Mostrando postagens com marcador Munaqaba. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Munaqaba. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Love Allah...



The memory of the beautiful sunny afternoon when I uttered my Shahada thrills me to this day. This is the golden memory of the most important day of my life, the day I was reborn, the day that I became a Muslim woman.

I am a Muslim woman and a munaqaba, and only that defines me. The rest, all the rest does not matter ...

And I'll be a Muslim woman and a munaqaba, until the day I die, Insha Allah!




terça-feira, 28 de maio de 2013

Algo Importante a ser dito - Something important to be said

Salam,

Muitas pessoas têm me perguntado se sou eu a guitarrista de uma banda de heavy metal que está aparecendo na mídia, e eu entendo porque há queridos leitores que me acompanham a muitos anos aqui no meu cantinho, este blog através do qual eu falo sobre a minha religião já a um bom tempo, vários anos....

Bem, sim sou eu, e neste momento em que o mundo inteiro quer falar comigo, eu quero deixar uma coisa muito bem explicada que é algo que talvez muitas pessoas ouçam de mim daqui para frente...

Não, eu não sou uma GUITARRISTA que "virou" MUÇULMANA.

Muito pelo contrário, eu sou mesmo é UMA MULHER MUÇULMANA.

Posso ser uma guitarrista... HOJE... mas serei para sempre UMA MUÇULMANA.

Então o correto é dizer: "Ela é uma MUÇULMANA, que por um acaso toca guitarra..."

Salam



Salam

Many people have asked me if I'm the guitar player in a heavy metal band that is appearing in the media, and I understand this question. There dear readers who accompany me to many years here in my little corner, this blog through which I talk about my religion has for a long time, several years ....

Well... yes, it´s me, And at this a time when the whole world wants to talk to me, I want to make something very well explained, and it's something that many people might listen to me going forward ...

No, I'm not a GUITAR PLAYER that "turned" MUSLIM.

Rather, I am, first and foremost, A MUSLIM WOMAN.

I can be a guitar player ... TODAY ... but will forever be A MUSLIM.

So, it is okay to say, "She is a MUSLIM WOMAN, and she also plays guitar ..."

Salam

sábado, 18 de fevereiro de 2012

O Meu Sorriso (Sob do Véu)

Agora eu vou escrever um post muito pessoal, tá bom? =)

Sim sim, eu sei que tenho escrito pouco por aqui, mas sabe muitas coisas vêm acontecendo nesta parte inicial deste ano (me refiro ao ano islâmico, of course rs...) e isto tem desviado um pouco a minha atenção, peço desculpas aos meus queridos leitores tá bom? Prometo ser mais assídua.

Uma coisa boa que aconteceu foi a volta da minha mana querida Halima para São Paulo, e isto aliado a outras coisas boas e outras "ansiedades" têm me mantido um pouquinho fora de foco em termos de criação, mas vamos lá, seguir em frente, alhamdulillah! =)

Uma pessoa que olha para mim, pode não perceber, se não olhar com o coração, mas eu estou sempre sorrindo, estou sempre felizinha e de bem com a vida, e agradeço a Allah por isto, porque eu de fato me sinto feliz =)

Mas é fácil perceber o meu sorriso. Basta querer perceber, basta olhar para os meus olhos, meus olhos estão sempre sorrindo, será que só eu sou assim? Será que eu sou a única munaqaba que sorri? Meus caros amigos e minhas caras amigas, é evidente que não!

Quando eu tenho um tempinho eu sempre pesquiso na internet sobre mulheres que assim como eu se cobrem totalmente, usam niqab burca isdale ou isdal e chador, e é engraçado porque sempre vejo mulheres assim fortes, participativas, decididas e sempre envolvidas em manifestações e reivindicações, mulheres de personalidade, que se dobram sim mas são flexíveis e não se quebram com o vento, ao passo que a rigidez precede a fratura e consequentemente a fraqueza.

Muitas vezes vejo mulheres assim enfrentando com coragem e orgulho o preconceito, a violência, os obstáculos naturais da vida. Agora uma foto de uma irmã munaqaba segurando em seus braços um homem ferido foi premiada, e isto mostra exatamente o que somos, a força que temos.

"Ah, tudo isto por conta de um pano que cobre o rosto?" - indagarão alguns...

Não, mas você já parou para pensar sobre a coerência, a firmeza de propósito, a certeza de fé que é expressada em um comportamento assim? E já parou para pensar na força que este mesmo comportamento de se cobrir por fé, por modéstia, por temência a Allah e amor por Allah, tem sobre a vida destas mulheres? Força capaz de modificar de verdade a sua vivência de fé, e também de vida?

A história se inverte quando eu começo a encontrar na net as opiniões sobre isto.

Eu tenho lido tantas BOBAGENS, tantas MENTIRAS, tanta DESINFORMAÇÃO e OPINIÕES PRÉ-CONCEBIDAS à respeito de munaqabat, de mulheres de niqab, de burca, de todas as minhas irmãs que assim como eu se cobrem de maneira integral...

E o mais engraçado é que sempre estas opiniões partem de pessoas que nunca na vida conversaram ou sequer conhecem uma de nós. Em geral são pessoas que nada sabem nem sobre o Islam, muito menos sobre nós muçulmanos e menos ainda sobre nós munaqabat.

Sim sim eu me divirto muitas vezes lendo estas verdadeiras aberrações formatadas em textos imagens e charges por aí.

Mas isto me faz pensar, e refletir sobre a imensa capacidade do ser humano. O ser humano é capaz de realmente surpreender, tanto quando ele usa esta capacidade para o bem, para a construção do conhecimento, para ações positivas, quanto quando ele insiste na falta total de conhecimento, na burrice, na mediocridade, e em especial no preconceito.

