sexta-feira, 27 de abril de 2012

Anistia Internacional denuncia discriminação contra muçulmanos na Europa


Esta matéria reproduzida abaixo é importante e merece e deve ser lida, mas fica aqui desde já a minha pergunta intrigante: E no Brasil?


Hoje eu fiquei sabendo de um caso estarrecedor! Irmã no Rio de Janeiro andava tranquilamente na rua quando recebeu uma bofetada no rosto de um homem, que rasgou o seu véu e a ofendeu com palavras, antes de sair correndo e sumir entre as ruas da região. E casos assim têm acontecido por aqui.

Mas ao contrário do que ocorre em outros lugares, aqui no Brasil o nosso problema é muito mais grave, porque não há reação, não há união, não há de fato um sentido de "comum-unidade".

Porque aqui estamos todos nós indefesos, cada um por si só, e todos contra todos, porque aqui o grande inimigo de fato do Islam não está fora, mas dentro, entre nós.

Enquanto afunda-se em fitnah, exclusão, racismo, preconceito, enquanto a corda é puxada de todos os lados até que se arrebente, casos como este que são crimes aumentam, e irmãos e irmãs são expostos a situações de vulnerabilidade, até quando?? Até quando??

Vamos ao artigo, enfim...



O relatório que a Anistia Internacional acaba de publicar sobre a discriminação da qual são objeto os muçulmanos na Europa é uma radiografia límpida de um processo de exclusão que se amplia com a influência crescente dos partidos de extrema-direita populistas que pululam no Velho Continente. A prova mais delirante dessa política é o famoso referendo organizado na Suíça em 2009 (foi aprovado por 57% dos votantes), mediante o qual se aprovou a proibição de construir novas mesquitas no país.

Paris - Chamar-se Ahmed, Muhhamad, Amel ou Fátima é como estar condenado. Discriminação para obter um trabalho ou moradia, desconfiança dos olhares nas lojas, reprovação em todos os níveis. O relatório que a Anistia Internacional acaba de publicar sobre a discriminação da qual são objeto os muçulmanos na Europa é uma radiografia límpida de um processo de exclusão que se amplia com a influência crescente dos partidos de extrema-direita populistas que pululam no Velho Continente. O relatório intitulado “Eleição e preconceito, as discriminações contra os muçulmanos na Europa” é o primeiro deste tipo por sua amplitude continental. 



O trabalho analisa a situação em países como a Espanha, Bélgica, França, Holanda e Suíça e tira uma conclusão imediata por cima das estatísticas discriminatórias: “os partidos políticos alimentam o medo ao Islã na Europa”, diz John Dalhuisen, diretor do programa Europa-Ásia Central na Anistia Internacional. A segunda conclusão radica em que as práticas discriminatórias motivadas pela pertinência cultural religiosa têm vigência “inclusive nos países onde a discriminação fundada sobre a religião ou as convicções é ilegal”. 


Esta exaustiva investigação de terreno demonstra como “os estereótipos ligados às práticas religiosas e culturais muçulmanas acarretaram a aparição de discriminações no mercado de trabalho e nas escolas contra as pessoas que trazem signos ou roupa associados ao Islã”. No concreto, uma mulher muçulmana hiper qualificada, com diplomas prestigiosos e um currículo ideal, não será contratada se usa um véu na cabeça. 

A Anistia cita numerosos casos. Um deles, o de Ahmed, um suíço natural da África do Norte que trabalhou durante 15 anos na mesma empresa. Segundo ele mesmo relata, nunca exibiu sua prática religiosa. Sempre foi discreto e jamais pediu folga em dias das festas muçulmanas. Quando deixou crescer a barba, seus colegas começaram a dizer que se parecia com Bin Laden. Seu destino ficou selado no momento que ingressou à empresa uma mulher que detestava os árabes e os muçulmanos. Apesar de uma folha de serviços excepcional, foi despedido sem motivo. 

Amel viveu uma situação inversa na França: não a despediram, mas não a contrataram porque levava um lenço na cabeça. Em pleno Século XXI, com sociedades impregnadas de multiculturalismo e mega conectadas mediante a informação e as redes, os árabes e os muçulmanos continuam despertando medo e repulsa, como se fossem de outra espécie. O relatório da Anistia dá conta de numerosos casos nos quais as pessoas perderam um trabalho por causa do lenço que cobre a cabeça ou qualquer outro signo “desgosta aos clientes” ou “estraga a imagem da empresa”. 

