terça-feira, 26 de março de 2013

Reflexões quanto ao texto de Nasreen Amina



Eu penso que o texto postado por mim no post anterior, de autoria da irmã Nasreen Amina, traduzido por Aline Freitas e que me foi passado por uma amiga, é praticamente um manifesto contundente!

Um manifesto sobretudo contra a falta de diálogo, entendimento, e compreensão. E todas estas faltas são mães legítimas do preconceito, e do desentendimento.

Desde que me tornei muçulmana eu constato com certo espanto a distância abismal e colossal que existe entre a nossa realidade de mulheres muçulmanas, e o pretenso "conhecimento" que as feministas têm sobre nós no mundo todo.

Até quando este quadro vai perdurar?

E porque ele existe?

Será de fato a falta de informação? Eu não creio, sinceramente não creio nisto. Porque nós mulheres muçulmanas estamos em todos os cantos do mundo!! E temos nos manifestado de todas as formas possíveis!! Basta ver a quantidade de sites, blogs, perfis públicos na internet que pertencem à mulheres muçulmanas! Usamos de todos os meios de comunicação para falar sobre nós, para termos voz, para exercermos o direito que temos de nos comunicar mas mesmo assim a maioria das pessoas insiste em não nos ouvir, insiste em nos estereotipar segundo as suas próprias crenças que são de fato totalmente falhas e supersticiosas a nosso respeito. E isto é grave, muito grave, porque gera nada mais do que PRECONCEITO, VIOLÊNCIA MORAL E SOCIAL, E DESAVENÇAS DE AMBAS AS PARTES.

O fato é que temos no mundo um movimento feminista que é importante para a realidade das mulheres hoje em dia, que sim foi o motor de muitas conquistas sociais e pela derrubada de muitos paradigmas da opressão, segregação, e violência no mundo, porém, as feministas têm FALHADO ESPETACULARMENTE AO LONGO DO TEMPO AO SE RELACIONAR CONOSCO, MULHERES MUÇULMANAS,  e CONTINUAM A FALHAR DE FORMA MONUMENTAL.

E VÃO CONTINUAR A FALHAR ATÉ O DIA EM QUE SE PERMITIREM A ALGO BEM SIMPLES: NOS OUVIR, E AÍ SIM DE FATO CONHECER DE VERDADE A NOSSA REALIDADE.

PORQUE É FATO: O FEMINISMO MUNDIAL NADA SABE SOBRE NÓS.

E fica uma questão no ar, porque isto? MEDO? Medo de constatar que as suas crenças em relação a nós são falsas? Medo de descobrir que existem outras realidades femininas no mundo que não são uniformizadas e cujas necessidades são diferentes?

Ou será que há outras razões ocultas por trás disto, como a intenção de manipular a informação justamente contra nós?

Porque a mídia se apresenta como duvidosa e manipulada para a maioria das organizações feministas, mas quando se trata de nós, ela se torna uma fiel e verdadeira fonte de informação? Qual o acordo que existe por trás de uma mutação como esta?

Por esta razão, não há diálogo. Não há entendimento. Não é possível o diálogo quando apenas um dos lados se acha no direito de falar, e ser ouvido. Não há sequer liberdade QUANDO AS PESSOAS E ISTO INCLUI AS ORGANIZAÇÕES FEMINISTAS INSISTEM EM TAPAR A NOSSA BOCA E SE ACHAM NO DIREITO DE FALAR POR NÓS, SEM NUNCA TEREM CONVERSADO CONOSCO.

Algo para refletir...

Salam

O que nos ensina os peitos de Amina, a garota da Tunísia - por Nasreen Amina



Por Nasreen Amina

As últimas 48 horas foram ricas em lições de todo tipo. Todas elas provêm da polêmica que surgiu a propósito da suposta fatwa que condenava à morte a jovem tunisiana chamada Amina. O grupo "feminista" Femen espalhou a informação de que um clérigo muçulmano havia emitido uma fatwa contra Amina, condenando ela a uma pena de chicotadas e apedrejamento. A notícia se espalhou como um rastro de pólvora e viralizou como uma gripe.