A diferença é de fato gritante, quando você lê o que uma munaqaba escreve, quando você vê o que uma munaqaba faz, e qando você tem contato com a opinião desinformada das pessoas em especial aqui no Ocidente.

Eu de minha parte continuo sorrindo, sob o meu niqab, tá bom? =)

Se você me ver andando por aí, repare bem nos meus olhos, quem sabe assim você consiga entender que nós munaqabat estamos sorrindo, estamos vivas, e somos mulheres fortes!

Salam! =)


ps: Ah esta aí em cima na foto sou eu tá bom? =D

domingo, 22 de janeiro de 2012

Dois Pesos e Duas Medidas - Avaaz, e outras hipocrisias



"A Avaaz é um aliado e um espaço de manifestação para pessoas oprimidas e injustiçadas, ajudando a criar mudanças reais. "

Está escrito assim na página inicial do site da organização Avaaz (http://www.avaaz.org), uma organização que afirma "mobilizar pessoas de todos os países para construir uma ponte entre o mundo em que vivemos e o mundo que a maioria das pessoas querem."

No entanto, curiosamente a organização se mostra dúbia, ausente, e inativa em relação a determinados "assuntos", sobretudo quando as pessoas oprimidas e injustiçadas são muçulmanos e muçulmanas vítimas de preconceito religioso e truculência instituída.

Porque será que esta organização que se mobiliza tantas vezes, se mostra assim? Agindo com dois pesos e duas medidas? Eu não sei a resposta disto, mas só posso considerar hipocrisia a atitude de uma organização que diz agir sobretudo em situações de crise e emergência, mas nada fez para defender as mulheres muçulmanas que usam niqab, munaqabat como eu, na França e em outros países do continente europeu, quando estas, que são filhas, mães de família, trabalhadoras, cidadãs, irmãs, esposas, são presas como criminosas e maltratadas por causa de sua escolha pessoal e de sua religiosidade.

Eu sempre participei das campanhas da Avaaz, e agora por conta desta percepção decidi não mais participar até que eu tenha uma explicação clara sobre esta falta de atitude em relação a estas mulheres que são justamente oprimidas e injustiçadas por um estado truculento e preconceituoso.

Mas não vemos isto apenas em relação a esta organização, e sim em grande parte do ocidente, onde uma população emburrecida e dominada por uma imprensa que sempre traz em seu bojo segundas e terceiras intenções, e cujo principal foco de atuação é a DEFORMAÇÃO e não a informação, é a DIREÇÃO DA FORMAÇÃO DA OPINIÃO PÚBLICA, segundo objetivos claramente definidos e de fácil leitura para quem se aventurar a observar a atuação desta minuciosamente.

Senão vejamos: Já repararam como é difícil para uma pessoa que vive no Ocidente, perceber naturalmente que o mundo não é só o Ocidente? Que existe o outro lado de um mesmo planeta? Que há sim diferenças entre países, regiões, continentes, mas também há muita igualdade ou equivalência?

E, falando no caso específico de nós munaqabat, já repararam na incongruência entre o que a imprensa "informa" aqui no ocidente, ou seja, que nós munaqabat somos oprimidas, excluídas, obrigadas a nos cobrir por nossos pais, maridos e parentes homens, quando na verdade quem sai às ruas de Paris e outras cidades da Europa para protestar de forma clara e atuante contra a absurda injusta opressiva e preconceituosa, senão desumana, proibição de usarmos os nossos niqabs somos nós MULHERES? E não os nossos homens?

E, no rastro de toda esta desinformação plantada no Ocidente pela mal intencionada imprensa e pelos órgãos de informação e mídia, vemos a atitude absurda de algumas pessoas que simplesmente aplaudem medidas cretinas como esta da França, um país que já foi o arauto da cultura e do refinamento no mundo, e que envelheceu, e decaiu como vem decaindo, economicamente, socialmente, moralmente.

No caso específico da França, o uso de niqab e burcas foi proibido a partir de abril de 2011 e causou a prisão de várias mulheres, sendo que a primeira cidadã francesa a ser arbitrariamente algemada em público e presa, é uma mãe de uma menina de 4 anos, divorciada. Seu nome é Hind Ahmas.


"Vivo como qualquer mulher, a única diferença é a minha escolha de vestimenta", afirma Ahmas. E de fato somos apenas mulheres, mães de família, esposas, avós, filhas, profissionais de vários setores, algumas de nós são professoras, médicas, psicólogas, donas de casa, e o que nos diferencia é algo que todo ser humano tem ou pelo menos DEVERIA ter direito: opção religiosa, e escolha de vestimentas.


"Retirar o niqab significaria renegar a minha fé. Faz quase sete anos que uso o véu integral, muito antes das discussões sobre a lei. Não cubro o rosto por provocação ou porque o assunto está na moda" ,dia Ahmas, que mora em Aulay-sous-Bois, uma periferia pobre de Paris.


"Eles queriam me revistar e exigi que fosse uma policial feminina. Mas não precisavam me algemar, foi abuso de autoridade."


Ela considera que a condenação na Justiça é "uma excelente notícia porque dá destaque para o assunto e representa o ponto de partida para conseguir a revogação da lei." E afirma: "O governo francês criou a lei do véu integral por motivos eleitorais, para desviar a atenção em relação aos reais problemas do país..."



Hind Ahmas sendo presa na França


Diante das impressionantes e brutais cenas de prisão de mulheres na França, o mundo pouco se mexeu para protestar, e a organização Avaaz NADA FEZ CONTRA ISTO.

Mas, não é a própria organização que diz ser um espaço de manifestação para pessoas oprimidas e injustiçadas? E que afirma atuar positivamente em situações de emergência e crise?

Não é esta organização que afirma construir uma ponte entre o mundo em que vivemos e o mundo que desejamos viver?

Eu escrevi reclamando, e recebi uma resposta vaga onde fui informada simplesmente que não sou obrigada a participar das campanhas da organização.