A incompreensão é imensa, tanto como a rude e suja campanha que a extrema direita europeia vem fazendo contra os muçulmanos, inclusive quando tem a nacionalidade do país no qual residem, porque são a segunda ou terceira geração e nasceram ali. A Anistia também questiona o princípio adotado na França em 2004 – ampliado depois a outros campos - e depois na Espanha, Bélgica, Suíça, Holanda e Turquia, que proíbe o uso de “signos religiosos distintivos” nas escolas públicas e nos lugares públicos. 

Essas “proibições” constituem para a ONG “discriminações contra os alunos muçulmanos, que não podem exercer o direito à liberdade de expressão, à liberdade religiosa ou à liberdade das convicções”. A caça ao muçulmano é global. A Anistia cita muitos exemplos. Um, na Espanha: uma adolescente muçulmana de 16 anos foi impedida de comparecer aos cursos do liceu público Pozuelo de Alarcón, nos arredores de Madri, porque levava o véu. Dois, na Holanda: uma escola católica da cidade de Volendam proibiu o uso do véu. Com essa medida se impediu que um aluno muçulmano seguisse os cursos. 

Neste contexto, a Anistia questiona o argumento francês que justifica essas medidas como meio de que se respeite a laicidade: “segundo o direito relativo aos direitos humanos, a laicidade não é um motivo legítimo para restringir a liberdade de expressão, a liberdade religiosa ou de convicção”. Cabe lembrar que sob o mandato do presidente Nicolas Sarkozy se proibiu igualmente o uso da “burka”, o véu integral. As milionárias das monarquias do Golfo que vinham fazer suas compras em Paris agora o fazem em Londres. A Bélgica também adotou uma medida similar. 

A perseguição se faz extensiva à construção ou implantação de lugares de culto muçulmano. A prova mais delirante dessa política é o famoso referendo organizado na Suíça em 2009 (foi aprovado por 57% dos votantes), mediante o qual se aprovou a proibição de construir novas mesquitas no país. Em toda a Confederação Helvética só existem quatro mesquitas. Nos demais países citados pelo relatório, ainda que não exista uma lei semelhante à suíça inscrita na Constituição, os muçulmanos têm grandes problemas para construir lugares de culto. 

Na conclusão do relatório, a Anistia Internacional formula uma série de recomendações aos poderes públicos. A ONG chama os governos da Europa a “atuar mais para combater os estereótipos negativos contra os muçulmanos, estereótipos que alimentam as discriminações”. Aqui fica exposta a responsabilidade dos dirigentes políticos cujas ideologias, em vez de apaziguar, sopram sobre as brasas. 

A Anistia lembra que “em vez de combater os preconceitos, os partidos e os responsáveis públicos vão seguidamente em direção dos preconceitos com a meta de esperar benefícios eleitorais”. Não precisa desenvolver nenhum extenso argumento para verificar a validade da recomendação. O partido de extrema direita francês Frente Nacional obteve quase 18% dos votos no primeiro turno das eleições presidenciais do dia 22 de abril. Seu principal recurso é o racismo global e seu inimigo central são os muçulmanos. Os benefícios do ódio, do medo, dos preconceitos e a propaganda política são perfeitamente quantificáveis. 

Tradução: Libório Junior




sábado, 21 de abril de 2012

Vou Levar (Para Sempre...)



Para sempre...

Para sempre, por todos os caminhos por onde eu ainda vou caminhar,
Por todos os lugares onde eu vou estar,
Em todo chão, em toda terra, por todos os cantos onde os meus pés ainda vão pisar

Eu vou levar

A minha fé, minha certeza, o meu olhar, e todos os ensinamentos e o conhecimento que até hoje me foi permitido provar.

Para sempre eu vou levar...

Todos os meus dias, vividos e concluídos, se teve sol, se teve chuva, isto não importa porque para sempre eu vou levar, sempre comigo, em minhas lembranças e em meu coração...

Minha bagagem, o meu carrinho de mão

Sabem muitas vezes eu teimosa que sou e pirracenta quis de fato determinar a direção do vento, a força de um momento, as curvas do caminho por onde eu ainda iria passar

Mas um dia eu acordei, e percebi que devemos sim construir e planejar, mas cabe somente a Allah determinar

Agora eu já sei decor esta lição, e não vou novamente patinar no mesmo lugar em vão, eu sei me entregar, de fato e de verdade ao Único que determina o destino de nossas estradas de vida e os passos do nosso caminhar, e é esta lição que eu vou praticar.

Eu agradeço a todos que muito me ensinaram, obrigada pelas lições aprendidas, pelas alegrias e ansiedades vividas, obrigada pelos abraços e por todos os laços que foram feitos, por tudo que foi providenciado, seja comida sorriso água mesmo ou apenas um olhar.

Eu agradeço sobretudo a Allah!

