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sábado, 3 de setembro de 2011

Uma mensagem para todos que olham para nós, muçulmanas...


Liberdade ou Opressão?

Nós muçulmanas é que decidimos sobre isto.

Não vocês!

Porque nós somos livres para decidir sobre nós mesmas, e OPRESSÃO é alguém querer se impor e fazer isto por nós!

Tá bom?

Salam!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Ser Uma Munaqaba

Muitas pessoas me perguntam como é ser uma munaqaba, pois vamos tentar explicar.

Ser uma munaqaba é aprender a sorrir com o olhar, e você pode sim aprender a fazer isto, eu creio que aprendi, porque eu sei que todos sabem quando eu estou sorrindo.

Eu vejo o mundo através do meu niqab. Meus olhos percorrem o horizonte e se comunicam com todos à minha volta.

Ser uma munaqaba é aprender a falar com a alma, a partilhar a sua existência com todos à sua volta mas também se recolher em seu coração.

Ser uma munaqaba é ser firme em suas convicções, e deste modo com o mundo dialogar.

Eu ando nas ruas da cidade e sim as pessoas sempre me percebem e me olham, muitas com admiração, outras já com espanto, umas poucas pessoas com olhares de desdém.

Algumas pessoas que nada sabem sobre o que é ser uma munaqaba me olham com pena "coitada tão oprimida e fechada sem nem poder direito respirar".

Eu compreendo, compreendo sim, porque ser uma munaqaba é também compreender. Compreender o olhar do outro e suas possibilidades de entendimento ou não.

Mas em geral o olhar é de admiração, e curiosidade.

Uma grande lição também aprendida é que tudo depende mesmo de como você interage.

Vou repetir à mim mesma citando a frase "O mundo sempre reaje da maneira como você age" e é uma grande verdade, e eu nunca vivenciei algo tão forte que comprovasse tanto esta frase quanto é a vivência de ser uma munaqaba.

Muitas vezes eu entro em lojas ou lugares e as pessoas olham espantadas sim para mim, não sabem como agir.

Mas basta que eu dê um sorriso e converse um pouco e por conta disto o jogo vira completamente, de uma hora para outra todos querem comigo falar, eu até desconfio que acabam achando muito legal o fato de estarem conversando com uma verdadeira munaqaba! Uma coisa inusitada! E difícil de acontecer por aqui, por estas "terras brasilis" =)

Sobre questões práticas?

Não eu não sinto dificuldade para respirar! Rs... as pessoas se esquecem de que panos podem ser leves e porosos, e não há problema nenhum nisto, respiro livremente e dentro do meu niqab com muita paz.

Para comer, sem problemas eu já me acostumei. basta levantar levemente o niqab no antebraço esquerdo por dentro e levar um garfo, um copo com canudinho ou um alimento à boca. Confesso que sofri alguns "acidentes de percurso" para aprender rs... o mais memorável deles foi com uma bomba de chocolate, um dos meus docinhos prediletos. eu a segurei, e estava indo tudo muito bem até que eu mordi e ela literalmente "explodiu" todo o creme do recheio pela outra ponta rs... sorte que meus niqabs são feitos de tecido realmente leve e prático, bastou um paninho com água e pronto, nova em folha para prosseguir naquele dia.

E sim eu sinto calor! Mas sinto como qualquer pessoa, porque o chador e o niqab e as luvas e tudo me protege do sol, e roupas como o chador costumam preservar uma camada de ar fresco por dentro, o que me leva em algumas situações a sentir até menos calor do que as pessoas à minha volta. Eu já parei do lado de muita mulher por aí semi-nua, ou com pouca roupa, ela pingava de suor e eu estava ali, toda coberta e beem tranquila sem nada sentir.

E uma pergunta que muitas pessoas me fazem, em especial quem não é muçulmano e não conhece o Islam: "Você sempre fica assim? Em casa também?"

Não, de forma alguma. em casa eu tiro o niqab e o chador (ou abaya, eu estou usando muita abaya ultimamente). Eu me cubro sempre na presença de homens. São os homens que não podem me ver, a não ser o meu noivo, que vê o meu rosto, e meus parentes como por exemplo irmãos.

Se eu estou na mesquita, na área reservada para nós mulheres, por exemplo, eu tiro o niqab, sem problemas. Então eu sempre me cubro na presença de homens que não sejam parentes, e nem o meu noivo.

E assim eu vou vivendo, vendo o mundo através do niqab...

Eu sou muito feliz por ser uma munaqaba, todos os louvores sempre são para Allah!

Salam!


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Eu serei para sempre uma Munaqaba!



Eu passo por você, a bordo do meu véu...

Meus olhos brilham refletindo todo o céu...

Você não pode me ver,
a não ser,
que saiba traduzir,
o mais puro brilho da alma, nos meus olhos, a me refletir...

Você pensa "O que está acontecendo com aquela mulher?"

"Porque ela se cobre assim, o que será que ela quer?"

Talvez você possa compreender,
se souber,
traduzir,
Todo o amor por Allah, o verdadeiro véu, a me cobrir...


Há sim, neste ato de amor, o desejo de me entregar, apenas a Um, apenas a um Olhar...
Há sim, neste ato de amor, temência e submissão, apenas a Deus, Criador de toda a criação...


Você passa por mim, a mulher atrás de um véu!

"Quem será que é ela? O que será que há por detrás daquele céu?"

Meus olhos verdes a refletir,
apenas a esperança,
de dias melhores,
do Grande Dia que está por vir...

Amor no meu coração,
no olhar uma canção,
que se canta através do niqab
refletindo em mim, uma imensidão...

Eu serei para sempre, uma munaqaba!

Eu serei para sempre, para sempre uma munaqaba!

Eu agradeço a Deus, porque sou uma munaqaba

Eu vejo o mundo por trás do véu, e a minha paz, nunca nunca

se acaba!

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Vruuuummmmm...