Respondi afirmando que isto mostra claramente que a Avaaz trabalha com dois pesos e duas medidas, e desta vez não obtive resposta nenhuma.

Diante disto, decidi não mais participar e nem apoiar as campanhas da entidade, já que para mim há um só peso e uma medida: OPRESSÃO, PRECONCEITO, BRUTALIDADE, INJUSTIÇA, É A MESMA PARA TODOS E PROVOCA AS MESMAS DORES E OS MESMOS DANOS, INDEPENDENTE DE IDADE, COR DA PELE, NACIONALIDADE, CULTURA, RELIGIÃO.

O mais importante disto tudo é o fato de que isto mostra que nós munaqabat somos mulheres fortes, atuantes e corajosas. Somos religiosas e temos orgulho de nossa religião, de nossas roupas, de nossa escolha.

Nós munaqabat estamos presentes em todos os países do mundo, inclusive aqui no Brasil, e vamos continuar a existir, a resistir, e a lutar por nossos direitos e por nossa liberdade, até o fim!

E nada vai nos fazer tirar os nossos niqabs, ao contrário, toda esta hipocrisia em relação a nós só nos torna mais fortes, unidas, coerentes com nossas escolhas, e certas de nossa identidade.

Que Allah abençoe o nosso esforço, e facilite os nossos passos.

Salam!

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Munaqaba - "Como respeitar uma mulher muçulmana que usa um véu"


Mais um post sobre nós, Munaqabat, e eu vou começar dizendo que estou muito felizinha porque ganhei mais duas "companheiras" de niqab aqui em São Paulo, as minhas manas queridas Qamar e a Sarah, que Allah, Louvado seja, abençoe as duas e as recompense pela dedicação e esforço delas.

É impressionante como as pessoas de um modo em geral demonstram fascinação por nós munaqabat - muçulmanas que usamos o NIQAB = véu de rosto!! Em geral as pessoas que não são muçulmanas já demonstram extrema atenção às vestimentas das muçulmanas. Mas quando se trata de nós munaqabat esta atenção é potencializada.

Dado o fato de que a grande maioria das pessoas aqui no ocidente praticamente pouco sabem sobre o Islam de verdade, e NADA sabem sobre nós munaqabat, em geral o assunto é polêmico e muitas opiniões são as mais distorcidas possíveis, em especial porque a mídia ocidental é sensasionalista, não tem nenhum compromisso com a VERDADE, e muito menos com a IMPARCIALIDADE, o objetivo não é INFORMAR, mas sim DEFORMAR e FORMATAR opiniões de acordo com os interesses em jogo.

É igualmente impressionante para mim quando eu constato que até mesmo dentro da comunidade islâmica, muitas pessoas também nada sabem sobre nós ou então provocam polêmicas com posicionamentos preconceituosos, este é um fato mais grave ainda.

Mas desmitificando a máxima que diz que se você é uma mulher no ocidente e usa niqab, você terá problemas, eu não tenho problemas, vivo tranquilamente e sempre estou de niqab, eu posso fazer tudo de niqab e chador, sou até uma mulher bem independente na minha vida e em geral as pessoas são de fato simpáticas comigo por onde eu passo. Mas conheço muitos casos de irmãs munaqabat que são vítimas de preconceito sim, que Allah recompense a todas que passam por isto por sua fé, perseverança e coerência.

Uma irmã postou um link a alguns dias atrás no FACEBOOK, sobre um texto intitulado "Como respeitar uma mulher muçulmana que usa véu". Eu fui ler e achei extremamente interessante!! Aparentemente trata-se de um texto de autoria de uma munaqaba de outro país, que foi traduzido por um homem aqui no Brasil. A tradução aparentemente foi feita por "tradutores" como o Google Translator ou algum equivalente, e por isso contém falhas de concordância e de gramática, mas eu gostei muito do texto e recomendo a sua leitura, segue o link:


Mas, vou falar um pouquinho sobre o conteúdo do texto aqui.

Em primeiro lugar é preciso dizer que, sem querer me gabar por ser uma munaqaba, é preciso coragem e certeza de si mesma e de suas convicções para se tornar uma munaqaba. Somos polêmicas, porque há o "pré-conceito" que sem dúvida é filho direto da "desinformação".

As feministas de plantão, que NADA SABEM SOBRE NÓS, nos olham com olhares de crítica, já que não podem de forma alguma compreender aquilo que  não conhecem. Muitas pessoas olham para nós com olhar de pena, porque novamente NADA SABEM SOBRE NÓS e imaginam até como forma de fantasia própria ou fruto do pensamento deformado e formatado pela mídia ocidental, que somos oprimidas e obrigadas por homens a nos cobrir.

Alguns homens se sentem "tolhidos" de um direito que eles imaginam que têm, o direito de ter acesso visual total a todos os atributos físicos de todas as mulheres, e estes muitas vezes enfurecidos fazem comentários negativos e já presenciei até casos em que, sentindo-se desdenhados (já que para nós munaqabat, o olhar deles não é desejado) colocam em dúvida até a identidade de gênero da mulher que se cobre.

A pouco tempo atrás, uma amiga e irmã munaqaba, por sinal visivelmente grávida na ocasião, entrou em um ônibus com o seu marido, e o motorista, certamente um ignorante muito truculento e de poucas faculdades mentais, abertamente começou a alegar que ela era na verdade um travesti, fato que motivou reação do marido dela e eles acabaram chamando a polícia militar, que entretanto e como sempre, não compareceu ao local para cumprir com o seu papel. Ela estava grávida, e o sujeito teve a coragem de provocar tensão em uma mulher grávida, que Allah tenha piedade da alma escura dele...

