quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Sobre a minha reversão ao Islam - depoimento no site do Centro Islâmico Brasileiro


Eu ainda vou escrever um texto inteiro contando sobre a minha reversão ao Islam, como e porque ela ocorreu.

Mas é melhor esperar um pouquinho porque como vocês já devem ter notado, eu escrevo "compulsivamente" =D...

Mas eu fui convidada para escrever sobre a minha reversão para o site do Centro Islâmico Brasileiro (http://www.centroislamico.com.br/index.php) e me senti muito honrada pelo convite, então se você quer saber como me tornei muçulmana, basta acessar o lindo site do Centro Islâmico Brasileiro, fruto do trabalho brilhante do irmão Nidal Nijm, e ler o meu depoimento, que se encontra na sessão HISTÓRIAS DE NOVOS MUÇULMANO do site.

A idéia do Centro Islâmico Brasileiro em relação a esta sessão é muito simples e direta: fazer Dawah, a divulgação do Islam, e deste modo animar outras pessoas a se reverterem ao Islam também.

Aproveitando, devo dizer que o site tem um conteúdo realmente de primeira qualidade, com ótimos textos e leituras, além de ser muito bem organizado e com uma bela interface gráfica exclusivamente desenvolvida pelo irmão Nidal e pelo seu pai, que Allah abençoe a ambos!

Salam!

Niqab


Eu copiei esta foto da minha querida irmã Halima, e resolvi postar aqui porque a foto realmente ficou muito boa, aqui dá para ver então novamente, nesta sequência, a Halima, eu no meio, e a Priscilla, as três de niqab e integralmente cobertas, durante nossa visita à Mostra "ISLÃ: ARTE E CIVILIZAÇÃO", em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil - São Paulo, até o dia 27 de março de 2011.

Este dia serviu para me dar a certeza de minha clara intenção de adotar de vez o niqab e o chador, porque me senti realmente muito bem vestida assim.

Eu acho que tudo é uma questão de metas, e de opção! Vou repetir a palavra para deixar bem claro. OPÇÃO!

É de minha livre e expontânea vontade atingir este nível de modéstia e submissão a Allah, SOMENTE A ELE. E minha escolha pessoal, que deve ser respeitada.

Eu acho que o Islam veio para ficar no Brasil, e aos poucos vamos conquistando espaços, nos impondo de maneira pacífica, e ao mesmo tempo o Brasil segue se acostumando conosco. Já somos respeitados e admirados por todo o Brasil, e à medida que o Islam cresce no Brasil e no mundo, mais ainda seremos.

O niqab e o chador dão realmente um conceito de dignidade acima de qualquer padrão à mulher, nos faz distintas de fato enquanto muçulmanas, serve também como Dawah aqui no Brasil já que, comprovadamente, como aconteceu conosco, as pessoas olham com admiração e respeito, e procuram conversar conosco.

Eu que já era defensora do hijab, agora passo a ser defensora sim do niqab, e do chador, tem um termo que designa as muçulmanas que usam niqab, não me lembro agora mas assim que eu me lembrar escrevo aqui.

Agora, só me falta mesmo, conseguir um chador para mim!!!

Salam!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Radical?!? Radical sou eu! E não o que aparece na imprensa...


Desde o dia em que pela primeira vez na vida coloquei meus olhos sobre a Surata Al Fatiha, quando estava estudando árabe e resolvi ler o Alcorão, eu estudo. E estudo muito, sobre o Islam.

Depois que me tornei muçulmana, o estudo se intensificou ainda mais, porque é dever de todo muçulmano estudar, é dever de muçulmanos e muçulmanas buscar o conhecimento do berço ao túmulo, e à medida que o tempo passa, não só a minha paixão pela minha religião aumenta, como também o meu conhecimento se torna mais amplo e começa a me permitir ter opinião sobre alguns assuntos, consciência sobre outros e sobre a realidade que vivemos hoje.