Hoje, 22 de março muitas inflamadas defensoras dos direitos das mulheres vão marchar nas embaixadas da Tunísia pelo mundo, na ONU, ou onde for para exigir que não se aplique a pena de morte contra Amina por divulgar a foto no qual mostrava seus peitos nus.

Na Tunísia não existe pena de morte já que foi abolida no ano de 2011, sendo o primeiro país africano a abolir. Também esta nação é das poucas que consagrou a igualdade do homem e da mulher a nível constitucional. Não esqueçamos da massiva marcham das mulheres tunisianas exigindo esta mudança na sua Constituição no ano passado. Tampouco a Tunísia está entre os países que aplicam o apedrejamento, mas isto se pode deduzir usando um pouco de lógica: o apedrejamento é um castigo que causa a morte da pessoa. Se na Tunísia não existe pena de morte e isto quer dizer que ninguém é assassinado por decisão judicial, então como poderia existir apedrejamento legal se este causa justamente a morte do(a) acusado(a)?

Outra conclusão fácil de obter com um simples exercício de raciocínio e com a ajuda da Wikipédia, tem a ver com a condenação da mesma. A Tunísia possui tribunais civis, ou seja, não são os representantes das religiões, mas sim o poder público quem julga os cidadãos. Quando Amina foi presa? Qual o tribunal que formulou as acusações? Que juiz a condenou? Ninguém pensou nisso, nem em fazer o mínimo esforço para averiguar mais além. Os preconceitos foram mais fortes.

Em cada página onde a foto da garota com os seios de fora foi postada, os comentários contra os muçulmanos foram de uma virulência, ódio e desumanização que não se diferenciavam muito de qualquer discurso fascista de aniquilação de outros por ser diferentes. O grau de violência das expressões daqueles que alegavam defender a liberdade estavam muito próximos do discurso de ódio e de incitação a violência por razões religiosas. Apesar dos textos e da informação esclarecendo a situação [1] ter sido publicado em várias páginas e colocada na frente dos narizes dos ditos "Defensor@s dos Direitos Humanos", est@s não o leram porque não confirma suas próprias verdades assumidas sobre os muçulmanos.

Também deixou em evidência que o discurso de integração das mulheres muçulmanas da parte de outras mulheres sejam feministas ou não, ainda tem muito de discurso e pouco de vontade, ao menos no que se refere às redes sociais. Durante as últimas horas vi como as mulheres muçulmanas são castigadas com violência verbal e palavras e termos discriminatórios; em meio a verborragias pela liberdade, nos pedem que respondamos "moralmente" pelo que fazem os governantes e as autoridades religiosas nos países de maioria muçulmana.

Esta violência contra nós nas redes sociais é tão injusta quanto castigar as católicas pelo que fazem os padres pedófilos. É absurdo, mas assim é. É tão ridículo. Um idiota profere frases misóginas e outros, que se creem menos idiotas, em vez de perseguir o idiota que falou primeiro, começam a fazer caça as bruxas contra uma comunidade. A reação de islamofobia do caso de Amina na Tunísia se explica bem com a seguinte analogia: um leão ruge na África e as pessoas, em vez de tentar pegar o leão, começam a envenenar gatos.

A grande maioria das pessoas não nos escutam. Colocamos a informação a sua disposição mas insistem em negá-la como mentira e propaganda. Só serve a informação que alimenta seus estereótipos. Foi repetido muito que nós muçulmanas fazíamos propaganda e limpeza de imagem do Islã no Facebook. Isto apesar de não sermos donas da CNN, Fox News, Televisa nem controlarmos Facebook ou Twitter.

É curioso que para certo setor do ativismo os meios de comunicação não conspiram e se tornam fontes muito credíveis quando se trata de dar crédito a seus próprios preconceitos. Quando questionamos as verdades assumidas sobre nós como mulheres e sobre o Islã como nossa fé, só recebemos violência e maltrato, somos desautorizadas como possuidoras de um ponto de vista, somos tratadas como menores, ignorantes e incapazes.

Não é o governo da Tunísia, nem seus tribunais, nem a comunidade muçulmana quem quer cometer danos a Amina. É importante fazer esta distinção. Misóginos estão em todos os lados e certamente muitos cidadãos molestam uma mulher que se manifesta desta forma, mas são indivíduos. O que há que pedir através das embaixadas da Tunísia no mundo é que se aplique a lei que garante a segurança da garota contra as reações violentas que, aliás, podem ocorrer de todos os lados, porque machistas violentos sobram no planeta.