Mas muito pior do que isto, é quando você constata que temos entre nós irmãs que também demonstram preconceito contra nós, algo absurdo e extremamente grave e triste, seja porque "quem faz expõe quem não faz" ou por que sempre existe a intenção de se implantar uma ditadura de pensamento onde "ou você pensa e age como eu penso e ajo, ou você está errado..." mas isto invariavelmente acontece.

Já que o preconceito é fruto da falta de informação, nada melhor do que a informação segura para combater este mesmo preconceito...

Então vamos lá, começando com a INFORMAÇÃO, a mais popular confusão de todas: OPRESSÃO!

Gente, entendam de uma vez por todas, nós munaqabat não somos forçadas por nossos pais ou maridos a usar o véu, ISTO É MENTIRA DA MÍDIA OCIDENTAL!!!

Ao contrário, muitas vezes temos de brigar até com pais e maridos pelo nosso direito, como mulheres livres, de usar o véu!!

Cada vez mais no mundo todo, muçulmanas estão voltando a adotar o niqab, e por inúmeras razões! Por convicção, por fé, pela busca pelo Islam original de verdade, por extrema modéstia. De qualquer maneira, as outras mulheres e todas as pessoas vão ter de conviver com este fato, é estas novas munaqabat fazem isto de vontade própria, estabelecem um diálogo pacífico com o mundo ao seu redor, e convictas passam a se cobrir por completo.

Estas são estudantes, trabalhadoras, filhas, mães, esposas, e estão por aí no mundo todo, no Brasil, na Alemanha, no Egito, em todos os países.

Outra coisa que me perguntam com frequência, é se somos mais "avançadas" na religião do que as nossas queridas irmãs que usam hijab, o véu de cabeça. A resposta clara é NÃO, isto não existe no Islam, todos os muçulmanos são muçulmanos, o que temos são sábios e Sheikhs que dedicam a sua vida ao estudo do Islam, durante árduos anos, apenas isto, e mesmo assim, perante Allah somos todos iguais.

E quanto ao calor?? "Aaah, você sente calor, não sente??" - sim, como todas as pessoas, eu sinto calor, frio, sede, fome, sou um ser humano, mas digo que não sinto nada mais do que outras pessoas porque estou acostumada a me cobrir, e porque os tecidos são leves, eu respiro normalmente e muitas vezes me sinto até mais refrescada do que antes de usar niqab e chador, porque simplesmente não estou exposta ao sol e porque minhas vestes permitem a renovação do ar ao meu redor e o mantém mais tempo em temperatura mais amena.

Mas acima de tudo, Subhanallah!!! Somos mulheres RELIGIOSAS!!! E como tal, merecemos respeito, é triste ver pessoas na rua se transformando em verdadeiros IMBECIS SIMIESCOS (me perdoem o termo) ao proferir impropérios contra mulheres religiosas simplesmente porque são religiosas do Islam, e estas nada sabem sobre o islam além da opinião enlatada e em conserva que foram obrigadas pela mídia a engolir, triste mesmo isto, porque aos nossos olhos, é como estas pessoas se parecem!

E somos livres, portanto temos sim o direito de nos cobrir, tentar nos obrigar a ser como outras pessoas, tentar nos obrigar a tirar o niqab, ISTO SIM É OPRESSÃO E TRUCULÊNCIA!!

Agora, reparem como é tresloucado este comportamento das pessoas: elas olham para nós, afirmam com base em seus preconceitos que "burqa é opressão!" (para quem nada sabe, tudo é burqa...) e estas mesmas pessoas querem NOS OBRIGAR a tirar o véu, praticando assim o que mesmo??? OPRESSÃO!!! Pode isto?

O fato é que o mundo de hoje em dia finge discutir e se preocupar muito com diversas formas de preconceito. Mas a realidade é que tudo é lembrado, preconceito racial, preconceito sexual (este então é a bola da vez né?), preconceito contra pessoas portadoras de necessidades especiais, mas quando se trata de nós munaqabat, parece que as pessoas se esquecem de seus próprios atos preconceituosos.

E, por último aqui neste post, porque certamente ainda falarei muito sobre munaqabat, afinal eu sou uma, relembrando que o PRECONCEITO é fruto da FALTA DE CONHECIMENTO, vamos procurar nos informar mais sobre um assunto antes de emitir opiniões sobre ele, afinal é certo que 99,9% das pessoas que emitem opiniões sobre munaqabat, NUNCA CONVERSARAM COM UMA PARA SABER, assim como 99,9% das pessoas que não são muçulmanas e falam do Islam NADA SABEM SOBRE O ISLAM e NUNCA SEQUER CHEGARAM A CONHECER UM(A) MUÇULMANO(A).

Então você encontra diversas matérias e textos na internet e nos meios de comunicação sobre nós munaqabat, a maioria maciça totalmente errada e enganosa, e depois você lê inúmeras opiniões totalmente enganadas a nosso respeito, e no fim, basta conversar com uma de nós, ou então procurar fontes seguras sobre o assunto, para perceber que não somos simplesmente nada do que lhe falaram a nosso respeito, no fundo somos apenas mulheres como todas as outras, só isto...

Espero ter ajudado a esclarecer, se fiz isto, vou ficar felizinha tá bom? =)

Ah, e leiam o texto cujo link está aí em cima, ele é de fato muito bom, eu gostei.

Salam! =)

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Passeio no Zoológico de São Paulo



Dia 12 de outubro é feriado aqui no Brasil.

Um feriado misto, porque é o Dia das Crianças, e também porque é um feriado católico, Dia de Nossa Senhora Aparecida (Padroeira do Brasil) e o Brasil é um país muito engraçado, se diz Laico mas NÃO É.

É laico sim, contando que você, independente de qual seja a sua religião concorde em ser forçado a aceitar "de livre e expontânea vontade" que as datas comemorativas cristãs (na verdade com ênfase no catolicismo) são mais importantes do que outras datas e devem ser motivo de feriado, festa e outras coisas mais...