Mas a hora passa e chega um momento que de fato preciso seguir em frente sem olhar para trás, satisfeita que fico porque eu fiz o meu melhor, e sempre farei o meu melhor, e sei que dei o melhor de mim.

O vento acaricia o meu rosto e me diz que existem coisas a ser descobertas depois do lado de lá. Não sinto tristeza, me sinto quieta, finalmente em paz dentro de mim, pronta para realizar a grande viagem que, eu sei, vai começar...

É tempo finalmente de caminhar, eu vou viver minha vida e cuidar de mim porque ninguém vai fazer isto em meu lugar.

Eu sou uma muçulmana! Eu sigo o meu caminho de acordo com o que Allah determina, eu não tenho mais medo em meu peito, eu não tenho mais dor, eu tenho apenas a minha fé, e por isto tenho muito, eu temo somente a Allah!


Ash hadu an la Ilaha ila Allah, wa ash hadu ana Muhammadan rasulullah


Palavras douradas marcadas de forma permanente em meu coração... quando eu abri a janela e pela primeira vez na vida as disse, eu sabia, era sério, era de verdade, era minha alma declarando a sua verdade, era para sempre!

Para sempre...

E não há nada na Universo que tenha força suficiente para me afastar do Islam, para fazer eu deixar de ser uma muçulmana, nada e ninguém tem poder para fazer isto, somente Allah, e eu sei que Ele não quer isto porque foi Ele quem me fez ser uma muçulmana.


Contra todas as expectativas, Allah me fez muçulmana!

E no dia da minha morte, quem estiver perto de mim verá, que eu vou morrer muçulmana, e munaqaba, Insha Allah!

Mas agora chegou a hora em que eu devo agradecida por tudo, caminhar...

Allahu Akbar!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Carta de Uma Jornalista Americana Para As Mulheres Muçulmanas



"Eles vão tentar seduzi-la com seus filmes excitantes e vídeos musicais, retratando falsamente as mulheres americanas como felizes e satisfeitas, orgulhosas de se vestirem como prostitutas, representadas sem famílias. A maioria de nós não está feliz, confie em mim. Milhões de nós está na medicação anti-depressiva, odiando os nossos empregos, e chorando a noite pelos homens que disseram que nos amavam, e avidamente nos usaram e se afastaram. Eles gostariam de destruir as famílias e convencer-nos a ter menos filhos. Eles fazem isso apresentando o casamento como uma forma de escravidão, a maternidade como uma maldição, e a modéstia e a pureza, como antiguadas. Eles querem que você barateie a si mesma e perca a fé.

As modas que saem do esgoto ocidental são concebidas para fazer você acreditar que seu bem mais valioso é sua sexualidade. Mas os seus lindos vestidos e véus são realmente mais sexies do que qualquer moda ocidental, porque eles escondem-na em mistério e mostram auto-respeito e confiança. A sexualidade de uma mulher deve ser protegida de olhos indignos, uma vez que deve ser o seu presente para o homem que ama e respeita o suficiente para casar com você. E desde que seus homens ainda são guerreiros viris, eles merecem nada menos do que o seu melhor. Nossos homens não querem mesmo mais pureza. Eles não reconhecem a pérola de grande valor, optando, ao invés, pelo strass chamativo. Só para deixá-la também! Seus bens mais valiosos são a sua beleza interior, a sua inocência, e tudo o que faz quem você é. Mas noto que algumas mulheres muçulmanas buscam o limite e tentam ser o mais ocidental possível, mesmo usando um véu (com exibição de alguns dos seus cabelos). Por que imitar as mulheres que já se arrependeram, ou em breve se arrependerão de sua virtude perdida? Não há nenhuma compensação por essa perda. Vocês são impecáveis diamantes. Não deixe que eles trapaceiem você para se tornar strass. Porque tudo que você vê nas revistas de moda e na televisão ocidental é uma mentira. É armadilha de Satanás. É ouro de tolo.

Vou deixá-la com um pequeno segredo, se você estiver curiosa: sexo pré-marital não é nada de tão especial. Demos os nossos corpos para os homens a quem éramos apaixonadas, acreditando que essa era a maneira de fazê-los nos amar e quererem casar, tal como crescemos assistindo na televisão crescendo. Mas, sem a segurança do casamento e a certeza de que ele vai sempre ficar com a gente, não é mesmo agradável!

Essa é a ironia. Foi apenas um desperdício, que nos deixa em lágrimas.