Estou assim neste ponto do meu caminho começando a entender algumas coisas que acontecem hoje em dia, quando tive um interessante diálogo com duas amigas que não são muçulmanas, no qual as duas estavam querendo entender um pouco sobre o Islam através de mim (agora eu sou "a minha amiga muçulmana" rs...).

Em determinado momento da nossa conversa, como é de se esperar, as duas me questionaram sobre as mentiras e estereótipos que aparecem na imprensa ocidental sobre o Islam. E eu me dispuz a esclarecer sobre isto como sempre faço, explicando ponto a ponto todas as diferenças entre a verdade, o Islam de verdade, e as mentiras veiculadas na mídia mundial, e principalmente as razões destas mentiras e a quem estas mentiras interessam e servem.

Foi então que uma delas virou para a outra, como se quizesse atestar minhas explicações, e disse: "Você tem que entender que radicalismo e extremismo existem em todas as religiões, mas eles são minoria..."

E esta frase me soou estranha, e me fez sentir que, espera aí!!! Tem algo de muito errado nisto tudo!!! Como assim radical??? Quem é de fato radical nesta história??? Que história é esta de falar que quem professa práticas e costumes que são abominações e erros perante o Islam, é o radical da história???? Quem é o radical? Quem é de fato o fundamentalista ou extremista???

Então quem erra, se afasta do Islam verdadeiro, autêntico, original como foi ensinado pelo Profeta Muhammad (que a paz e a benção de Deus esteja sobre ele), cria um espaço entre o Islam e suas práticas e idéias, e deixa este espaço ser corrompido e completado pelo pó do descaso, dos costumes ilícitos, das tradições pecaminosas e viciadas de seus antepassados que justamente foram combatidas pelo Islam, este é o radical? Este é o que leva o Islam ao pé da letra?

De jeito nenhum!!!! Este não é o radical, este é o desleixado que não teve o devido cuidado na conservação do Islam!!! Este é aquele que fez pouco caso, deixou o Islam ser corrompido em si, permitiu que o pó do esquecimento e do tempo se acumulasse sobre o Livro, sobre a Sunnah, levou o Islam à estagnação, e com isto contribuiu para que a Ummah perdesse o seu lugar no mundo e a sua vitalidade essencial. Este não é o radical!!!

Radical sou eu!!! Radical é quem procura a prática do modo de vida perfeito e completo!!! Radical é quem segue à risca as práticas do Profeta (saws) como eu faço, e como muitos irmãos e irmãs no mundo todo fazem!!! Nós somos os radicais, e a falta de radicalismo é que trouxe a ignorância de volta, a pobreza de volta, a corrupção de volta, a miséria e a injustiça, a opressão e a loucura, a guerra, a violência!!!

Foi justamente a falta de radicalismo, o desleixo para com o Islam, a falta de conservação das tradições, o permitir que houvessem não só inovações como também a volta das antigas tradições antepassadas abomináveis que foram combatidas pelo Profeta (saws) que simplesmente rachou e transformou em ruínas todo o desenvolvimento, conhecimento, justiça social, e equilíbrio, que o Islam trouxe para o mundo, para muitas nações islâmicas, para a Ummah como um todo!!!

É a hora de voltarmos a ser radicais!!! Temos de sacudir a poeira e retomar o Islam de fato, puro! Original, como foi nos ensinado pelo Profeta (saws)! De acordo com a Palavra de Allah expressa no Alcorão em sua mensagem, e de acordo com a prática do Profeta (saws) registrada na Sunnah!!!

O Islam está renascendo no mundo todo. O crescimento do Islam no mundo é impressionante!!! E asseguro a todos que visitam o meu cantinho, se vocês não são muçulmanos e percebem este crescimento, não sabe como é impressionante para nós muçulmanos ver, sentir, perceber este crescimento!

É a hora, e temos de fazer a nossa parte, para que este crescimento envolva a todos! Não só em quantidade, mas em qualidade, não só os novos revertidos, mas todos que fazem parte da Ummah, pois só o Islam verdadeiro e puro traz honra!! Traz desenvolvimento pessoal e social! Traz união! Traz conhecimento! Traz desenvolvimento e justiça! Traz verdadeiramente as dádivas que já trouxe um dia.