Bem, mas como é feriado mesmo, eu e algumas amigas e irmãs no Islam resolvemos marcar um delicioso passeio no Jardim Zoológico de São Paulo, um autêntico "Programa de Índio", como se diz por aqui, ou seja, um programa que com certeza dará errado!

Porque? Ah... porque especialmente no Dia das Crianças, o Zoológico fica lotado de gente, e já é muita sorte conseguir chegar até a portaria, afinal apenas uma estreita e antiga avenida, comprida e sem alternativa de caminhos, leva até o complexo de parques onde o Zoológico está localizado, imagina então entrar no mesmo...

Mas fomos abençoadas e conseguimos entrar até com certa facilidade, apesar das imensas filas tanto no terminal de ônibus quanto nas bilheterias do Zoológico.

Entramos Allhamdulillah, e de fato o parque estava cheio!! O Jardim Zoológico de São Paulo é simplesmente o maior Zoológico da América Latina (em São Paulo tudo é grande, ou imenso...) e eu vou dizer uma coisa para vocês: meninos e meninas, eu nunca na minha vida tirei tantas fotos como tirei no Zoológico!! =O

Se vocês estão pensando que eu fotografei os bichos... erraram. Na verdade todo mundo resolveu me fotografar, seja pedindo para tirar fotos, seja tirando sem pedir, seja tentando disfarçar que estava fotografando, ou tirando fotos comigo e com as meninas, entre nós, o fato foi que o que eu mais vi por lá foram luzes de flash em minha direção =S. Teve uma hora que eu pensei, "daqui a pouco me colocam em um habitat e não deixam eu ir mais embora..."

Ser fotografada é uma coisa normal para uma munaqaba brasileira, afinal somos de fato raras no Brasil. Eu particularmente já estou acostumada, na verdade sempre pedem para tirar fotos comigo quando eu saio de casa, mas nunca vi tanta gente assim. A vantagem é que a pessoa acaba conversando comigo e eu aproveito para fazer Dawah, mas ontem foi como se um enxame permanente de fotógrafos nos perseguisse por onde nós íamos no Zoológico...

O passeio em si foi ótimo, as pessoas não incomodam de verdade, ao contrário sempre se mostram educadas, e a companhia das queridas irmãs Najla, Michelle e Thami foi o suficiente para garantir um ótimo dia.

Destaco um simpático rapaz que, tendo nos abordado perto do setor de répteis com a intenção de tirar uma foto nossa, e certamente tendo concluído que éramos "árabes" e portanto não devíamos falar português, limitou-se a se comunicar conosco por meio de gestos, e foi assim até o fim quando agradeceu pela foto, sem pronunciar uma palavra sequer.

Outra abordagem interessante também foi a abordagem de duas simpáticas senhoras que se mostraram de fato emocionadas por me ver! E elas nos chamaram de "mulheres do caminho" como se fôssemos a coisa mais rara do mundo, e comentaram sobre uma tal "pastora" - "... que pena que a pastora não está aqui para ver vocês..."

Entre os animais, para variar um pouco, eu fiquei fascinada ao ficar perto mais uma vez das minhas queridas Harpias! Para quem não sabe, a maior, mais forte e mais impressionante ave de rapina do mundo, é brasileira! Seu nome é Harpia, e eu acho que ela deveria ser eleita um dos símbolos do Brasil!

Harpia

Para vocês terem uma idéia da dimensão desta águia, as unhas da harpias são maiores do que as unhas do urso pardo, o maior urso que vive na América do Norte. A fêmea da harpia, maior do que o macho, chega a ter uma envergadura de 2 metros de comprimento de ponta a ponta das asas, um animal realmente impressionante, e eu me sinto muito bem perto delas.

Elas me fascinam todas as vezes que eu vou ao Zoológico, e o Zoológico de São Paulo tem sido muito bem sucedido na manutenção destas aves impressionantes, tendo dois viveiros imensos que permitem o vôo contendo cada um destes viveiro, um casal.

Outro animal que me fascinou muito foi o Rinoceronte branco, porque eles são fofinhos! Dá vontade de entrar no viveiro e apertar a bochecha deles =) e eu sou uma verdadeira menina e me dou muito bem com animais, e gosto de bichos fofos assim, tá bom? =D



Vimos também o Trigo, um tigre siberiano imenso criado com mamadeira pelos biólogos do Zoo, os cachorros vinagre, e muitos outros animais, mas infelizmente eu descobri que os meus queridos bisões norte-americanos não estão mais lá, e eu não sei o que aconteceu com eles.


Cachorro-vinagre, um canídeo típico do Brasil e América do Sul em geral
Eu gostava muito de estar com eles, e na vez anterior que eu tinha ido ao Zoológico, um deles se aproximou de mim e abaixou a cabeça, eu extendi o braço e fiz carinho na testa dele e ele ficou ali um tempão quietinho recebendo o meu carinho, enquanto um distinto senhor levava uma senhora cusparada na cara de uma lhama mal educada no viveiro ao lado...


Sussuarana, ou onça parda, também conhecida como Leão da Montanha, ou Puma, na América do Norte

Onça Pintada, o terceiro maior felino do mundo, o único que ataca as vítimas mordendo o crânio, uma excelente nadadora e um ícone de nossas matas

O dia também se tornou muito especial porque tivemos a alegria de testemunhar a Shahada da nossa querida e mais nova irmãzinha Thami Khadija, cujo vídeo segue no próximo post.

E além disso, os fatos engraçados de sempre: uma pessoa olhou para nós e falou "Olha as burquianas!!" se referindo à burka...

Em outro momento, a Najla ouviu alguém falar que éramos "arábiasauditianas"! Esta eu nunca havia ouvido =O... e a Thami se divertiu ao ver como as pessoas olhavam para nós, e para mim, uma munaqaba no meio do Zoológico de São Paulo.