Não me perguntem sobre o veículo retratado acima, pouco sei dele, mas parece que é uma atração turística de corrida, não sei se fará parte de algum circuito ou fica fixa em algum lugar, só sei que é um carro de corridas de verdade, mas construído para levar muitos passageiros. Um verdadeiro ônibus de corrida rs... quem sabe não seria a solução ideal para São Paulo? Ah acho que não porque mesmo que o ônibus fosse de corrida, aqui ele não teria para onde correr, ou melhor, fugir... já que a cidade está entupida e as ruas são nada mais do que estacionamentos a céu aberto.

Eu gosto de carros. Quem me conhece sabe disto. E além de gostar de carros, eu tenho uma paixão automobilística que sinceramente não sei explicar totalmente, mas a minha paixão é esta aqui ó:

Este sim é um carro pelo qual sou apaixonada. Eu gosto de clássicos, de Lambos, de esportivos e de muitos carros, mas nada no meu coração se equivale a um PUMA, especialmente um “tubarão” GT ou GTE do início dos anos 70.

Para quem não sabe, o Puma é um carro que nasceu nas pistas de corrida, para depois ganhar as ruas, mas o projeto todo é de um carro voltado para a competição. Sua mecânica baseada no Volkswagem a ar era retrabalhada na fábrica e muitos exemplares saíram da mesma com muita potência extra no motor.

Subhanallah esta semana passou “voando baixo” como muitos carros de corrida. Foi uma semana intensa, cheia de fatos e histórias para se contar.

Para começar quero contar que eu e a Lateefah, minha amiga e irmã querida, fomos a uma lotérica na sexta-feira (O que????? Muçulmanas na lotérica???? É HARAM!!!! rs....) para que eu colocasse crédito no meu “Bilhete Único”, o cartão para transporte público aqui de São Paulo, e pela primeira vez fui desrespeitada e tratada com preconceito por ser muçulmana. E para completar, quando eu reclamei do funcionário em questão para o outro funcionário, que estava me atendendo, este em solidariedade ao colega de trabalho me lesou, colocando crédio normal, e não de estudante, no meu cartão.

Pois bem, eu entrei com uma reclamação formal junto à Caixa Econômica Federal contra a lotérica e denunciei o preconceito religioso, constrangimento ilegal e o prejuízo financeiro do qual fui vítima. O resultado é que o funcionário que me atendeu foi demitido, o outro foi seriamente advertido e a lotérica me ressarciu do prejuízo e ainda acrescentou mais créditos ao meu cartão. Eu fui atrás do meu direito, e obtive resultado.

Mas um fato muito interessante para se contar aqui é que, no fim de semana, eu recebi um aviso de convocação para um estágio na Prefeitura de São Paulo. Para quem não se lembra ou não sabe, eu sou estudante de psicologia.

Eu fiquei muito interessada no estágio e decidi ir na segunda feira no endereço mencionado nesta convocação para ver no que ia dar.

Fui como interessada na vaga, mas fui também como “repórter” rs... se é que eu posso me denominar assim, afinal eu queria ver a reação das pessoas do órgão responsável pela indicação de estágios ao ver que eu sou uma muçulmana munakaba, ou seja, que usa chador e niqab.

O endereço para o qual eu deveria me dirigir ficava no bairro do Itaim, em São Paulo, e não era para disputar pela vaga, eu fui convocada já para a vaga, eu sou inscrita em uma instituição que faz um tipo de “ponte” de comunicação entre estudantes universitário e empresas para o preenchimento de vagas de estágio, e por conta disto eu havia sido selecionada para esta vaga.

E o resultado foi muito satisfatório!! Eu só não fiquei com a vaga porque houve um erro no cadastro deles, na verdade lá constava que eu estaria no 4º ano da faculdade e a vaga era para estudantes de 4º e 5º ano, e isto é plenamente verdade e não desculpas porque a funcionária, muito simpática por sinal, que me atendeu foi logo preenchendo o contrato de trabalho no computador e eu tive de avisar a ela que ainda não estava no 4º ano. Mas além deste detalhe, tudo bem a vaga era minha! E era uma vaga realmente muito interessante, dentro da SPTRANS, a empresa de transporte público de São Paulo.

Como ela não fez nenhum comentário sobre a minha roupa, eu ainda perguntei para ela “Só uma coisa, como você pode ver eu uso véu de rosto e me cubro inteira, sou uma muçulmana que se cobre por inteira e não tiro esta roupa, por motivos religiosos, terei problemas com isto para trabalhar?”.

E ela me informou que não, não haveria problema algum, e eu poderia sim trabalhar com as minha roupinhas =).

E me disse mais, que dificilmente eu terei dificuldades por conta da minha roupa com as vagas de estágio, bom né? Eu fiquei muito feliz com isto.

Sabe muitas pessoas me perguntam se eu não tenho problemas em ser uma munakaba no Brasil. Eu respondo que tá, talvez não seja algo para qualquer pessoa.

Se eu estivesse em uma cidade do Oriente Médio ou de um país com maioria da população composta por muçulmanos, ninguém ficaria olhando muito para mim, mas mesma assim se cobrir funciona porque podem olhar, mas respeitam! Não ouço mais cantadas baixas, não sou alvo de tentativas de aproximação forçada, e por mais que a pessoa nada saiba, pelo menos sabe que estou vestida assim porque sou uma mulher religiosa, então sempre há o respeito.

Eu acho que o meu grande trunfo mesmo é que eu converso com as pessoas sabe? Eu me sinto muito bem e à vontade estando de niqab e chador, então eu converso normalmente com as pessoas no metrô, no onibus, na faculdade, na rua, em qualquer lugar, estou sempre felizinha e tranquila e sempre vivencio cada momento com alegria em meu coração, afinal eu sou uma muçulmana, sou uma serva de Allah, Louvado seja para sempre, e sou feliz pela vida que Ele me proporciona.

E acho que este é o diferencial que me faz sempre ser bem recebida e tratada com simpatia.

Peço a Allah que Ele sempre me conserve assim.