Falando de mulher para mulher, acredito que você já entendeu isso. Porque só uma mulher pode realmente entender o que está em outro coração de mulher. Nós realmente somos todas iguais. Nossa raça, religião ou nacionalidade, não importa. O coração da mulher é o mesmo em toda parte. Nós amamos. Isso é o que fazemos de melhor. Nós cuidamos de nossa família e damos conforto e força para os homens que amamos. Mas nós mulheres americanas fomos enganadas em acreditar que somos mais felizes com carreiras, nossas próprias casas para vivermos sozinhas, e liberdade para dar o nosso amor a quem nós escolhermos. Isso não é liberdade. E isso não é amor. Somente no porto seguro do casamento pode um coração e corpo de mulher serem seguros para o amor. Não se contente com nada menos. Não vale a pena. Você não vai mesmo gostar disso e você vai gostar de si mesma muito menos depois. E então, ele vai deixá-la...

O pecado nunca paga. Ele sempre engana você. Mesmo que eu tenha recuperado minha honra, ainda não há substituto para nunca ter sido desonrada em primeiro lugar. Nós, as mulheres ocidentais sofremos lavagem cerebral para pensar que vocês mulheres muçulmanas são oprimidas. Mas, na verdade, nós é que somos as oprimidas; escravas das modas que degradam-nos, obcecadas com o nosso peso, implorando pelo amor dos homens que se recusam a crescer. Bem lá no fundo, sabemos que fomos enganadas. Nós secretamente admiramos e invejamos você, embora algumas de nós não vamos admitir isso. Por favor, não olhe para nós ou pense que nós gostamos das coisas do jeito que são. Não é culpa nossa. A maioria de nós não teve pai para nos proteger quando éramos jovens, porque as nossas famílias têm sido destruídas. Você sabe quem está por trás dessa trama... Não se deixe enganar, minha irmã. Não deixe que eles te enganem também. Fique inocente e pura. Nós, mulheres cristãs precisamos ver o que a vida deve realmente ser para as mulheres. Precisamos de você para dar o exemplo para nós, porque estamos perdidas. Segure-se em sua pureza. Lembre-se: você não pode colocar a pasta de dente de volta no tubo. Por isso, guarde o seu "creme dental" com cuidado!

Eu espero que você receba este conselho no espírito em que se destina: o espírito de amizade, respeito e admiração.

De sua irmã cristã "Com Amor""

Joanna Francis é uma escritora e jornalista americana.

Eu copiei esta carta de um post da página TEMPO DE ACORDAR no Facebook.

Fui verificar a fonte e de fato é verídica, Joanna Francis é uma escritora e jornalista americana que de fato publicou esta carta, não que eu duvidasse da página do Facebook, mas com tantas notícias e matérias desencontradas por aí nesta sopa devidamente homogeinizada e direcionada sem nenhuma ética que é a imprensa ocidental, sempre é bom se precaver porque a própria página poderia ter sido enganada.

É de fato um belo texto, um alerta e um recado.

De minha parte, eu digo que a observância do "hijab" ou seja, da vestimenta islâmica feminina, é de fato algo profundo e importante, porque não vestimos a roupa tão somente, vestimos um modo de vida, uma maneira de pensar e agir, vestimos com nossas roupas a nossa religião, o nosso proceder, o Islam como um todo.

Costumo observar que principalmente nós mulheres do Islam sempre estamos representando a nossa religião. Pelo fato de que nossas vestimentas são muito mais marcantes do que as vestimentas masculinas, sempre estamos representando o Islam quando sociabilizamos, quando saímos na rua, quando estamos trabalhando, fazendo compras, passeando em nossos momentos de lazer, em tudo, todo o tempo.

isto significa também uma responsabilidade, e acima de tudo mostra que de fato não é simplesmente uma roupa, seu significado interior e exterior é muito mais profundo e complexo do que isto.

Pensando em tudo isto eu digo que observar o "hijab", ou seja, o modo de vestir islâmico, é sim sinal de modéstia, de recato, de fé, é sim a distinção enquanto mulher religiosa, mas é também RESISTÊNCIA, resistência à invasão brutal, à tentativa de objetificação, à tentativa de exploração e usufruto não autorizado, à tentativa de enquadramento no rebanho ordenhado e mastigado como objeto de consumo e fonte de "proteína" animal.

Observar o hijab é sim um ato social, político, e ideológico, é também persistência, e motivo de orgulho.

Salam!

terça-feira, 13 de março de 2012

O Próximo Dragão na Frente de Uma Mulher!


Há pessoas neste mundo que entram na vida com uma marca cravada em sua carne como ferro em brasa, como se fosse a marca da porta por onde entraram, por onde passaram para aqui estar.

Algumas nascem com a marca da sorte, outras nascem com a marca da alegria, há também aquelas que nascem com a marca do brilho das estrelas em suas frontes, ao contrário de outras que cruzam os campos infinitos desta existência como uma sombra vagando sozinha e sem rumo, sem saber para que veio, sem se importar com os passos que dá.