Na saída, a velha desorganização e incompentência de sempre, mas foi um dia memorável, Mashallah! =D

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Munaqaba - O que é, porque é, e como eu me tornei uma...

Este é um post do tipo "dois em um"... ou talvez "três em um" então pode ser que ele fique extenso, vou tentar condensar ao máximo para tornar a leitura agradável.

Mas vamos lá! Yalla bina!!

Eu sempre gosto de lembrar aqui que, quando eu escrevo, estou escrevendo para todos, mas penso principalmente nas pessoas que não são muçulmanas, e também naquelas que estão conhecendo o Islam agora.

O meu blog tem duas funções principais:

01) Dawah;

02) Tentar traduzir em palavras a minha alma, a minha vivência, o que eu sinto e o que eu vivencio.

Neste sentido a linguagem aqui é a linguagem do sentimento e da vivência da vida, eu vivencio a condição de ser uma mulher dedicada a uma religião, a condição de ser uma muçulmana, a condição de ser uma munaqaba. Eu amo a Allah, amo o Islam, amo a vida, e a vivência + o que eu sinto são as matérias primas que eu uso para criar, e divulgar.

Eu sempre estou falando sobre o fato de eu ser uma munaqaba, e que eu tenho orgulho de ser uma munaqaba, e munaqaba isto, munaqaba aquilo, e vira e mexe alguém me pergunta "Mas Gisele, o que é uma munaqaba?"

Então vamos já logo de início responder:

MUNAQABA, é a muçulmana que usa niqab.

E NIQAB, é o véu que cobre o rosto.

Em algumas regiões e em alguns lugares, nós somos chamadas também de NIQABI, mas em resumo é isto, somos muçulmanas, e usamos niqab, o véu de rosto.

Outra pergunta que eu ouço muito é: "Mas tem diferença entre você e uma muçulmana que só usa o "lenço" na cabeça, por exemplo?"

Não, não tem. Não há "hierarquia" relacionada ao uso ou não do niqab, não sou nada a mais do que outras irmãs que não usam niqab, e muitas vezes sou é menos em termos de conhecimento, porque eu sou apenas uma aprendiz, e muitas irmãs sábias e experientes optaram por não usar niqab. Então somos todas iguais, não há nada como grau de sabedoria ou algo assim relacionado ao niqab.




E cores? Porque tem de ser sempre preto?

É... na verdade não tem de ser preto, na verdade nem sempre é preto, basta ver a foto aí em cima, o niqab é branco.

Existem niqabs de diversas cores, e estilos, existem niqabs que cobrem a face e são totalmente bordados, existem niqabs que apenas cobrem a boca, outros cobrem tudo integralmente, e isto é questão de escolha pessoal.

Niqab bordado em tecido rígido usado por mulheres de algumas tribos do interior do Iran

Eu uso preto. Muitas munaqabat (plural de munaqaba) usam preto, por escolha pessoal, por modéstia, por n razões diferentes, mas o preto não é obrigatório.

E o niqab é apenas o véu do rosto, ele não cobre o corpo todo. Geralmente usamos o niqab com abayas (vestido islâmico comprido de mangas compridas), ou com chador, também conhecido como isdal (este sim, uma vestimenta como um véu que cobre da cabeça aos pés), e este conjunto pode ou não ser complementado pelo khimar (seria como um hijab, o tal "lenço" de cabeça mais usado, porém muito mais comprido cobrindo em geral o tronco todo).

E não usamos niqab dentro de casa, só se estivermos recebendo visitas, e entre as visitas estiverem homens que não sejam parentes. Se eu estou na mesquita, no setor reservado a nós mulheres, eu tiro o niqab, se estou em minha casa só com parentes ou só com mulheres, eu não uso niqab nem chador nem nada disto. Só uso na presença de homens estranhos.

O meu noivo me vê sem niqab, ele é o único homem que não é meu parente e me vê sem niqab. Mas ele verá os meus cabelos e o meu corpo apenas depois de se tornar o meu marido. Em algumas regiões é comum o noivo ver os cabelos da noiva também, mas isto não é uma constante.


Eu já publiquei esta foto aqui no meu blog, eu gosto muito dela, é o tipo de chador que eu uso, combinado com o niqab

Agora, a grande questão mais popular de todas: "Nooossaaaa!!!! Você usa burca!!!"

Rs... eu ouço muito isto por aí, as vezes até de forma positiva, teve um dia que um motoqueiro que fazia entregas na minha rua parou a moto e me disse todo feliz "É a primeira vez na minha vida que eu vejo uma mulher de burca!". E ele estava tão felizinho que eu apenas compreendi e acenei para ele, ele foi embora todo contente.

Mas eu não uso burca, ou burqa... Burqa é outra coisa, um tipo de véu inteiriço encimado por uma espécie de touca ou taquia, com redinha cobrindo os olhos e sem espaço para as mãos, geralmente. Munaqabat usam niqab, não burqa, sim? Que fique bem claro, e na verdade eu acho que o uso da burqa é de fato muito restrito ao Afeganistão, pelo que eu observo. Em geral mulheres afegãs apenas usam burqa.


Isto sim é burqa. Como vocês podem ver, é diferente do que uma munaqaba usa

Bem, digo tudo isto, vamos agora entrar no campo da polêmica geral!

Muitas pessoas me perguntam se eu sou obrigada a usar, se muçulmanas são obrigadas a usar o niqab. Esta é uma pergunta com uma resposta muito complicada! Porque a questão é polêmica mesmo dentro da comunidade Islâmica, e mesmo entre os Sheikhs e sábios do Islam.

As respostas são variadas, vão desde quem defende que niqab não é islâmico até quem defende que o uso é sim obrigatório segundo o Alcorão e a Sunnah.