Salam!

sábado, 30 de abril de 2011

Munakaba em São Paulo - Episódio de hoje: Luvas Pretas =D


Hoje eu vou fazer o contrário do que normalmente faço:  vou começar narrando, para depois refletir. Mas como o Blog ordena os textos de baixo para cima, no fim tudo ficará em uma ordem inversa mas... tudo bem, assim fica mais interessante.

Continuo vivenciando intensamente a situação de ser uma munakaba em uma cidade gigantesca encravada em um país que não é ao menos por enquanto de maioria islâmica.

Esta situação é para mim algo realmente saboroso, porque sou observadora, porque é um belo exercício para uma estudante de psicologia como eu, e porque eu me arrisco a ser cronista da vida diária aqui no meu cantinho. Então tudo é muito mais rico, porque eu sempre tenho coisas e fatos interessantes para observar, e narrar.

Já faz algum tempo que estou procurando para mim um ítem de vestuário que, à primeira vista, é algo muito simples: luvas pretas.

Porque procuro luvas pretas? Simples, para usar com os meus chadors e niqabs, afinal a intenção de uma munakaba é se cobrir inteira, e luvas e meias fazem parte deste ato de se cobrir.

Mas como sempre, encontrei uma dificuldade imensa para localizar as tais luvas pretas. Os amigos e amigas que me acompanham aqui no meu cantinho bem sabem que não há no Brasil uma loja sequer voltada para roupas apropriadas para nós muçulmanas, e um item tão simples como luvas pretas acaba se tornando algo muito complicado de se localizar aqui no Brasil. Se eu estivesse procurando luvas de crochê, ou com estampa, ou com o brasão de qualquer time de futebol, até do 15 de Piraporinha (existe um time com este nome? =S Olha não sei mas deve existir viu?), eu não teria dificuldades. Mas simples luvas pretas de tecido fino e sem nenhum tipo de outra cor ou estampa, subhanallah!!! Você não encontra!!

Começa pela questão mais complexa do mundo em São Paulo. Em que tipo de loja devo procurar? Eu não sabia... Mas um dia, conversando com uma senhora que tem uma loja de lingeries e acessórios em uma travessa da Rua Voluntários da Pátria, ela me deu a dica para encontrar o "caminho secreto" das luvas: "Querida, procure em lojas de fantasias..." =O´!

Lojas de fantasias? Sim sim, lojas que vendem e alugam fantasias para eventos, festas e shows. Antes dela, a Halima, minha querida irmã, já havia me sugerido uma loja destas.

E tem um lugar na Zona Norte de São Paulo onde tem muitas lojas de fantasias e aluguéis de roupas, a Avenida Leôncio de Magalhães, no Jardim São Paulo. E eu tinha de ir lá nesta semana, a fim de regularizar o meu título eleitoral já que o cartório eleitoral de Santana se localiza justamente nesta avenida.

Então aproveitei a viagem, e resolvi dar uma olhada nas lojas da Leôncio para ver se eu conseguia finalmente encontrar as minhas tão desejadas luvinhas =).

Comecei pelo cartório. Naturalmene ao entrar, todas as atenções se voltaram para mim. Era um cartório amplo, não muito grande, e bem organizado, estava vazio, já que não estamos em época de eleição.

Fui prontamente atendida com simpatia por um dos funcionários, que me orientou a pagar uma taxa em uma casa lotérica perto da estação Jardim São Paulo do metrô.

Como a estação fica na mesma avenida, e perto das lojas de fantasias, eu fui para lá toda felizinha pensando em encontrar minhas luvinhas.

Paguei a taxa que eu devia pagar, e na volta entrei em uma das lojas, a única que exibia em sua placa a palavra "Venda de fantasias e acessórios".

Quando eu me encaminhava para o interior da loja, uma funcionária no balcão me viu de longe e ficou paralizada, olhando para mim. Mas quando eu entrei, outra funcionária que se localizava atrás do balcão lateral da loja, ao me ver se assustou =O, deu um sonoro grito, e por alguma razão perdeu o equilíbrio e se estatelou no chão da loja atrás do balcão.

De repente, de uma hora para outra, o caos estava instalado dentro da loja. Enquanto duas funcionárias prestavam socorro à colega estatelada no chão da loja, com direito a copo de água e apoio para ela se levantar, o resto do time da loja inteiro tentava desesperadamente se comunicar com a "árabe" aqui, que certamente não falava português, pedindo desculpas e tentando me acalmar, por meio de gestos e palavras pronunciadas de forma pausada e em alto volume (gente, estrangeiro não é surdo tá bom?)!!! Um verdadeiro caos, eu ria horrores mas como estava de niqab ninguém percebia que eu estava rindo, e falava "Gente, calma, está tudo bem!" Mas ninguém me ouvia, o que deixava a situação mais hilária ainda!!!

Quando finalmente todos se acalmaram, e conseguiram me ouvir falando, aí foi pior ainda kkkkkkk.... todo mundo se calou e olhou com olhos arregalados para mim! Então uma mocinha que trabalhava na loja conseguir transmitir uma mensagem para mim: "Moça!!!! Você fala português???!!!"

"Sim, eu falo português, eu sou muçulmana, não sou de outro país, é apenas a minha religião." Bem, eu acho que na hora eles não entenderam o sentido exato desta frase, e já que todos continuavam paralizados, eu resolvi quebrar o gelo "Vocês têm luvas pretas? Eu estou precisando de luvas de pano pretas e simples. Vocês vendem este tipo de artigo aqui?"

Com isto, tudo voltou ao normal em pouco tempo, eu consegui comprar as minhas luvinhas queridas, muito boas e bonitas por sinal, e saí de lá rindo muito sob o niqab =D.

De volta ao cartório eleitoral, um verdadeiro show de respeito e cortesia! Era necessário tirar uma foto de identificação no cartório, para a regularização do meu título, então o segurança do cartório gentilmente pediu para TODOS os homens aguardarem do lado de fora, clientes e funcionários, saiu também, fechou a porta do cartório, e desta maneira eu pude tirar o niqab e expor meu rosto para tirar a foto, e eu não tive nem de pedir para fazer isto, os próprios funcionários é que se dispuseram a fazer esta gentileza para mim =)!