Penso que há a possibilidade forte de não serem apenas algumas pessoas, mas todas, cada qual carregando a sua marca, como um tema central de uma sinfonia, que liga tudo e sempre se repete ao menos em citação, por mais vaga que seja, ao longo de sua vida.

Se é assim não sei. Sei apenas de mim, do que eu observo, do cheiro que sinto, do capim molhado que toca a minha pele quando eu, eu sim, caminho.

Mas eu sei que eu nasci assim também marcada...

Nasci com a marca da guerreira que já foi cortada, que pisa em poças de sangue e campos de flores e procura aprender com as suas passadas, que caminha como uma loba solitária e sabe a hora certa de sorrir, tanto quanto sabe a hora certa de empunhar a espada, guerreira cicatrizada, que atravessou muros de pedras e picou muita carne no meio do caminho para chegar até aqui em pé, e ainda forte o suficiente para continuar a sua caminhada.

Muitas vezes eu vi o rosto da morte e seu cheiro fétido me encarando e rindo de mim, escuridão profunda em seus olhos tentando me tocar com seus dedos gélidos de ossos fossilizados, e muitas vezes a sombra enevoada e cinza de sua fumaça encobriu a luz tentando apagar meu sol interior, mas Subhanallah!!! Meu sol foi mais forte, não é mérito meu, Allah me fez assim, e eu como toda boa serva de Allah só posso aceitar, agradecer e continuar em frente.

Aceitar...

Aceitar é a palavra!

Quando cremos de verdade que tudo vem Dele, que não há nada maior do que Ele, quando sabemos e temos a certeza de que a caneta que escreve em nossas tábuas do destino só tem Um Dono, e só Ele é o Senhor dos Mundos e de todas as linhas escritas e já traçadas em nosso livro da vida, aceitar, aceitar, aceitar é a palavra...

Eu tenho rezado e me concentrado novamente em questões dentro de mim. Todas as noites eu rezo o Isha e então termino meu dia e me recolho em silêncio em meu quarto, eu abro a janela que dá para a direção de Maka e contemplo a cidade, envolvida somente por meus duás.

É por isso que ando sumida, é por isso que estou meio quieta e longe do MSN e dos meus perfis e é por isso que eu estou escrevendo pouco aqui.

Mas sabe? Tem vezes que em nossa pequena estatura de sabedoria humana somos tentados a definir e saber exatamente o que Allah determina.

Muitas vezes também nos enchemos de soberba e temos a certeza de que compreendemos a Sua sabedoria infinita, e certamente adivinhamos o que Ele pensa, o que Ele quer, e o que Ele determina e acha certo para nós.

Tolos!!! Somos realmente tolos e ínfimos quando agimos assim!!

Porque não somos nós que determinamos, na verdade somos antes de tudo fruto da determinação de Allah! É o contrário do que pensamos nestas horas. Nada há no mundo sem que Ele tenha assim determinado.

Eu sou assim, e tenho de aceitar...

Eu me aceito sim, embora seja uma criança teimosa às vezes e tente fugir do tema da minha vida, como se fosse possível, porque você pode sim mudar a sua vida com base em suas escolhas, pode se desenvolver e mudar seu caminho, pode resolver pintar as paredes do seu quarto de verde e no dia seguinte resolver tingi-las de azul. Somos livres, mas Ele já sabe, porque até nossas escolhas são escritas de acordo com o que Allah determinou para cada um de nós.

Mas o tema, a raiz da composição, este é sempre imutável e se repete até o fim do concerto, até o fim da sua apresentação.

A lama já secou no campo de batalha.

O aço fundido se torna em espada e brilha no meio da planície desolada.

Na minha frente há novamente um novo dragão, eu o encaro com os meus olhos verdes, manchada com a pintura de guerra e empunhando a espada na minha frente...

Eu vou picá-lo totalmente e fazer jorrar o seu sangue! Posso até sair ferida e arranhada mas quer saber? Eu não ligo!!


Vai ser apenas mais uma marca, mais uma cicatriz em meu corpo de onça pintada, acostumada com a guerra e com a caçada...

Eu dou o meu primeiro passo em direção a ele, e ele ruge profundamente...

Allahu Akbar!!!

(continua...)

quarta-feira, 7 de março de 2012

Resposta a uma mensagem que eu recebi...


Louvado seja Allah, e a paz e a benção de Allah estejam sobre Seu Mensageiro Muhammad.



Eu recebi uma mensagem, e resolvi responder em forma de post aqui no meu blog.