O contrário, será premiado com a humilhação, a miséria, a desordem e a opressão, a abominação, e é de fato abominável, pois é o mesmo que virar as costas para Allah, o Único!

Então me permitam dizer: Radical???? Radical sou Eu! Eu é que sou a radical!!! Eu e todos que seguem de fato o Islam à risca!!!

Para finalizar, gostaria de deixar aqui o link de um excelente texto publicado por um irmão em seu blog - o blog Jazira Al Arabiya. Recomendo a leitura, porque creio que a idéia é a mesma explanada aqui: http://jaziralarabia.wordpress.com/2011/01/26/a-causa-da-estagnacao-dos-muculmanos/ 

Salam!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Como cuidar do seu Alcorão


Eu não sei se este post é direcionado propriamente para muçulmanos, mas pode ser útil para quem é recém-revertido. Porém escrevo aqui pensando em quem não é muçulmano, ou ainda não é.

Eu estava lendo um tópico em uma das comunidades islâmicas do Orkut na qual estou, sobre o lançamento do Jornal A Folha de São Paulo, o Alcorão, dentro da coleção LIVROS QUE MUDARAM O MUNDO, e um irmão mostrou lá grande preocupação sobre o cuidado com o Livro por parte das pessoas que não são muçulmanas, e isto me fez pensar.

Eu mesma propaguei a notícia sobre a chegada às bancas do Alcorão editado pela folha, então resolvi escrever falando um pouco sobre isto.

Bem, pelo que estou sabendo as vendas foram realmente fenomenais. O rapaz que é o dono da banca onde comprei o meu, aqui pertinho de casa, disse que já fez o terceiro pedido de exemplares para a Editora, porque os dois primeiros se esgotaram de forma rápida, isto só na banca dele.

Então vamos lá, você foi á banca e adquiriu o seu exemplar. Ótimo, eu fico muito feliz que tenha feito isto porque o Alcorão é o Livro Sagrado para toda a humanidade, e elevo minhas súplicas a Allah para que te encaminhe à senda reta, certamente trará para você tanta luz quanto trouxe para mim, inshallah!

Mas de qualquer maneira, lembre-se de que este Livro não é um livro comum, ele é A Palavra de Deus, o Livro que confirma todos os outros livros sagrados, que os completa, o último Livro de Deus.

Então trate-o com a distinção que ele merece.

Nós muçulmanos dispensamos a ele o maior respeito possível, é sempre recomendável fazer a purificação antes de manuseá-lo (wudu), ter cuidado com seu armazenamento, e respeito, não o levando por exemplo para se ler no banheiro, e sempre o apoiando em ambiente limpo para a leitura.

Em minha casa, o Alcorão fica em um lugar só dele, o lugar de maior destaque na casa, sobre uma estante especial e cercado de carinho e reverência. Ele não fica armazenado na estante como os outros livros, e eu sempre faço wudu para lê-lo.

Eu leio o Alcorão todos os dias, ao menos uma Surata. e sempre me certifico de que a leitura será feita com a maior reverência e higiene possível, nunca o coloco sobre a mesa sem antes verificar se a mesma está limpa, nunca coloco minhas mãos em suas folhas sem antes estar purificada.

Na casa de uma pessoa que seja muçulmana, o Alcorão nunca fica também exposto como enfeite, aberto em determinada folha e ali estando sem se mover, como vemos algumas vezes em casas de outras religiões de Livros.

Ao contrário, o Alcorão é um Livro vivo! Sempre consultado, lido, e sempre em comunicação na casa que o acolhe da maneira certa.

Então lembre-se disto, e por favor eu lhe peço, tenha respeito e reverência com o Alcorão.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

19/02/32 A.H. (23/01/11) ISLÃ: ARTE E CIVILIZAÇÃO – Conclusão

Saguão de entrada do CCBB SP, visto do alto, retratando o lindo e singelo chafariz e o piso da Mostra. O Prédio que já é lindo, se enfeitou todo para a exposição.