Fiquei muito feliz, pedi desculpas pelo trabalho, e fui embora toda felizinha =D.

E gentilezas e respeito assim sempre têm acontecido comigo em São Paulo.

Repito aquela sábia lição que aprendi, que vale para tudo, inclusive para munakabat em São Paulo: "O MUNDO SEMPRE REAJE DE ACORDO COM A MANEIRA COMO VOCÊ AGE"

Seja simpática, segura de si, coerente, comunicativa, tranquila, e o mundo te dá tudo isto de volta, tá bom? =D

Salam!

terça-feira, 19 de abril de 2011

Minha nova carteira de identidade - foto com hijab

Eu resolvi trocar a minha carteira de Identidade, porque como sou muçulmana eu queria que a minha identidade contivesse uma foto minha usando hijab.

E recebi ela hoje, a foto está aí do lado, lógico que sem mostrar o rosto porque sou uma munakaba, e não teria sentido colocar uma foto de rosto aqui no meu cantinho.

Nós muçulmanas temos este direito, e muitas irmãs não sabem disto.

Eu mesma não sabia, só soube disto depois que descobri que muitas amigas minhas têm a carteira de identidade assim.

Então resolvi fazer o mesmo, é bem melhor e de acordo com os nossos conceitos ter um documento assim.

Claro que eu não poderia por exemplo colocar uma foto usando niqab, porque senão não teria razão ter a foto, já que como munakaba me cubro inteira, mas de hijab pode sim, direito garantido à nós muçulmanas.

Como fazer?

Simples: vá à sua mesquita e peça na secretaria uma declaração em papel timbrado, assinada pelo Sheikh, de que você é muçulmana e frequenta a mesquita. Avise que o motivo do requerimento da declaração é para pedir uma nova carteira de identidade com foto com hijab. Isto deve constar na declaração.

De posse desta declaração emitida pela mesquita, dirija-se a uma unidade do Poupa-Tempo ou órgão responsável pela emissão das carteiras de identidade no seu município, já com a nova foto, e peça a nova identidade.

É necessário levar:

- Certidão de nascimento - original e 1 cópia autenticada;

- A foto com hijab;

- A declaração da mesquita;

- A carteira de documento que vai ser substituída.

A declaração fica anexada ao seu registro no órgão, é recolhida portanto, e pronto, então basta retirar a nova carteira de identidade no dia marcado.

Este é um direito que já temos no Brasil a muito tempo, e que a Argentina acaba de criar aprovando para isto uma excelente lei.

Palmas para o Brasil neste sentido.

Salam!


sexta-feira, 1 de abril de 2011

Eu estou muito feliz =D porque eu sou de fato uma munakaba =D!!!


Quero começar este post com uma frase que eu li certa vez em um blog e que eu sempre tive vontade de falar: Eu sou apenas um pontinho preto no meio do Universo!!! =D

Sabem estou muito feliz!! Hoje completa-se duas semanas que me tornei de fato e definitivamente uma munakaba, e por Allah estou me sentindo muito bem!!

E muito feliz por isto!!

Eu tento ensinar a todas as irmãs que querem usar o niqab e o chador que o mundo sempre reaje de acordo com o modo como você age. Não sei se é por isto mas o fato é que comigo aconteceu uma coisa muito interessante: as pessoas se tornaram em geral mais gentis ainda comigo do que eram antes! E isto é algo muito recompensador.

Porque fazem isto? Não sei!

Eu já ouvi algumas teorias. Uma amiga me disse que é por pena "As pessoas te vêem assim toda coberta e por conta dos estereótipos imaginam que você é oprimida."

Hoje mesmo ouvi interessante explicação baseada em psicologia "Mulheres te tratam de forma mais simpática porque sendo você claramente muçulmana então está fora da competição, não vai ameaçar o marido ou namorado porque todas sabem que você só se envolve com muçulmanos também, e homens te tratam melhor porque a sua figura inspira a imagem de submissão, e sendo a sociedade machista, eles tendem a simpatizar com uma mulher que aparente ser naturalmente submissa..."

Não contesto nenhuma destas explicações, bem sei como são os caminhos da compreensão humana...

Mas eu ainda quero crer que é porque eu sou naturalmente simpática, eu gosto de conversar, e mesmo que não vejam mais o meu sorriso, sei que as pessoas conseguem perceber que eu estou de fato sorrindo, sorrindo com a minha alma, com o meu olhar.

Eu acho que é por isso.

Hoje eu fui às compras da semana em um supermercado que eu nunca havia ido, por sugestão de minha mãe. E foi ótimo, todos me atenderam com muita simpatia.

Assim foi também em uma loja de bolsas onde estive nesta semana, na faculdade e por todos os lugares por onde andei.

Para falar a verdade, acho que até a minha relação com a minha mãe, que sempre foi conturbada, está cada dia melhor, e ela é católica, não é muçulmana, mas acho que isto é dádiva de Allah, Louvado seja, porque agora louvamos juntas a Deus, cada uma de seu jeito, mas para o Único Deus que é Allah.

O fato é que eu estou muito feliz!!! Ma sha Allah =), e nunca mais vou deixar de ser uma munakaba, eu me encontrei =D...

E cá entre nós, como é confortável usar o chador!!! Só quem experimentou pode dizer, é confortável, de uma forma impressionante, difícil mesmo eu querer outra roupa agora, apertando meu corpo e me sufocando, me deixando exposta e intranquila, difícil viu?

Finalmente eu sou de fato uma munakaba, e nunca mais vou deixar de ser...

Salam!

quinta-feira, 24 de março de 2011

MUNAKABA BRASIL - Nossa comunidade no Orkut

Não deixe de conhecer a nossa nova comunidade no orkut:

MUNAKABA BRASIL

Para todos que tiverem interesse no assunto, para as muçulmanas que usam niqab, para aquelas que querem usar, para as que precisam de incentivo e informação à respeito.

Participem!

Todos estão convidados.