Eu pessoalmente escolhi com muita alegria em meu coração usar o niqab, então para mim não importa muito esta discussão porque de um jeito ou de outro, eu escolhi usar, eu uso, e eu vou usar para sempre.

E a minha opinião pessoal é que não cabe a nós muçulmanos a interpretação e decisão sobre esta questão, e sim aos estudiosos habilitados para isto, os Sheikhs e os sábios que estudam durante anos para poder dar decisões e emitir fatwa com base na interpretação fundamentada do Alcorão, e dos ahadith da Sunnah. Deste modo eu acho totalmente errado alguém afirmar com todas as letras que o niqab é sim obrigatório e ponto, da mesma maneira que eu acho um absurdo total alguém afirmar que o niqab não é islâmico, ora se os sábios e estudiosos não têm um consenso sobre isto, quem somos nós para decidir sobre a questão?

Agora eu vou colocar aqui um link de uma matéria, mas esta matéria defende a visão de que o niqab é obrigatório, baseada em interpretações seguras. Eu acho que pode-se opinar com base em fatwa e opiniões de quem deve fazer isto, os sábios, pela obrigatoriedade ou não, mas cito esta matéria apenas como exemplo de como a questão é mesmo polêmica, voltando a ressaltar que no meu caso não há muita importância porque eu escolhi e não vou parar de usar o niqab. Trata-se de um excelente texto do site RELIGIÃO DE DEUS - A VOZ MUÇULMANA NA INTERNET. Vale a pena ler este texto e conhecer este ótimo site:

Porque eu uso niqab? Porque eu concordo com o que foi explanado neste texto.

Porque é a minha escolha e a minha forma de expressar a minha modéstia.

Porque é a minha forma de mostrar a minha submissão e entrega total a Allah.

Porque é a minha marca como uma muçulmana, porque para mim é lembrança constante da vida que eu escolhi, uma vida totalmente islâmica, porque para mim traz a lembrança constante de Allah em tudo o que eu faço, em todos os lugares que eu estou.

Estas são as minhas razões pessoais, e eu sinto orgulho, e alegria constante, por ter conseguido atingir o meu objetivo de ser de fato uma munaqaba.
E como eu me tornei uma munaqaba?

Bem, foi assim... Eu sempre fui fascinada pelo uso das roupas islâmicas. Mas eu nunca imaginei que um dia eu seria uma muçulmana de rosto coberto.

Conforme eu já contei em alguns posts recentes sobre a minha reversão, eu me reverti ao Islam em 19 de outubro do ano passado e durante algum tempo eu permaneci sozinha adaptando a minha vida até que a Halima entrou em contato comigo e se ofereceu para me apresentar a Mesquita do Pari. E acontece que ela é uma munaqaba e isto sempre me fez ficar fascinada pelo blog que ela tinha. Eu mergulhava em leituras que me faziam viajar para outros lugares no blog dela, antes de me reverter ao Islam e ter ela como minha amiga, mas quando nós nos conhecemos ela havia acabado de voltar do Oriente Médio, onde residiu por algum tempo com o marido dela, e ela não estava usando niqab aqui no Brasil, em parte por receio de usar por aqui, em parte porque nós munaqabat somos de fato raras até hoje no Brasil.

Mas ela tinha vontade de voltar a usar, e eu sempre disse a ela que se ela precisasse de companhia para sair de niqab, poderia contar comigo.

Um dia, ela me fez uma proposta: visitarmos a exposição ISLAM - ARTE E CIVILIZAÇÃO, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, no centro de São Paulo, de niqab e chador!

Eu topei na hora, e este dia foi o primeiro dia em que eu usei niqab na minha vida!

E o fato é que eu gostei muito da experiência. Foi como se eu tivesse nascido para ser uma munaqaba, me senti especialmente confortável e à vontade com o chador e o niqab, e decidimos repetir esta experiência e fazer outros passeios de niqab.



Assim fizemos, e eu acabei por encomendar um niqab com a Iqbal, nossa irmã querida que vende hijabs e faz roupas sob encomenda lá na Mesquita do Pari.

Eu disse para eu mesma "No dia em que eu atravessar a porta da minha casa de niqab, eu nunca mais vou parar de usar." E foi o que eu fiz! Eu recebi o meu niqab na mesquita, lá mesmo o coloquei, e nunca mais parei de usar. Alhamdulillah!

Eu sei que aqui no Brasil, pelo fato de sermos raras, e pelo fato do Islam ainda estar crescendo por aqui, a minha presença é sempre marcante sim por onde eu passo, mas no meu caso pessoal, em geral as pessoas olham para mim com olhar de admiração, e simpatia, e além disso se interessam por falar comigo, em especial as crianças, eu agradeço a Allah por isso e sei que se isto acontece comigo é por obra e graça de Allah.

E além disso, volto a repetir uma lição que eu aprendi um dia: O MUNDO SEMPRE REAJE DE ACORDO COM A MANEIRA COMO VOCÊ AGE.

Salam!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Ser Uma Munaqaba

Muitas pessoas me perguntam como é ser uma munaqaba, pois vamos tentar explicar.

Ser uma munaqaba é aprender a sorrir com o olhar, e você pode sim aprender a fazer isto, eu creio que aprendi, porque eu sei que todos sabem quando eu estou sorrindo.

Eu vejo o mundo através do meu niqab. Meus olhos percorrem o horizonte e se comunicam com todos à minha volta.

Ser uma munaqaba é aprender a falar com a alma, a partilhar a sua existência com todos à sua volta mas também se recolher em seu coração.

Ser uma munaqaba é ser firme em suas convicções, e deste modo com o mundo dialogar.

Eu ando nas ruas da cidade e sim as pessoas sempre me percebem e me olham, muitas com admiração, outras já com espanto, umas poucas pessoas com olhares de desdém.