A MOSTRA – Muito bem montada e interessante, a Mostra Islã: Arte e Civilização tomou conta de 5 pavimentos do lindíssimo prédio do Centro Cultural Banco do Brasil – São Paulo.
Em exposição, exemplos da arte e cultura islâmica, tapeçaria, objetos variados, roupas, invenções da época de ouro do Islam, alguns exemplos de alvenaria, jóias, painéis explicativos e um conjunto em geral de peças e ambientes que vale a pena serem vistos.
Muito interessante um ambiente em que se podia selecionar algumas mesquitas e ter uma visão panorâmica da mesma, como a Mesquita Al Haram, a Mesquita dos Ômiadas, a Mesquita Al Aqsa, e outras.
Também achei muito interessante uma tela digital em que se podia criar com o dedo tocando na tela, o seu próprio grafismo islâmico, composto de elementos geométricos e cores variadas. Algumas roupas femininas também encheram meus olhos com sua beleza e singularidade. Muito semelhantes às abayas de hoje em dia, algumas continham um interessante prolongamento das mangas em forma de faixas que pendiam dos pulsos, realmente muito bonitas.
Outro ponto a se destacar é o belo e explicativo material gráfico composto de um Caderno de Mediação com fotos lindas e belo texto, e um lindo folheto de 8 folhas ricamente ilustrado e com texto em português e inglês sobre a mostra e sobre o Islam.
Certamente recomendo, vale a pena visitar a Mostra.

Halima, eu, e a Priscila, três muçulmanas brasileiras.

A EXPERIÊNCIA – A minha avaliação é de que foi altamente positiva, em vários aspectos. Em primeiro lugar porque eu agora sei que quero de fato adotar o chador e o niqab de forma permanente, e na medida do possível tudo farei para alcançar este objetivo.
Eu me senti muito bem vestida assim, me senti muito bem mesmo! Não senti metade do calor que pensei que sentiria, estava realmente confortável, feliz por estar assim, é um verdadeiro diálogo pacífico com o mundo à minha volta, e um direito que eu exerci de me cobrir de acordo com os conceitos de minha religião e do que elegi como minha meta, estava recatada, distinguida enquanto muçulmana, fui respeitada, e esta experiência me mostrou que é possível sim se vestir assim no Brasil.
Mas mostrou muito mais, mostrou que além de tudo, é mais uma forma de fazer Dawah! E isto foi algo muito bom de se comprovar, porque as pessoas vinham conversar conosco, querer saber mais sobre o Islam! Fomos até parados na rua por pessoas que estavam na Mostra e fizeram questão de vir conversar conosco, fomos fotografadas, e tenho certeza de que acabamos por deixar a experiência da mostra mais completa para muitas pessoas, afinal elas foram para lá ver uma mostra sobre o Islam, e lá chegando, além da mostra viram muçulmanos, e conversaram com muçulmanos, então eu acho que sim é válido e digo que daqui a pouco tempo não seremos assim tão raras pelas ruas do Brasil, muçulmanas inteiramente cobertas, insha Allah, e certamente eu serei uma delas... =)


Salam!

19/02/32 A.H. (23/01/11) ISLÃ: ARTE E CIVILIZAÇÃO – A MOSTRA, E A EXPERIÊNCIA...



Fui à mostra ISLÃ: ARTE E CIVILIZAÇÃO em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo no domingo, dia 19 de Safar de 1432 AH (23/01/11) e gostei. Gostei muito!
Mas foi um dia tão intenso, tão repleto de fatos interessantes, que eu nem sei se cabe tudo em um tópico só. Eu vou tentar condensar tudo em apenas um tópico, mas se não der, divido em dois, porque tem duas coisas a serem narradas: a Mostra em si, e a Experiência que realizamos, duas coisas distintas, mas que se fundiram.
Eu havia convidado uma de minhas filhas para me acompanhar, mesmo antes da Mostra entrar em cartaz no CCBB, e ela esperava este passeio com grande ansiedade.

