, e hipocrisia...

O Ramadan é também um mês de reflexão, porque não aproveitamos para refletir sobre isto? Porque Subhanallah não podemos nos unir de fato? Superar as diferenças, promover as igualdades, e perceber que todos ganham quando há união verdadeira, e que ao contrário NÃO HÁ VENCEDORES quando brigamos e nos desunimos?

Em dois anos eu conheci pessoas que me impressionaram por sua fé verdadeira e principalmente porque realmente praticam aquilo no qual acreditam. Eu também conheci pessoas que me decepcionaram muito, e outras cujo equilíbrio me parece ser algo realmente frágil. Mas eu acho que tudo isto é muito humano, porém eu amo muito a Allah, eu amo o Islam, e eu amo por Allah todos os meus irmãos e irmãs no Islam, e sabem eu gostaria que fôssemos de fato a prática real do conceito de sermos IRMÃOS, porque irmandade no Islam não é chamarmos uns aos outros de irmãos. Irmandade no Islam é de fato uma irmandade, é de fato enxergar no outro a si mesmo, e com base nisto agir, e se relacionar.

Agora estamos todos atentos ao céu, esperando a Lua certa e abençoada, que nos trará o nosso Ramadan...

Enquanto eu olho para o céu à noite eu peço a Allah em minhas súplicas que haja esta reflexão, que haja de fato o perdão, que haja de fato um sentimento de congregação.

Não sei se este é o Ramadan que um dia eu pensei que teria, há sempre e sempre haverá um Ramadan que nunca veio, que nunca virá para mim... este permanecerá guardado em minhas lembranças daquilo que ficou no campo dos sonhos esquecidos e ao mesmo tempo preservados.

E sim eu lamento muito por isto... mas Allah sabe mais! E que venha então o novo Ramadan!

Que Allah nos abençoe a todos e aceite o nosso jejum, e as nossas orações.

Ramadan Kareen!