Mas antes de começar, eu volto a informar que


ESTE BLOG NÃO RECEBE MENSAGENS ANÔNIMAS


Mensagens anônimas simplesmente não são recebidas, e muito menos são lidas. Então se você quer mandar uma mensagem ou comentário para o blog, sinta-se à vontade, mas identifique-se, porque do contrário, TENHA CERTEZA, o comentário ou mensagem não chegarão sequer a ser lidos.

E se você que enviou esta mensagem quer responder ou comentar, por favor, identifique-se porque do contrário eu nem ficarei sabendo sobre o que você escreveu, sim?

Esta mensagem veio de forma anônima mas por alguma razão ela foi enviada também para a minha caixa de e-mail, e foi desta forma que eu consegui recuperá-la, mas isto não ocorre com outras mensagens, sim?

Então vamos lá, diz a mensagem que eu recebi:

Olá Gisele, tudo bem? Acho muito legal de verdade você ser uma Munakaba! Mostra que você se encontrou e que você não segue uma moda qualquer, mas sim, que você escolheu algo com o qual você se identifique de verdade :) O que eu quero dizer é o seguinte: Talvez seja uma crítica, vi no seu blog que a mídia espalha preconceitos sobre o islam, e realmente concordo, a mídia é muito tendenciosa e se utiliza dos interesses da classe dominante... Mas quando muitos muçulmanos acusam a mídia e algumas pessoas de preconceito com relação ao islam, se esquecem que muitos muçulmanos agem por vezes com preconceitos com relação a outras pessoas. No ocidente existe maior abertura atualmente com respeito a homossexualidade e já vi muitos muçulmanos com comentários ofensivos a homossexuais e sem o mínimo de respeito! Que o islam é absolutamente contra a homossexualidade é do conhecimento de todos, porém nós somos pessoas, temos nossos direitos (conquistados com muita coragem, sacrificio e luta)! e da mesma forma como os muçulmanos tem o direito de serem ouvidos sem preconceitos e serem respeitados nós também temos! Da mesma forma como baha'ís, ateus e outras minorias que são privadas de seus direitos no Oriente Médio! Entenda que minah intenção não é denegrir nem ofender a você nem ao islam ou aos muçulmanos, mas sim, estou somente dizendo que acredito que liberdade de seguri a vida com honestidade e sendo feliz é um ideal absoluto, ou seja não se pode acusar ninguém de preconceito e exigir respeito, sem também fazer isso com outros, que por mais que sejam diferentes e não os compreendamos, também são seres humanos como nós! Obrigado, aguardo ansiosamente sua resposta, tudo de bom para você!”


Esta é a minha resposta:

Que a paz de Deus esteja com você.

Vou começar a minha resposta deixando bem claro que é preciso acabar de vez com a grande confusão que se faz entre RELIGIÃO, e NACIONALIDADE, entre ISLAM, e CULTURA ÁRABE, entre uma religião para toda a humanidade e o Oriente Médio.
Escrevo isto para explicar que:

01) NÃO EXISTE HOJE NO MUNDO NENHUM PAÍS ISLÂMICO. Algo muito simples de constatar, porque não temos um Khalifa hoje em dia. E não temos nenhum país que é governado segundo a Sharia, a lei de Deus, o que temos são países CUJA MAIORIA DA POPULAÇÃO é muçulmana, mas cujo governo não é islâmico e a aplicação das leis é segundo vontades interpretações e “adaptações” regionais e políticas.

02) Muitos são os lugares no mundo onde as pessoas infelizmente trataram com desleixo a religião, e o desleixo abriu as brechas por onde os abomináveis e horripilantes costumes da Era da Ignorância, tão combatidos pelo Profeta Muhammad (saws), voltassem e contaminassem as sociedades. Este lugares pagaram e pagam um preço alto por conta disto, com corrupção social, miséria, obscuridade, e só voltarão a ter luz à medida que as novas gerações exijam uma volta ao Islam de verdade, como resgate do que determina Allah, e como resgate de sua verdadeira identidade, e isto está acontecendo agora.

Dito isto, e levando em consideração que a minha resposta é ISLÂMICA, totalmente islâmica, é preciso que eu diga para você que o Islam é a religião para todos, para toda a humanidade, sem exceção alguma. Qualquer pessoa pode tornar muçulmana, independente da sua situação ou orientação sexual.

O islam é para todas as pessoas e para toda a humanidade. Aliás, O islam, muitas vezes, ajuda as pessoas a resolverem e/ou corrigirem seus problemas de maneira correta, saudável e religiosa perante Deus.

O Islam proíbe sim a prática do homossexualismo e a considera de fato pecado grave. Isto não é exclusivo do Islam, mas também é compartilhado pelo Judaísmo e Cristianismo, e as três religiões são originárias da mensagem de Allah, Único e Senhor de todos os mundos, para toda a humanidade ao longo do tempo, começando com o Profeta Adão (a paz esteja sobre ele) e passando por todos os mensageiros e Profetas de Allah, Subhana wa Taala, até o Profeta Muhammad (saws).