Mas eu também desejava ir na companhia da Halima, minha amiga e irmã querida, e no fim se juntou ao nosso grupo outra irmã, a Priscila, que eu conheci neste mesmo dia, amiga da Halima. Além de nós, estavam presentes também o marido e o filho da Halima, um ótimo grupo, o que por si só já prenunciava um passeio muito agradável, tanto quanto todos os presentes, e todos com a exceção da minha filha que “ainda” não é muçulmana (Allah sabe mais e me sentirei honrada se ela manifestar a vontade de se reverter), embora demonstre gostar muito do Islam e da língua árabe, são muçulmanos.
Passeio combinado, recebi um telefonema da minha amiga querida, dando conta de que a irmã que nos acompanharia já usava algumas vezes niqab e qimar, e ela me convidou então para fazermos uma experiência na ida à Mostra, irmos as três de niqab e véu inteiro, ela e eu de chador (na verdade o nome é outro mas é como um chador ou enfim, o véu inteiro que cobre da cabeça aos pés) e a Pricila de qimar, as três de rosto coberto pelo niqab. Eu fiquei muito feliz com o convite, porque tenho sincero e real desejo de adotar de vez o chador e niqab e me cobrir inteira. E assim fizemos. E este detalhe fez do dia mais especial ainda, porque não se vê nas ruas de São Paulo, e nem no Brasil, com certa facilidade, muçulmanas cobertas desta forma, em especial com o rosto coberto. Fomos lá ver o que aconteceria e qual seria a nossa reação e a reação do mundo à nossa volta, hoje pensando bem foi sim um ato de coragem, mas principalmente de imposição pacífica, afinal somos muçulmanas, temos o direito de nos cobrir, não?
Fui para a casa da minha querida amiga, com a minha filha, e de lá saimos para nos encontrar com a Priscila. Lá nos vestimos e saímos, um pouco receosas, é certo, porque nunca sabemos o que pode acontecer, infelizmente muitas pessoas ainda não entendem de fato o Islam no Brasil, e embora a verdade seja de que o brasileiro em geral respeita a nossa religião e tem curiosidade por conhecer mais sobre o Islam, sabemos também que existem pessoas mal intencionadas, ou preconceituosas, que demonstram péssimo comportamento e péssima tolerância social com o que é diferente do que ela ACHA que é a ÚNICA VERDADE ABSOLUTA...
Saímos da casa dela e fomos à pé, até a estação do metrô onde combinamos de nos encontrar com a Priscila, a estação não é longe, mas também não fica muito perto, o que nos rendeu um belo e agradável passeio.
Quando saímos na rua, eu senti que fomos logo olhadas pelas pessoas à nossa volta, mas eu estava serena e confiante, certa de minha intenção e coerência, nada naquele momento me faria recuar, nem mesmo uma eventual reação exarcebada por parte de algum transeunte, mas o fato é que este tipo de reação não aconteceu, ma sha Allah! Os olhares em geral eram mesmo de curiosidade, e respeito. Teve até um motorista que gritou com toda a força de seu carro em movimento “Assalam Aleikomm!” e pessoas que nos cumprimentaram no caminho!
Já perto da estação, passamos por um grupo de muçulmanas, provavelmente libanesas, moradoras da minha rua, não sei se fui reconhecida porque eu estava totalmente coberta, mas a minha filha não estava coberta e estava de mãos dadas comigo, elas olharam espantadas, acho que nunca esperavam encontrar muçulmanas vestidas daquela forma em plena São Paulo. Ao passarmos por elas, o marido da Halima as cumprimentou e elas timidamente responderam.
Eu estava muito serena, e feliz, muito feliz! Por estar experimentando o tipo de vestimenta que até então tinha apenas a intenção de usar, mas nunca havia sequer experimentado. Eu estava usando o meu niqab, mas o chador era emprestado da Halima, já que ainda não tenho o meu (eu quero o meu chador =(... buááááá!!) e também estava me sentindo muito confortável, muito mais do que pensava que me sentiria.
Nos encontramos com a Priscila no metrô, também integralmente coberta, e fomos então à Mostra...
O centro de São Paulo estava tranquilo, e o dia estava realmente lindo, com céu azul, calor mas sem exagero até ali, um belo dia de domingo, realmente um belo e agradável passeio. No metrô e nas ruas, todas as atenções eram para nós. As pessoas olhavam ao nos ver, com um espanto inicial e posteriormente com curiosidade. Perto do prédio do CCBB, duas moças passaram por nós comentando que talvez fôssemos “da” exposição, rs... como se fôssemos atores ou performers.
O prédio do CCBB SP, que já é lindo por si só, estava mais bonito ainda para a Mostra! No saguão de entrada, foi instalado um piso circular com motivos islâmicos que continha no centro um lindo e singelo chafariz, também em motivos islâmicos. Ao chegar, notamos que ele estava cheio de... moedas! Sim moedas, não sei porque mas o povo resolveu jogar moedas dentro da água!