A propósito não posso deixar de mencionar meu profundo questionamento aos objetivos reais do grupo autodenominado feminista "Femen", o qual foi denunciado por muitas de seus ex-membros, assim como por distintas pessoas, como promotor da islamofobia, do neo-colonialismo, relação com grupos neonazistas e de ser financiado pela Cia. Se tanto lhes preocupa a segurança de Amina já contataram um advogado para interpor um Habeas Corpus?

Hoje vou ver como minhas "colegas" feministas marcham para reclamar pela não-aplicação de uma pena de morte que nunca existiu, apesar de que nós, as mulheres muçulmanas, termos entregado a informação correta sobre as reais dimensões do caso. Na próxima vez que escutarmos dizer a "@s libertári@s" que nós, as mulheres muçulmanas, não temos voz, saberemos que na realidade o que querem dizer é que não querem nos escutar. O preconceito justifica o duplo padrão. Um par de seios pode ser muito distrativo e um apedrejamento que nunca existirá vende mais que a verdade e a garantia de alguns minutos na Televisão Nacional. Um detalhe nada menor. No Chile é ano eleitoral.

O ocorrido com a notícia da suposta execução de Amina deixou em evidência o quão comprometidas estão as pessoas que se declaram "informadas" "libertárias" e "respeitosas" ao seguir seus próprios preconceitos, estereótipos e medos sobre o Islã.

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quarta-feira, 20 de março de 2013

"Buscai o conhecimento do berço ao túmulo..."


Mashallah!! Estou estudando e me aprimorando!

Faz tempo que não me dedico a escrever aqui no meu blog islâmico mas eu não estou parada.

Depois de muito tempo estudando sobre aqeedah, tawhid e a prática islâmica diária, além da leitura constante do Alcorão e leitura de livros preciosos como o Riadhussalihin, agora estou no início dos meus estudos de fiqh, e das 4 escolas islâmicas, e estou contando com a ajuda preciosa de irmãos no Islam que estão me orientando para a construção do conhecimento.

E isto certamente vai refletir aqui no meu cantinho islâmico.

É dever de todos os muçulmanos buscar sempre o conhecimento, estudar sobre o Islam é uma forma de louvar a Allah, dedicar esforço e tempo no aprimoramento e na construção do conhecimento islâmico é certamente louvável, e só pode fazer bem, tá bom? =)

Salam

Alguns esclarecimentos sobre nós mulheres muçulmanas


Bismillah... que a paz e as bençãos de Allah estejam sobre o nosso amado Profeta Muhammad (salallahu alaihin wa salam).

A inspiração para escrever sempre me vem naturalmente e sempre me faz parar para escrever senão eu perco o fio da meada e eu agradeço a Allah, Subhana wa Taala, porque me inspira a escrever fazendo assim de mim instrumento de propagação do conhecimento acessível para todos, mesmo o pouco conhecimento que eu possuo até hoje, tá bom?

Este post provavelmente restará incompleto, ou provavelmente terá posteriormente algum complemento, eu não sei, sei apenas que escrevo para todos entenderem, de maneira simples e direta e sem complicar ou colocar muitas citações e coisas assim porque eu acho que na verdade o meu blog não se destina apenas à leitura do muçulmano que já construiu o seu conhecimento sobre o Islam mas principalmente para quem não conhece o Islam ou está conhecendo agora, ou talvez para quem acaba de se reverter ou está no caminho determinado por Allah para a Shahada.

Desta vez escrevo baseada em minhas experiências de sociabilização e eu percebo que muitas pessoas não sabem muito sobre nós mulheres muçulmanas em vários aspectos, vamos falar um pouco destes aspectos agora.

A primeira coisa que vou falar é sobre o ponto que mais chama a atenção sobre nós aqui no Ocidente: as nossas roupas.

Afinal de conta porque nos cobrimos? Porque usamos véus, roupas compridas, porque muitas vezes algumas de nós como eu mesma chegam a se cobrir inteiras deixando apenas os olhos à mostra?