Diário de uma munakaba em São Paulo - Brasil

Vocês se lembram desta simpática figurinha que eu postei aqui no meu cantinho a um tempo atrás? =)

Pois é pois é pois é... na ocasião eu mostrava por meio de setinhas como eu me vestia na época e qual era a minha meta, que é esta apontada pela setinha acima.

Bem eu atingi a minha meta!! Agora eu me visto EXCLUSIVAMENTE assim! =D

E estou muito feliz por isto, eu de fato me tornei uma munakaba com muito orgulho por isto.

Por enquanto estou usando o niqab com qhimar e saia mas neste fim de semana eu recebo da Ecbel, minha irmã querida e exímia costureira, mais um qhimar e o meu chador inshallah!

Bem, apesar de já ter experimentado muitas vezes o niqab e chador em público graças à minha querida amiga e irmã de fé Halima, pois muitas vezes saímos assim para experimentarmos, as duas, o uso do niqab em público, confesso que esperava com ansiedade esta semana para vivenciar de fato a situação de estar vestida desta maneira em São Paulo, já que ainda, vou repetir, AINDA, é raro ver nas ruas do Brasil muçulmanas vestidas assim, com niqab e chador, munakabas enfim.

E eu havia prometido a mim mesma que o dia em que passasse pela porta da minha casa de rosto tampado pelo niqab, nunca mais tiraria.

E assim eu fiz. Só que minha expectativas desta semana foram um pouco frustradas por conta de uma forte gripe que me derrubou e me deixou presa em casa de cama com febre =(.

Então eu acabei perdendo as aulas da faculdade e saindo pouco de casa.

Mas eu saí sim, no domingo com as minhas filhas e hoje com uma delas para ir às compras da semana no supermercado.

Confesso que no começo foi meio estranho estar de niqab e toda munakaba sem ter a presença da minha querida irmã Halima do meu lado rs..... porque até então todas as vezes que eu saí de niqab e chador, havia ao menos ela e o Hisham, o filhinho dela, além do marido dela em uma das ocasiões, ao meu lado, além da Priscilla e alguma outra irmã de vez em quando. Então foi estranho, senti a falta dela e das companhias rs... mas foi só no começo, depois me soltei, pena que ainda estou gripada.

E eu digo, não há problema algum em se usar niqab em São Paulo. Sim as pessoas olham e olham mais ainda do que quando estamos de hijab apenas, mas não notei mais diferença do que isto não.

Só que há um detalhe a ser bem especificado: como tudo na vida, este diálogo com o mundo ao seu redor depende DE VOCÊ.

Como assim? Simples, o mundo sempre reaje de acordo com o modo como você age.

Se você se fecha, se encolhe, e se mostra acanhada, o mundo percebe que tem algo errado com você. Se você se mostra agressiva o mundo vai também ser agressivo e defensivo com você. Mas se você tem a certeza de seus atos, a serenidade, a coerência firme com suas convicções, a paz em seu olhar, então é o que você vai colher de volta, paz, serenidade, tranquilidade.

Eu procuro agir de acordo com isto, e sempre sempre procuro ser simpática e antenciosa com todos, então não tive até agora problema nenhum.

Note-se também que sendo uma munakaba você que é muçulmana automaticamente está fazendo Dawah e suas ações assim são vistas, pois se com o hijab nós muçulmanas já representamos de certa forma o Islam, com niqab e chador então isto se torna radicalmente uma realidade.

Eu sinto que o fato de ser uma munakaba aumenta a minha serenidade e melhora minhas ações de acordo com o Islam. Sinto também que nos faz pensar mais antes de agir, sinto que está aprofundando a minha fé e a minha prática, e isto para mim é sabedoria e desenvolvimento pessoal.

Bem, agora espero superar logo esta gripe inshallah e ter mais aventuras para contar aqui, mas por enquanto nenhum fato estranho me aconteceu, e se acontecer não tenho medo, eu sou muçulmana! Eu só temo a Allah, Louvado seja.

E nada tem o poder de abalar esta minha fé.

Allah hu Akbar!

Salam!

domingo, 20 de março de 2011

Agora eu sou uma munakabe =D

Escrevo hoje muito feliz porque além de ter um dia delicioso na mesquita, hoje eu recebi meus niqabs e um dos qhimar que encomendei, e eles ficaram simplesmente perfeitos!

E na semana que vem finalmente meu chador e mais um qhimar estarão prontos, com isto me torno oficialmente uma munakabe, porque eu prometi a mim mesma que a partir do dia em que atravessasse a porta da minha casa de niqab, nunca mais tiraria.

E a partir de agora todas as minhas fotos de rosto serão apagadas da net.

Tenho certeza de que terei muitas aventuras a relatar daqui por diante, então sou mais uma muçulmana brasileira a adotar de vez o niqab. E estou muito feliz por isto =D...

Hoje foi um dia muito bom. Passei a tarde toda na mesquita com minhas irmãs queridas, atendemos à algumas pessoas que estavam indo pela primeira vez à mesquita, fizemos nossas orações, passeamos um pouquinho no bairro do Pari, foi realmente ótimo.

Agora não vejo a hora de estar com o meu chador também =)

Salam!

quinta-feira, 10 de março de 2011

Munakabe - Ontem eu me senti sem roupa =S...


A foto acima retrata o tipo de chador, ou isdel, que eu escolhi para mim. Combinado com este tipo de niqab:



Dá o efeito "ninja" retratado acima.

Continuo na minha caminhada para me tornar uma "munakabe". Mas estou percorrendo este caminho com muito cuidado, muita reflexão, muita paciência e sem pressa, no ritmo certo.

Esta semana que está terminando tivemos o feriadão do Carnaval aqui no Brasil e o país para durante todo este tempo.

Bem eu não curto Carnaval.

Não é só por causa do Islam, agora então mais ainda, mas é que realmente não tem a ver comigo, com o meu jeito de ser, eu sou mais quietinha no meu canto e prefiro passeios mais "intimistas" e tranquilos.