Entramos, e todos nos olharam, fiquei imaginando quanto daquelas pessoas pensaram que se tratava de uma família completa rs... devido ao estereótipo que existe no Brasil sobre nós, muitas pessoas ali devem ter imaginado que nós três éramos esposas do marido da Halima, e as crianças eram os filhos. Na verdade por conta disto eu já imaginava que quem mais teria de demonstrar coragem mesmo era ele, já que as pessoas poderiam ver nele “o opressor” que obriga “suas esposas” a se cobrirem daquele jeito! “Que horror” rs...
Para quem não sabe, lembrando aqui que:
  1. Dentro do Islam como deve ser mesmo, original, sem invenções nem “poluições” de coisas ilícitas, nós somos respeitadas e temos voz e direitos, e não somos obrigadas a nos cobrir e usar véu e chador e niqab, nada disto, ao contrário, escolhemos isto! Requeremos este direito, tanto que nós três escolhemos fazer esta experiência, e tenho certeza de que passado o receio inicial, as três estavam muito felizes por estarem assim!
  2. Sim existe a possibilidade de um muçulmano ter até 4 esposas, não é que isto seja recomendado, mas permitido, e as razões para um casamento com mais de uma mulher são várias, certamente nenhuma delas tem a ver com lascividade ou desejo erótico. Só que este costume hoje em dia é muito raramente adotado, uma das razões é evidente! Vai ver o gasto que é sustentar uma família, imagina só duas, três, quatro!! Sendo que cada esposa tem de ter uma casa separada e só para si, e no mundo todo, o custo de vida é alto! Antes do Islam, os homens casavam-se com várias esposas, muito mais do que 4, e em geral abandonavam a maioria delas, o que causava sérios problemas sociais, materias, e emocionais. O Islam trouxe respeito a esta questão, e controle.
No fim das contas foi um dia muito agradável, a Mostra é ótima, a reação das pessoas foi realmente surpreendente, e ainda fomos à Mussala da Praça da República para fazer a oração do crepúsculo, um dia intenso, que terminou com uma chuva intensa sobre São Paulo.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Eu sou uma muçulmana brasileira!


Eu sou uma muçulmana brasileira!
Com muito orgulho, com muita fé!

Sou filha do Brasil, nascida aqui e de família brasileira,
Eu sou guerreira, sou leoa destas matas e destas bandas do Atlântico e defendo com toda a minha força a minha religião.

Não sou a única, somos muitas, eu e minhas irmãs, muçulmanas brasileiras.

Somos todas integrantes de uma imensa nação, a Ummah! Onde todos são iguais, onde se irmanam pessoas de todos os cantos do planeta, brasileiros, egípcios, libaneses e norte-americanos, ingleses, franceses, todos muçulmanos!

Somos todos nós a grande Nação Islâmica! Unidos em torno de um só Deus, irmanados pelos passos de um grande homem, o nosso amado Profeta (saws).

Por isto eu digo que tenho muito orgulho de ser muçulmana, e brasileira!

Salam!