Disse Allah, Louvado seja, no Alcorão:

80. E (enviamos) Lot, que disse ao seu povo: Cometeis abominação como ninguém no mundo jamais cometeu antes de vós,
81. Acercando-vos licenciosamente dos homens, em vez das mulheres. Realmente, sois um povo transgressor.”
(Surata 7 : 80, 81)

165. Vos achegais aos varões deste mundo?
166. E deixais vossas mulheres, que vosso Senhor criou para vós? Mas, sois um povo agressor.”
(Surata 26 : 165, 166)

54. E lembra-lhes de Lot, quando disse a seu povo: ‘ Vós achegais à obscenidade, enquanto a enxergais claramente?
55. Por certo, vos achegais aos homens, por lascívia, em vez de às mulheres! Alias, sois um povo ignorante.“
(Surata 27 : 54, 55)

Estes versículos se referem à sociedade do Profeta Lot (as) que Allah enviou para que advertisse seu povo sobre seu errôneo proceder, mas eles ignoraram tais advertências e, como consequência Allah ordenou a Lot (as) que abandonasse a cidade junto com sua família.

Assim o povo de Sodoma foi destruído em sua totalidade por causa de sua incredulidade e da prática do homossexualismo.

Portanto, é evidente que o homossexualismo é um pecado perante Allah, Louvado seja, que sempre nos alertou quanto a isto.

Mas, o que é “pecado” dentro da visão islâmica? Um pecado é cometido quando alguém causa dano a si ou a outros ou a qualquer parte da criação. A culpa depende da intenção do pecador. A sua forma mais extrema é a de alguém que deliberadamente praticou atos nocivos e destrutivos rejeitando quaisquer recursos para fazer o que é para seu próprio benefício, sem se importar com o que é benéfico para os outros. A natureza humana é essencialmente boa e capacitada para trazer benefícios, mas a intenção muitas vezes a desvia de seu curso natural.

No entanto, como eu disse no início do texto, o Islam é a religião para toda a humanidade. O Islam não exclui ninguém, portanto a pessoa que pratica o que é pecado, também tem o direito ao Islam, e principalmente tem direito de conseguir superar a intenção que a desvia através do Islam, e isto ocorre muitas vezes com muitas pessoas.

Isto é possível devido ao fato de que Allah, Louvado seja, é o Misericordioso, o Misericordiador, e também porque só cabe a Allah o julgamento, e através de Sua misericórdia existe de fato o perdão, a superação, a evolução.

Não há então a perseguição pessoal, mas sim o fato de que como muçulmanos devemos fomentar o bem, e aconselhar sobre o abandono do que é errado, ou seja trocando em miúdos, e lembrando novamente que estamos aqui falando do Islam verdadeiro, original, sem bidah e sem desvio, a pessoa que comete o pecado é chamada à superação e ao islam sim, é o pecado o objeto da reprovação, e não o ser humano em si.

Existem alguns trabalhos teóricos que afirmam que a homossexualidade é herdada geneticamente e aqueles que têm a predisposição à esta tendência são vítimas desta determinação genética.

Por outro lado, temos também os que pesquisam e afirmam que homossexualidade é determinada pelo meio em conjunto com o histórico de vida, como fatos acontecidos nos estágios do crescimento humano.

Mas estas alegações também aparecem em problemas como alcoolismo e uso de drogas, em vícios de jogo e outros comportamentos.

O que é preciso para que uma pessoa que teoricamente tenha tendência a estes problemas a supere? Em primeiro lugar, o reconhecimento pessoal da existência do problema. E em segundo lugar, a consciência de que por exemplo, o álcool traz o prazer sim, no momento, mas também traz o dano, a ressaca, a baixa auto estima do dia seguinte, o prejuízo moral, social, e físico. E então vem o terceiro passo, vencer todos os dias, em nome do bem estar.

É possível? Sim é possível. Todos conseguem? Allah sabe mais e só Ele tem o conhecimento da resposta desta questão. Mas o que o Islam traz ao pensamento, é que vale a pena tentar, e confiar em Allah, porque este é o caminho para conseguir o êxito.

Resumindo o que eu disse aqui:

01. Sim o Islam considera que de acordo com as palavras de Allah, o homossexualismo é pecado e deve ser combatido;

02. No entanto não se persegue aquele que comete o pecado;

03. O Islam é para toda a humanidade sem exclusão ou exceção nenhuma;

04. Através do modo de vida islâmico, há a superação do que é tendência.

Tudo isto com respeito humano, tolerância sim e compreensão, são estes verdadeiramente valores islâmicos.