Allah, Louvado seja, determinou para nós que seguimos o caminho da senda reta, homens e mulheres, a modéstia. Isto não é exclusivo para nós mulheres, mas também para os homens. Uma mulher tem em si por obra e determinação de Allah a personificação por inteiro do que chamamos de "awrah" e isto é determinado por Allah.

"Awrah", assim como todas as palavras em árabe, tem suas raízes em outros termos e você pode ler um pouco sobre a palavra aqui: http://en.wikipedia.org/wiki/Intimate_parts_(Islam) (texto em inglês) mas, em resumo, são as partes do corpo que não devem ser expostas publicamente por vários motivos e um destes motivos são os "atrativos" e sim, sim, Allah nos constituiu para sermos fisicamente "atraentes", além de outras coisas.

Neste sentido, enquanto homens são atraentes por outros motivos para nós, nós temos cabelos, corpos, e todos os atrativos que uma mulher tem, então nos cobrimos por modéstia, por recato sim, porque Allah assim determinou, em suas palavras no Alcorão, para sermos distinguidas enquanto religiosas, para sermos respeitadas, e somente por estes motivos.

Outras mulheres religiosas se cobrem também. Freiras se cobrem, monjas se cobrem, e isto é hábito de recato e modéstia. Homens também se cobrem ou deveriam se cobrir, segundo o que determina Allah, apenas não precisam de cobrir os cabelos, e muitas partes do corpo que nós precisamos.

Tá, mas e o rosto e as mãos? Bem, aí é outra história e não vou entrar nisto agora porque não há consenso no Islam sobre isto. Eu sou uma munaqaba, eu escolhi com muita consciência, alegria em meu coração e por vontade própria, cobrir o meu rosto e as minhas mãos, outras munaqabat não cobrem as mãos, e eu poderia muito bem ilustrar este post com a imagem de uma irmã sem niqab, não nenhum desmérito nisto, apenas ilustrei com a imagem de munaqabat porque eu sou uma munaqaba, tá bom?

Então se você ainda pensa que é opressão, esqueça!! Temos orgulho de nossas roupas, amamos os nossos véus, e eu nunca poderia sequer me imaginar sem as minhas roupinhas islâmicas fofas e confortáveis, Alhamdulillah!

Depois disto, vou falar sobre duas coisas específicas para homens que não são muçulmanos.

A primeira delas é: você não deve cumprimentar uma mulher muçulmana com beijo, ou com aperto de mão.

A regra é: um homem NUNCA toca uma mulher muçulmana. NUNCA MESMO. 

Eu convivo com muitas pessoas de diferentes nacionalidades e orientações religiosas no meu dia-a-dia, em especial no meu trabalho, e sempre noto que alguns homens ficam totalmente desconcertados e sem jeito quando estendem a mão para mim e eu me recuso a estender a mão também.

Em geral, em seguida eu dou a minha explicação e a maioria entende mas sempre fica aquela dúvida "será que ele vai ficar pensando que eu sou grossa ou mal educada?"

Não, eu não sou grossa nem mal educada, o que acontece é que nós mulheres dentro do Islam somos consideradas como uma jóia preciosa sim, ao contrário do que o que a mídia propaga, no Islam somos respeitadas, preservadas, e tratadas com muita proteção e respeito. A rigor não temos sequer a obrigação de responder ao cumprimento de um homem muçulmano desconhecido na rua, embora eu não pratique isto porque acho importante a união do cumprimento segundo o que nos ensinou o nosso amado Profeta Muhammad (saws). Ele nos ensinou que nos reconheceríamos no mundo todo pelo nosso cumprimento entre nós ("Assalam Waleikum" e "Wa Aleikum Salam"), e eu procuro SEMPRE praticar isto COM TODOS.

Mas, a regra para todos os homens, muçulmanos e não muçulmanos é: NUNCA TOQUE UMA MULHER MUÇULMANA, a não ser que você seja o marido dela, ou um parente como o pai, o irmão, etc...

Além disso, se você não é muçulmano e por alguma razão sente uma vontade imensa de "puxar conversa" com uma mulher muçulmana, se aproximar, enfim falando diretamente "jogar cantada" em uma mulher muçulmana, DESISTA, tá bom?