Mas agora então, sendo uma muçulmana, é que eu não vou pular carnaval por aí porque ele é a negação de muitas coisas que defendo e que pratico em minha vida... quando novinha eu já curti sim carnaval, mas faz muito tempo que não, prefiro me manter afastada da bagunça.

Mas este Carnaval foi ótimo porque eu aproveitei o feriado para continuar a fazer minhas experiências com chador e niqab junto com a minha querida irmã Halima. Algumas vezes contamos com a presença da irmã Priscilla e de outra irmã também.

Foi ótimo, a Halima me emprestou um de seus chadors e niqabs, já que os meus ainda não estão prontos, e passeamos bastante, fomos à parques, bibliotecas (mas estava fechada =(...) supermercado, Av. Paulista, Livraria Fenac, andamos muito de metrô, e tudo isto é importante para ver como nos sentimos e como dialogamos com o mundo assim.

Aí ontem fiquei em casa, e saí com uma de minhas filhinhas fofas. Em casa ainda não tenho chador e niqab, porque como disse aí em cima, os meus ainda não estão prontos.

E sabem? Eu me senti deslocada, e estranhamente exposta, e "nua" =O!!!

Foi uma sensação tão estranha porque eu estava de fato toda coberta sim, com minhas roupinhas apropriadas, hijab, saia comprida até os pés, batinha de manga comprida, estava toda de acordo com o modo como uma muçulmana deve ser vestir, mas a sensação foi a de estar exposta por estar sem o niqab e o chador!

É muito bom estar de chador e niqab, sei que há muita controvérsia à respeito do uso de véu no rosto, muitas pessoas defendem até a visão de que não só é recomendável como seria obrigatório para toda muçulmana, eu acho que é Sunnah, é recomendável, e é minha escolha me cobrir inteira.

Mas defendo a idéia de que além de todo o conceito por detrás de se usar niqab e chador, como sempre repetindo: recato, modéstia, submissão somente a Allah, respeito, distinção enquanto muçulmana, o chador e o niqab servem também como Dawah, porque as pessoas tendem a falar conosco.

E usar chador e niqab não nos impede de nada, eu dirigo tranquilamente com niqab e chador, tomamos café, comemos, passeamos, andamos de metrô, nos divertimos muito, rimos sim, e estamos sempre bem.

Inshallah eu possa ter logo o meu chador em casa, e os meus niqabs.

E quando isto acontecer, apagarei todas as minhas fotos de rosto, e só sairei de casa com o rosto coberto por véu. Isto se chama coerência!

Salam!

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Agora eu vou me tornar finalmente uma munakabe =D

Outro assunto finalmente já resolvido e encaminhado hoje na mesquita, finalmente vou ter o meu chador!

Isto quer dizer que agora sim eu vou de fato me tornar uma munakabe, uma muçulmana que usa sempre o niqab e o chador, estou muito feliz por isto e agradeço a Allah, ma sha Allah!

Hoje encomendei o meu chador, em breve só saio de casa com ele =)

Halima, eu e a Priscilla na Mostra Islã: Arte e Civilização, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil em São Paulo

Esta é a minha meta, sempre estar de chador e niqab fora de casa como nesta foto aí em cima já publicada aqui. Sou a do meio, tendo ao lado minha querida irmã de fé e amiga Halima e a Priscilla, a menorzinha =)...

Salam!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Munakabe

Mais um lindo desenho feito pela minha pequena muslimah e artista, a Gabi, minha filhinha fofa =)...

Aqui ela se inspirou nas fotos que tiramos no dia da visita à Mostra ISLÃ: ARTE E CIVILIZAÇÃO, que está em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil em São Paulo, quando eu, a Halima e a Priscilla usamos chador e niqab, três munakabat em pleno centro de São Paulo.

Eu pretendo ser uma munakabe, é minha meta, ainda procuro intensamente um modo de ter um chador, só me falta isto, a partir do momento que eu tiver o meu chador (porque já tenho o niqab), vou me tornar de fato uma munakabe.

Porque? Pelos motivos corretos. Por recato, por submissão intensa a Allah, por respeito, para ser distinguida enquanto uma mulher religiosa, uma muçulmana, por escolha livre minha, por que é minha meta me cobrir assim!

Um dia eu disse que não iria criticar quem usa o niqab e chador por outros motivos, há tantas fotos na net de mulheres que nem muçulmanas são e usam o chador e niqab de forma abominável e ilícita...

Agora eu critico sim! Porque é falta de respeito, abominação, e deturpação do conceito de se cobrir! Não existe nenhum outro motivo que não seja os elencados acima para se cobrir com chador e niqab, e usá-lo para outros fins, inclusive fins pervertidos, é algo que certamente demonstra a futilidade e perversidade de uma alma em confusão!

Não existe a obrigação de se usar o chador e o niqab.

Muçulmanas não são obrigadas a se tornarem munakabat.

É algo que deve ser feito de livre escolha e vontade. E nada desmerece quem usa só hijab. Mas que nos respeitem também, em nossas escolhas e metas!

Salam!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Niqab


Eu copiei esta foto da minha querida irmã Halima, e resolvi postar aqui porque a foto realmente ficou muito boa, aqui dá para ver então novamente, nesta sequência, a Halima, eu no meio, e a Priscilla, as três de niqab e integralmente cobertas, durante nossa visita à Mostra "ISLÃ: ARTE E CIVILIZAÇÃO", em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil - São Paulo, até o dia 27 de março de 2011.

Este dia serviu para me dar a certeza de minha clara intenção de adotar de vez o niqab e o chador, porque me senti realmente muito bem vestida assim.

Eu acho que tudo é uma questão de metas, e de opção! Vou repetir a palavra para deixar bem claro. OPÇÃO!

É de minha livre e expontânea vontade atingir este nível de modéstia e submissão a Allah, SOMENTE A ELE. E minha escolha pessoal, que deve ser respeitada.