Peçamos a Allah que possamos avançar no sentido da consciência e do entendimento, e Allah sabe sempre mais!

Salam

sábado, 18 de fevereiro de 2012

O Meu Sorriso (Sob do Véu)

Agora eu vou escrever um post muito pessoal, tá bom? =)

Sim sim, eu sei que tenho escrito pouco por aqui, mas sabe muitas coisas vêm acontecendo nesta parte inicial deste ano (me refiro ao ano islâmico, of course rs...) e isto tem desviado um pouco a minha atenção, peço desculpas aos meus queridos leitores tá bom? Prometo ser mais assídua.

Uma coisa boa que aconteceu foi a volta da minha mana querida Halima para São Paulo, e isto aliado a outras coisas boas e outras "ansiedades" têm me mantido um pouquinho fora de foco em termos de criação, mas vamos lá, seguir em frente, alhamdulillah! =)

Uma pessoa que olha para mim, pode não perceber, se não olhar com o coração, mas eu estou sempre sorrindo, estou sempre felizinha e de bem com a vida, e agradeço a Allah por isto, porque eu de fato me sinto feliz =)

Mas é fácil perceber o meu sorriso. Basta querer perceber, basta olhar para os meus olhos, meus olhos estão sempre sorrindo, será que só eu sou assim? Será que eu sou a única munaqaba que sorri? Meus caros amigos e minhas caras amigas, é evidente que não!

Quando eu tenho um tempinho eu sempre pesquiso na internet sobre mulheres que assim como eu se cobrem totalmente, usam niqab burca isdale ou isdal e chador, e é engraçado porque sempre vejo mulheres assim fortes, participativas, decididas e sempre envolvidas em manifestações e reivindicações, mulheres de personalidade, que se dobram sim mas são flexíveis e não se quebram com o vento, ao passo que a rigidez precede a fratura e consequentemente a fraqueza.

Muitas vezes vejo mulheres assim enfrentando com coragem e orgulho o preconceito, a violência, os obstáculos naturais da vida. Agora uma foto de uma irmã munaqaba segurando em seus braços um homem ferido foi premiada, e isto mostra exatamente o que somos, a força que temos.

"Ah, tudo isto por conta de um pano que cobre o rosto?" - indagarão alguns...

Não, mas você já parou para pensar sobre a coerência, a firmeza de propósito, a certeza de fé que é expressada em um comportamento assim? E já parou para pensar na força que este mesmo comportamento de se cobrir por fé, por modéstia, por temência a Allah e amor por Allah, tem sobre a vida destas mulheres? Força capaz de modificar de verdade a sua vivência de fé, e também de vida?

A história se inverte quando eu começo a encontrar na net as opiniões sobre isto.

Eu tenho lido tantas BOBAGENS, tantas MENTIRAS, tanta DESINFORMAÇÃO e OPINIÕES PRÉ-CONCEBIDAS à respeito de munaqabat, de mulheres de niqab, de burca, de todas as minhas irmãs que assim como eu se cobrem de maneira integral...

E o mais engraçado é que sempre estas opiniões partem de pessoas que nunca na vida conversaram ou sequer conhecem uma de nós. Em geral são pessoas que nada sabem nem sobre o Islam, muito menos sobre nós muçulmanos e menos ainda sobre nós munaqabat.

Sim sim eu me divirto muitas vezes lendo estas verdadeiras aberrações formatadas em textos imagens e charges por aí.

Mas isto me faz pensar, e refletir sobre a imensa capacidade do ser humano. O ser humano é capaz de realmente surpreender, tanto quando ele usa esta capacidade para o bem, para a construção do conhecimento, para ações positivas, quanto quando ele insiste na falta total de conhecimento, na burrice, na mediocridade, e em especial no preconceito.

A diferença é de fato gritante, quando você lê o que uma munaqaba escreve, quando você vê o que uma munaqaba faz, e qando você tem contato com a opinião desinformada das pessoas em especial aqui no Ocidente.

Eu de minha parte continuo sorrindo, sob o meu niqab, tá bom? =)

Se você me ver andando por aí, repare bem nos meus olhos, quem sabe assim você consiga entender que nós munaqabat estamos sorrindo, estamos vivas, e somos mulheres fortes!

Salam! =)


ps: Ah esta aí em cima na foto sou eu tá bom? =D

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A Insustentável Leveza de Ser...


Eu


                                            Estou


                                                                                    CANSADA!!!!


                                            Só isto,


Cansada!!


                                           Magnificamente,


                                                                                       Imensamente


                                           Cansada....


Tão cansada,


                                           Que não consigo sequer


                                                                                       dormir...