Porque nós mulheres muçulmanas

01) NÃO "FICAMOS";

02) NÃO NAMORAMOS, AO CONTRÁRIO NOIVAMOS, porque não existe o namoro no Islam, isto é haram (pecado);

e, finalmente...

03) ALÉM DE NÃO NAMORARMOS E NÃO FICARMOS MAS SIM NOIVARMOS, só nos relacionamos exclusivamente com HOMENS MUÇULMANOS, tá bom?

Então, desista, você não vai se aproximar de uma mulher muçulmana se não for um muçulmano, ponto e acabou.

Porque? Porque isto está determinado por Allah, Louvado Seja, no Alcorão.

A primeira vista, você que me lê pode achar que isto é desnecessário de se escrever... então tá, seja uma mulher muçulmana e vai andar na rua para você ver a quantidade de "cantadas" que ouvimos, além de outras coisas, tá bom?

Eu reajo de maneira simples, IGNORO COMPLETAMENTE. Se o sujeito insistir ou me incomodar, simples, eu chamo a polícia e ponto.

Bem, agora vamos a alguns esclarecimentos.

01) É preciso sempre lembrar que eu falo aqui do ISLAM, e de como é ser uma muçulmana que vive segundo o modo de vida islâmico. Se alguém não se comporta assim, Allah sabe mais e cabe somente a Ele o julgamento, mas é assim que deve ser segundo o que Ele determina para nós;

02) É importante esclarecer que o Islam não é uma religião, o Islam é o "Deen" e este conceito é algo um pouco confuso na cabeça de quem habita as terras ocidentas rs... Mais do que uma religião, o Islam é um modo de vida mesmo, completo, perfeito, equilibrado, ou seja, não sou muçulmanas apenas quando eu faço as minhas orações ou estou na mesquita, eu sou muçulmana até dormindo, comendo, vivendo, tá bom?

03) Existem muitos outros aspectos para falar sobre nós mulheres muçulmanas, e ao longo do tempo eu vou falando um pouco mais sobre isto

E ah, sim: não, não passamos o tempo todo rodeadas de ouro e dançando a dança do ventre, tá bom? =D

Que Allah abençoe a todos e os encaminhe à senda reta.

Salam =)

domingo, 4 de novembro de 2012

A Eterna Luz de Uma Alvorada

Bismillah...


Dia 9 de dezembro, daqui a mais ou menos 1 mês, portanto, o blog Filha da Alvorada vai fazer 2 anos de existência, Alhamdulillah.

Isto quer dizer que eu estou completando 2 anos de Shahada, na verdade já completei, porque eu fiz a minha Shahada no dia 17 de outubro de 2010, 2 anos de Islam, 2 anos...

Um lindo caminho, que começou em uma linda tarde de sol calmo sobre São Paulo, quando eu abri a janela do meu quarto e emocionada proferi a minha Shahada, e então chorei muito emocionada, eu me lembro como se fosse ontem, me lembro daqueles dias, de todos aqueles sabores e de todas aquelas cores, como se fosse ontem, como se fosse ontem.

Allah fez uma grandiosa transformação em minha vida, e eu que estava acostumada a me sentir em casa na sombra, na escuridão, na penumbra, que habitava a penumbra feito menina ferida sangrando e sentindo o toque da mão de fogo sobre mim, um dia parei no penhasco, e observei encantada os primeiros raios de sol de uma linda manhã que eu não conhecia, eles vieram e rasgaram o véu da escuridão em mim, e nunca mais, nunca mais, pararam de brilhar!

Em me lembro da força daquele momento na minha vida, quando eu estava cansada de ser uma filha da noite e um dia desejei conhecer a alvorada que havia depois de toda aquela escuridão, Ya Allah o que houve??? Como isto foi acontecer??? Eu não sei!! Eu não sei como isto foi acontecer!!! Eu só sei que foi isto que aconteceu comigo, é só isto que eu sei, e o porque disto, somente Allah sabe, e somente em Allah eu confio e adoro, somente Allah, só por Allah...

Quem me conhece bem sabe que meus caminhos até aquele dia não foram revestidos de seda e chão macio, eu havia chegado até aquele ponto da minha vida inteira sim, guerreira lutando por mim, mas somente pela graça de Allah estava viva, porque naquele momento eu estava extremamente ferida e já havia vertido todo o meu sangue pelo caminho, mas como guerreira forjada em flagelo eu tinha comigo a disposição de morrer lutando, e nunca desistir da batalha.