Eu acho que o Islam veio para ficar no Brasil, e aos poucos vamos conquistando espaços, nos impondo de maneira pacífica, e ao mesmo tempo o Brasil segue se acostumando conosco. Já somos respeitados e admirados por todo o Brasil, e à medida que o Islam cresce no Brasil e no mundo, mais ainda seremos.

O niqab e o chador dão realmente um conceito de dignidade acima de qualquer padrão à mulher, nos faz distintas de fato enquanto muçulmanas, serve também como Dawah aqui no Brasil já que, comprovadamente, como aconteceu conosco, as pessoas olham com admiração e respeito, e procuram conversar conosco.

Eu que já era defensora do hijab, agora passo a ser defensora sim do niqab, e do chador, tem um termo que designa as muçulmanas que usam niqab, não me lembro agora mas assim que eu me lembrar escrevo aqui.

Agora, só me falta mesmo, conseguir um chador para mim!!!

Salam!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

19/02/32 A.H. (23/01/11) ISLÃ: ARTE E CIVILIZAÇÃO – Conclusão

Saguão de entrada do CCBB SP, visto do alto, retratando o lindo e singelo chafariz e o piso da Mostra. O Prédio que já é lindo, se enfeitou todo para a exposição.

A MOSTRA – Muito bem montada e interessante, a Mostra Islã: Arte e Civilização tomou conta de 5 pavimentos do lindíssimo prédio do Centro Cultural Banco do Brasil – São Paulo.
Em exposição, exemplos da arte e cultura islâmica, tapeçaria, objetos variados, roupas, invenções da época de ouro do Islam, alguns exemplos de alvenaria, jóias, painéis explicativos e um conjunto em geral de peças e ambientes que vale a pena serem vistos.
Muito interessante um ambiente em que se podia selecionar algumas mesquitas e ter uma visão panorâmica da mesma, como a Mesquita Al Haram, a Mesquita dos Ômiadas, a Mesquita Al Aqsa, e outras.
Também achei muito interessante uma tela digital em que se podia criar com o dedo tocando na tela, o seu próprio grafismo islâmico, composto de elementos geométricos e cores variadas. Algumas roupas femininas também encheram meus olhos com sua beleza e singularidade. Muito semelhantes às abayas de hoje em dia, algumas continham um interessante prolongamento das mangas em forma de faixas que pendiam dos pulsos, realmente muito bonitas.
Outro ponto a se destacar é o belo e explicativo material gráfico composto de um Caderno de Mediação com fotos lindas e belo texto, e um lindo folheto de 8 folhas ricamente ilustrado e com texto em português e inglês sobre a mostra e sobre o Islam.
Certamente recomendo, vale a pena visitar a Mostra.

Halima, eu, e a Priscila, três muçulmanas brasileiras.

A EXPERIÊNCIA – A minha avaliação é de que foi altamente positiva, em vários aspectos. Em primeiro lugar porque eu agora sei que quero de fato adotar o chador e o niqab de forma permanente, e na medida do possível tudo farei para alcançar este objetivo.
Eu me senti muito bem vestida assim, me senti muito bem mesmo! Não senti metade do calor que pensei que sentiria, estava realmente confortável, feliz por estar assim, é um verdadeiro diálogo pacífico com o mundo à minha volta, e um direito que eu exerci de me cobrir de acordo com os conceitos de minha religião e do que elegi como minha meta, estava recatada, distinguida enquanto muçulmana, fui respeitada, e esta experiência me mostrou que é possível sim se vestir assim no Brasil.
Mas mostrou muito mais, mostrou que além de tudo, é mais uma forma de fazer Dawah! E isto foi algo muito bom de se comprovar, porque as pessoas vinham conversar conosco, querer saber mais sobre o Islam! Fomos até parados na rua por pessoas que estavam na Mostra e fizeram questão de vir conversar conosco, fomos fotografadas, e tenho certeza de que acabamos por deixar a experiência da mostra mais completa para muitas pessoas, afinal elas foram para lá ver uma mostra sobre o Islam, e lá chegando, além da mostra viram muçulmanos, e conversaram com muçulmanos, então eu acho que sim é válido e digo que daqui a pouco tempo não seremos assim tão raras pelas ruas do Brasil, muçulmanas inteiramente cobertas, insha Allah, e certamente eu serei uma delas... =)


Salam!

19/02/32 A.H. (23/01/11) ISLÃ: ARTE E CIVILIZAÇÃO – A MOSTRA, E A EXPERIÊNCIA...



Fui à mostra ISLÃ: ARTE E CIVILIZAÇÃO em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo no domingo, dia 19 de Safar de 1432 AH (23/01/11) e gostei. Gostei muito!
Mas foi um dia tão intenso, tão repleto de fatos interessantes, que eu nem sei se cabe tudo em um tópico só. Eu vou tentar condensar tudo em apenas um tópico, mas se não der, divido em dois, porque tem duas coisas a serem narradas: a Mostra em si, e a Experiência que realizamos, duas coisas distintas, mas que se fundiram.
Eu havia convidado uma de minhas filhas para me acompanhar, mesmo antes da Mostra entrar em cartaz no CCBB, e ela esperava este passeio com grande ansiedade.