Algumas pessoas que nada sabem sobre o que é ser uma munaqaba me olham com pena "coitada tão oprimida e fechada sem nem poder direito respirar".

Eu compreendo, compreendo sim, porque ser uma munaqaba é também compreender. Compreender o olhar do outro e suas possibilidades de entendimento ou não.

Mas em geral o olhar é de admiração, e curiosidade.

Uma grande lição também aprendida é que tudo depende mesmo de como você interage.

Vou repetir à mim mesma citando a frase "O mundo sempre reaje da maneira como você age" e é uma grande verdade, e eu nunca vivenciei algo tão forte que comprovasse tanto esta frase quanto é a vivência de ser uma munaqaba.

Muitas vezes eu entro em lojas ou lugares e as pessoas olham espantadas sim para mim, não sabem como agir.

Mas basta que eu dê um sorriso e converse um pouco e por conta disto o jogo vira completamente, de uma hora para outra todos querem comigo falar, eu até desconfio que acabam achando muito legal o fato de estarem conversando com uma verdadeira munaqaba! Uma coisa inusitada! E difícil de acontecer por aqui, por estas "terras brasilis" =)

Sobre questões práticas?

Não eu não sinto dificuldade para respirar! Rs... as pessoas se esquecem de que panos podem ser leves e porosos, e não há problema nenhum nisto, respiro livremente e dentro do meu niqab com muita paz.

Para comer, sem problemas eu já me acostumei. basta levantar levemente o niqab no antebraço esquerdo por dentro e levar um garfo, um copo com canudinho ou um alimento à boca. Confesso que sofri alguns "acidentes de percurso" para aprender rs... o mais memorável deles foi com uma bomba de chocolate, um dos meus docinhos prediletos. eu a segurei, e estava indo tudo muito bem até que eu mordi e ela literalmente "explodiu" todo o creme do recheio pela outra ponta rs... sorte que meus niqabs são feitos de tecido realmente leve e prático, bastou um paninho com água e pronto, nova em folha para prosseguir naquele dia.

E sim eu sinto calor! Mas sinto como qualquer pessoa, porque o chador e o niqab e as luvas e tudo me protege do sol, e roupas como o chador costumam preservar uma camada de ar fresco por dentro, o que me leva em algumas situações a sentir até menos calor do que as pessoas à minha volta. Eu já parei do lado de muita mulher por aí semi-nua, ou com pouca roupa, ela pingava de suor e eu estava ali, toda coberta e beem tranquila sem nada sentir.

E uma pergunta que muitas pessoas me fazem, em especial quem não é muçulmano e não conhece o Islam: "Você sempre fica assim? Em casa também?"

Não, de forma alguma. em casa eu tiro o niqab e o chador (ou abaya, eu estou usando muita abaya ultimamente). Eu me cubro sempre na presença de homens. São os homens que não podem me ver, a não ser o meu noivo, que vê o meu rosto, e meus parentes como por exemplo irmãos.

Se eu estou na mesquita, na área reservada para nós mulheres, por exemplo, eu tiro o niqab, sem problemas. Então eu sempre me cubro na presença de homens que não sejam parentes, e nem o meu noivo.

E assim eu vou vivendo, vendo o mundo através do niqab...

Eu sou muito feliz por ser uma munaqaba, todos os louvores sempre são para Allah!

Salam!


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Eu serei para sempre uma Munaqaba!



Eu passo por você, a bordo do meu véu...

Meus olhos brilham refletindo todo o céu...

Você não pode me ver,
a não ser,
que saiba traduzir,
o mais puro brilho da alma, nos meus olhos, a me refletir...

Você pensa "O que está acontecendo com aquela mulher?"

"Porque ela se cobre assim, o que será que ela quer?"

Talvez você possa compreender,
se souber,
traduzir,
Todo o amor por Allah, o verdadeiro véu, a me cobrir...


Há sim, neste ato de amor, o desejo de me entregar, apenas a Um, apenas a um Olhar...
Há sim, neste ato de amor, temência e submissão, apenas a Deus, Criador de toda a criação...


Você passa por mim, a mulher atrás de um véu!

"Quem será que é ela? O que será que há por detrás daquele céu?"

Meus olhos verdes a refletir,
apenas a esperança,
de dias melhores,
do Grande Dia que está por vir...

Amor no meu coração,
no olhar uma canção,
que se canta através do niqab
refletindo em mim, uma imensidão...

Eu serei para sempre, uma munaqaba!

Eu serei para sempre, para sempre uma munaqaba!

Eu agradeço a Deus, porque sou uma munaqaba

Eu vejo o mundo por trás do véu, e a minha paz, nunca nunca

se acaba!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Certificado de Reversão


Assalam waleikum!

Bem, eu publiquei a um tempo atrás um post aqui no meu cantinho falando sobre o direito constitucional que nós muçulmanas temos, de tirar o RG com foto com hijab.

Para tanto, basta apresentar o CERTIFICADO DE REVERSÃO junto com os outros documentos no ato do requerimento da carteira de identidade.

Este é um documento que você requere na sua mesquita, basta apresentar RG e CPF para o cadastro na mesquita e a emissão do CERTIFICADO assinada pelo Sheikh da sua mesquita.

Segue acima o meu. Como sempre eu "borrei" dados pessoais e a assinatura do Sheikh da minha mesquita, a Mesquita do Pari, já que sempre procuro ser ética e não acho que é ético publicar informações pessoais e assinaturas na net.

Eu sempre ando com uma cópia do meu certificado na bolsa para me prevenir, já que eu sou uma munaqaba e, se for preciso, posso provar que uso véu no rosto por motivos religiosos.

Eu não sei se outra munaqaba faz isto, mas eu sempre estou com o meu na bolsa.

Salam!