Um dia, perdida em meio à escuridão, e cansada de arranhar as paredes do túmulo que foi meu berço, eu tola e sem conhecimento ousei apontar o meu dedo para o alto e gritar de ódio afirmando que o brinquedo estava quebrado e a culpa era de Allah!! Sim sim, isto aconteceu de fato!

Mas eu era apenas uma morta-viva, e tão pequena em sabedoria como sou hoje, porém sem a Luz que hoje em dia ilumina tudo ao meu redor, um dia isto aconteceu, eu estava então no fundo da morte, no pior do meu momento, no mais profundo e escuro canto da minha cova...

Mas Allahu Ahlam!! E por mais incoerente que isto possa parecer, eu não sabia, mas era exatamente naquele canto escuro e desolado que já estava renascendo por vontade de Allah! E eu não sabia, eu não poderia saber, estava tão ferida que se soubesse talvez não resistisse viva a este conhecimento, até ali naquele momento de extremo ódio e desesperança, fui tratada com carinho cuidado delicadeza e atenção, um amor que por mais que eu corresponda nunca será tão grandioso como este amor é.

Sim sim, isto tudo que estou escrevendo aconteceu de fato, não estou romanceando nada, e por conta de todos estes elementos, eu digo que tudo foi muito forte, profundo, físico, real, naqueles dias, e tudo isto que foi tão forte e indescritível me levou à minha Shahada.

Eu tinha outro blog naquele tempo, um blog extremamente dark, escuro, expressão da escuridão que me envolvia, não digo escuridão no sentido propriamente negativo, é como um mar escuro onde eu menina ferida e arredia me escondia na vã esperança de obter algo que eu nunca tive: proteção... mas é ambiente propício para as verdadeiras sombras do mal se aproximarem e sim eu estava andando em meio ao fogo e pisando em cacos de vidro.

De repente, gotas de luz começaram a respingar naquele blog.

Um ano antes eu havia perdido o meu pai.

Um dia eu estava navegando pela internet e encontrei um site que ensinava a falar árabe, e isto me levou a encontrar o fio partido da minha infância, porque eu sempre tive o Islam e a cultura árabe perto de mim, desde pequena. Na verdade eu conheci o Islam por meio do meu pai, que não era muçulmano, mas admirava os conceitos islâmicos.

Eu decidi estudar árabe, e isto me levou um dia a ler o Alcorão, e então tudo mudou para sempre na minha vida.

Hoje eu me sinto emocionada porque já fazem 2 anos que eu proferi a minha Shahada, é pouco tempo eu sei, mas para mim até hoje tem sido um lindo caminho em uma nova estrada dourada, de Luz, a Eterna Luz de uma Alvorada, e esta Alvorada, na minha vida, foi a minha Shahada...

Alhamdulillah!!!

Alhamdulillah!!!......

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Irmandade


Bismillah...

Hoje passei por uma experiência que me emocionou muito e me fez refletir, pensar, sonhar e escrever aqui...

E não pensem vocês que foi algo impressionante a ponto de todos verem, ou algo marcante a ponto de comover a todos que estavam ao redor do fato, não pensem que foi algo barulhento, gigantesco, traumatizante, não...

Foi simples, singelo, pequeno, sabem? E muito sutil, mas por isso mesmo importante, marcante, imenso, exemplar!

Foi algo que ninguém viu, algo que aconteceu apenas comigo e com uma de minhas filhas, e que me fez pensar muito sobre o que é de verdade praticar aquilo que se acredita, e afirma.

Eu não encontrei imagem melhor para ilustrar este post do que esta foto que segue aí em cima, uma linda foto de um lindo momento que já passou em minha vida, tantas irmãs queridas, eu mesma no meio de todas estas irmãs aqui neste momento do tempo congelado e preservado em uma singela foto de um instante gravado nas páginas da história da minha querida mesquita, porque vou falar de irmandade...

Sabe você já sentiu que estava no meio de uma turma que era de fato... a sua turma? A sua família? A sua verdadeira irmandade?