Mas eu também desejava ir na companhia da Halima, minha amiga e irmã querida, e no fim se juntou ao nosso grupo outra irmã, a Priscila, que eu conheci neste mesmo dia, amiga da Halima. Além de nós, estavam presentes também o marido e o filho da Halima, um ótimo grupo, o que por si só já prenunciava um passeio muito agradável, tanto quanto todos os presentes, e todos com a exceção da minha filha que “ainda” não é muçulmana (Allah sabe mais e me sentirei honrada se ela manifestar a vontade de se reverter), embora demonstre gostar muito do Islam e da língua árabe, são muçulmanos.
Passeio combinado, recebi um telefonema da minha amiga querida, dando conta de que a irmã que nos acompanharia já usava algumas vezes niqab e qimar, e ela me convidou então para fazermos uma experiência na ida à Mostra, irmos as três de niqab e véu inteiro, ela e eu de chador (na verdade o nome é outro mas é como um chador ou enfim, o véu inteiro que cobre da cabeça aos pés) e a Pricila de qimar, as três de rosto coberto pelo niqab. Eu fiquei muito feliz com o convite, porque tenho sincero e real desejo de adotar de vez o chador e niqab e me cobrir inteira. E assim fizemos. E este detalhe fez do dia mais especial ainda, porque não se vê nas ruas de São Paulo, e nem no Brasil, com certa facilidade, muçulmanas cobertas desta forma, em especial com o rosto coberto. Fomos lá ver o que aconteceria e qual seria a nossa reação e a reação do mundo à nossa volta, hoje pensando bem foi sim um ato de coragem, mas principalmente de imposição pacífica, afinal somos muçulmanas, temos o direito de nos cobrir, não?
Fui para a casa da minha querida amiga, com a minha filha, e de lá saimos para nos encontrar com a Priscila. Lá nos vestimos e saímos, um pouco receosas, é certo, porque nunca sabemos o que pode acontecer, infelizmente muitas pessoas ainda não entendem de fato o Islam no Brasil, e embora a verdade seja de que o brasileiro em geral respeita a nossa religião e tem curiosidade por conhecer mais sobre o Islam, sabemos também que existem pessoas mal intencionadas, ou preconceituosas, que demonstram péssimo comportamento e péssima tolerância social com o que é diferente do que ela ACHA que é a ÚNICA VERDADE ABSOLUTA...
Saímos da casa dela e fomos à pé, até a estação do metrô onde combinamos de nos encontrar com a Priscila, a estação não é longe, mas também não fica muito perto, o que nos rendeu um belo e agradável passeio.
Quando saímos na rua, eu senti que fomos logo olhadas pelas pessoas à nossa volta, mas eu estava serena e confiante, certa de minha intenção e coerência, nada naquele momento me faria recuar, nem mesmo uma eventual reação exarcebada por parte de algum transeunte, mas o fato é que este tipo de reação não aconteceu, ma sha Allah! Os olhares em geral eram mesmo de curiosidade, e respeito. Teve até um motorista que gritou com toda a força de seu carro em movimento “Assalam Aleikomm!” e pessoas que nos cumprimentaram no caminho!
Já perto da estação, passamos por um grupo de muçulmanas, provavelmente libanesas, moradoras da minha rua, não sei se fui reconhecida porque eu estava totalmente coberta, mas a minha filha não estava coberta e estava de mãos dadas comigo, elas olharam espantadas, acho que nunca esperavam encontrar muçulmanas vestidas daquela forma em plena São Paulo. Ao passarmos por elas, o marido da Halima as cumprimentou e elas timidamente responderam.
Eu estava muito serena, e feliz, muito feliz! Por estar experimentando o tipo de vestimenta que até então tinha apenas a intenção de usar, mas nunca havia sequer experimentado. Eu estava usando o meu niqab, mas o chador era emprestado da Halima, já que ainda não tenho o meu (eu quero o meu chador =(... buááááá!!) e também estava me sentindo muito confortável, muito mais do que pensava que me sentiria.
Nos encontramos com a Priscila no metrô, também integralmente coberta, e fomos então à Mostra...
O centro de São Paulo estava tranquilo, e o dia estava realmente lindo, com céu azul, calor mas sem exagero até ali, um belo dia de domingo, realmente um belo e agradável passeio. No metrô e nas ruas, todas as atenções eram para nós. As pessoas olhavam ao nos ver, com um espanto inicial e posteriormente com curiosidade. Perto do prédio do CCBB, duas moças passaram por nós comentando que talvez fôssemos “da” exposição, rs... como se fôssemos atores ou performers.
O prédio do CCBB SP, que já é lindo por si só, estava mais bonito ainda para a Mostra! No saguão de entrada, foi instalado um piso circular com motivos islâmicos que continha no centro um lindo e singelo chafariz, também em motivos islâmicos. Ao chegar, notamos que ele estava cheio de... moedas! Sim moedas, não sei porque mas o povo resolveu jogar moedas dentro da água!

Entramos, e todos nos olharam, fiquei imaginando quanto daquelas pessoas pensaram que se tratava de uma família completa rs... devido ao estereótipo que existe no Brasil sobre nós, muitas pessoas ali devem ter imaginado que nós três éramos esposas do marido da Halima, e as crianças eram os filhos. Na verdade por conta disto eu já imaginava que quem mais teria de demonstrar coragem mesmo era ele, já que as pessoas poderiam ver nele “o opressor” que obriga “suas esposas” a se cobrirem daquele jeito! “Que horror” rs...
Para quem não sabe, lembrando aqui que:
  1. Dentro do Islam como deve ser mesmo, original, sem invenções nem “poluições” de coisas ilícitas, nós somos respeitadas e temos voz e direitos, e não somos obrigadas a nos cobrir e usar véu e chador e niqab, nada disto, ao contrário, escolhemos isto! Requeremos este direito, tanto que nós três escolhemos fazer esta experiência, e tenho certeza de que passado o receio inicial, as três estavam muito felizes por estarem assim!
  2. Sim existe a possibilidade de um muçulmano ter até 4 esposas, não é que isto seja recomendado, mas permitido, e as razões para um casamento com mais de uma mulher são várias, certamente nenhuma delas tem a ver com lascividade ou desejo erótico. Só que este costume hoje em dia é muito raramente adotado, uma das razões é evidente! Vai ver o gasto que é sustentar uma família, imagina só duas, três, quatro!! Sendo que cada esposa tem de ter uma casa separada e só para si, e no mundo todo, o custo de vida é alto! Antes do Islam, os homens casavam-se com várias esposas, muito mais do que 4, e em geral abandonavam a maioria delas, o que causava sérios problemas sociais, materias, e emocionais. O Islam trouxe respeito a esta questão, e controle.
No fim das contas foi um dia muito agradável, a Mostra é ótima, a reação das pessoas foi realmente surpreendente, e ainda fomos à Mussala da Praça da República para fazer a oração do crepúsculo, um dia intenso, que terminou com uma chuva intensa sobre São Paulo.