Porque nós no Islam nos chamamos de "irmãos" e de "irmãs"? É apenas um título, uma forma de tratamento, um código de mútuo reconhecimento? Ou é de fato uma irmandade verdadeira? O que deveria ser? O primeiro, ou o segundo caso?

Hoje eu vivenciei um episódio singelo de pura irmandade verdadeira. E Alhamdulillah, uma de minhas filhas estava comigo, porque desta forma eu pude mostrar para ela o real e profundo sentido de irmandade dentro do Islam.

Eu estava caminhando pelas ruas do meu bairro com esta minha filha, e de repente, sem aviso e sem motivo, do nada um carro parou no meio de um trecho de  grande fluxo de uma rua, e buzinou para nós duas.

Eu me aproximei do veículo que estava com o vidro abaixado e visualizei lá dentro, ao volante, uma muçulmana de hijab que linda e sorridente me cumprimentou.

Eu respondi ao cumprimento, e ela muito simpática me perguntou: "Irmã, para onde você está indo?" e me ofereceu uma carona.

Eu agradeci e respondi "não se preocupe irmã, estou indo para a estação de metrô que fica aqui pertinho..."

Então nos despedimos do modo como o Profeta Muhammad (S.A.S.) nos ensinou, e cada uma de nós seguiu o seu caminho. E isto me fez sorrir, me fez sentir orgulho por ser irmã desta minha querida irmã, e me fez vivenciar o que é o verdadeiro sentido de irmandade dentro do Islam... ao menos, o que deve ser...

Porque não devemos apenas nos chamar de irmãs, e de irmãos, da boca para fora, porque somos verdadeiramente irmãs e irmãos, e como tal devemos agir!

Eu pude explicar para a minha filha: "Filha, esta é de fato uma verdadeira muçulmana, porque isto sim é que é ser de fato irmã no Islam. Esta, filha, é a verdadeira atitude islâmica que Allah determinou, e que o Profeta (SAS) nos ensinou.

Um simples gesto, mas que tem o poder de mudar toda uma história, toda uma vida, um dia inteiro, como mudou o meu dia, tá bom?

Peçamos a Allah que cada vez mais nossos irmãos e irmãs no Islam possam ter atitudes como esta, de fato vivenciar a irmandade verdadeira no Islam.


Salam... =)

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Eid Al-Fitr anunciado para o domingo...


Acaba de ser anunciado pela Arábia Saudita que o EID AL-FITR será no domingo, dia 19 de agosto de 2012.

O Eid marca o fim do mês sagrado do Ramadan, e é o dia mais importante do calendário islâmico, um dia de orações e festas, quando nós muçulmanos no mundo todo comemoramos o fim do jejum do Ramadan.

Como é determinado quando o Eid acontece? Pela observação da lua no céu. Quando há a mudança da lua, termina o mês, assim como é no início do Ramadan.

Os observadores anunciam quando a lua é vista...

Todos são convidados para participar das festividades do Eid, muçulmanos e não muçulmanos, e é uma data para nós que em termos de importância, E NÃO DE SIGNIFICADO, tem o peso semelhante ao Natal para os cristãos.

Encerro assim um mês abençoado sim para mim, mas o Ramadan este ano foi de fato extremamente complicado, em especial porque eu tive alguns probleminhas de saúde e por conta do tratamento e medicação, tive de interromper o jejum do Ramadan.

Por causa disto, vou ter de repor vários dias de jejum, mas mesmo assim foi um aprendizado e um mês de intensas reflexões e muitas orações, e agradeço a Allah por ter vivenciado mais um Ramadan.

O Eid começa de manhã bem cedinho com o sermão e com a oração comunitária. Em seguida temos as festividades e banquetes, em geral as crianças ganham presentes neste dia, vestimos as nossas roupinhas mais novas e mais lindas, é um feriado festivo em países cuja maioria da população é de muçulmanos, mas em todas as mesquitas do mundo há comemorações e festas, inclusive aqui no Brasil, Alhamdulillah!

Eid Mubarak para todos os meus irmãos e irmãs no Islam ao redor do mundo!!

Que Allah nos abençoe sempre, e que possamos de fato vivenciar a irmandade verdadeira que existe entre nós!

Salam =)