quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Eu sou de fato uma paulistana, ainda mais agora que sou muçulmana =D


Bem, agora eu vou falar de um assunto que é um tanto quanto perigoso para mim.

Aliás, um não, três assuntos, misturados em um post só aqui no meu cantinho, mas porque são assuntos perigosos? =O

Porque são assuntos pelos quais eu sou apaixonada, e costumo me empolgar =S e com isto pode ser que acabe escrevendo muito e viajando na história toda...

Por sinal, História é um destes três assuntos. Eu sou apaixonada por História, por Arqueologia, pela História de antigas civilizações, por todos os assuntos que cercam o tema HISTÓRIA.

Se for de São Paulo então, melhor ainda! Este é outro dos três assuntos. Sou uma paulistana apaixonada pela minha cidade. Sempre estudei sobre a história de São Paulo e modéstia à parte tenho gravada em minha cabeça o mapa exato da cidade em praticamente todas as épocas desde antes do surgimento da cidade: por exemplo, exatamente no lugar onde fica hoje a minha querida Mesquita do Pari era um campo de caça sazonal utilizado pela aldeia do Tibiriçá, aldeia esta que era de fato já uma metrópole indígena, muito antes da Villa de São Paulo de Piratininga surgir por estas bandas!

O terceiro assunto é o Islam. Bem, este sempre está presente e não preciso dizer o quanto eu sou apaixonada pela minha religião =), basta olhar o meu blog, ver minha foto, me ver pessoalmente, para perceber isto.

Mas, vamos lá, vou tentar resumir tudo.

Vamos olhar atentamente para a figura da bela moça retratada na gravura que está aí em cima, no começo do post. Será que dá para adivinhar ao menos algumas coisas dela? Por exemplo,onde será que ela vivia?

E estas distintas senhoras acompanhadas de uma menina aqui embaixo? De onde serão?


Se alguém se arriscou a dizer que são do Oriente Médio, errou.

Se as viu como muçulmanas, errou também! =O Não são, são autênticas paulistanas do século XIX!

Sim, isto mesmo, paulistanas! Mulheres da cidade de São Paulo! E não são muçulmanas!

Olha só que legal, eu uma paulistana apaixonada por São Paulo, muçulmana, me visto de forma semelhante à forma com que as mulheres da minha cidade se vestiam até o século XIX! E vou ficar mais parecida ainda, já que a minha intenção clara e minha meta é adotar de vez o chador, que se assemelha e muito a estas vestimentas usadas por estas moças nestas duas gravuras, e em outras inúmeras gravuras e pinturas da época, que retrataram o modo único de se vestir das mulheres de São Paulo, no Brasil todo! Só em São Paulo as mulheres se vestiam assim, era característica da cidade, até o século XIX.

Porque isto? Recato. Sim certamente. Se dar ao respeito, também, se preservar, também, ou seja os mesmo conceitos com os quais eu concordo e que me fazem me vestir também assim hoje em dia. Mas tem mais, vamos agora olhar para esta foto antiga da cidade de São Paulo.


Esta foto é uma foto da Rua do Rosário, no centro de São Paulo, atual XV de Novembro, retratada pelo grande Militão Augusto de Azevedo, o primeiro fotógrafo a fotografar a cidade, em 1862. Na verdade trata-se de uma parte desta foto, que retrata a rua inteira como era de seu costume.

Nela podemos ver no canto um casarão bem antigo, do século XVIII, que apresenta em seu segundo andar a presença de … muxarabis! Sim muxarabis, que são aquelas sacadas em madeira com treliça, de onde se pode ver o movimento da rua sem ser visto. Pois os muxarabis eram uma característica marcante nos casarões coloniais não só de São Paulo mas também do Rio de Janeiro, na verdade descrições da época anterior à chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil dão conta de que as cidades aqui se pareciam mais com cidades do Oriente Médio do que qualquer outras cidades. E isto porque? Influência direta de árabes!

E eu acho, não tenho certeza, que muito provavelmente estes árabes, sobre os quais nada ainda sei (mas vou ficar sabendo porque vou pesquisar sobre), deviam ser muçulmanos, e acabaram por influenciar também as vestimentas das paulistanas retratadas acima.

Mas eu ainda não sei direito sobre isto.

É sabido que o Islam está intimamente ligado ao Brasil desde o começo da colonização portuguesa por conta de africanos muçulmanos que aqui desembarcaram como escravos, e que isto acabou por lançar raízes islâmicas em toda a cultura brasileira. Encontramos elementos que têm influência islâmica na cultura afro-brasileira, no país todo, inclusive na Bahia.

Mas eu quero crer que houve no príncipio da formação da cultura brasileira outra leva de imigração islâmica para cá, já de árabes mesmo, porque só isto explicaria os muxarabis, que não existiam na áfrica, o chador das paulistanas, e outro fato conhecido historicamente: quando a família real portuguesa aqui aportou, percebeu esta “orientalização” presente no Brasil, e tratou de promover uma campanha de “re-europeização” do país! Não é mesmo um dado curioso?

Pois é, me sinto bem ao saber que, sendo muçulmana, estou honrando as raízes de minha querida São Paulo =)...

Salam!

2 comentários:

Taciana Franco disse...

Oie,
Eu vi a indicacao do teu blog no blog da Halima.
Eu tb adoro historia e ainda mais se for bemmmmmmmm antiga rs.
Vendo essas fotos dos casaroes me lembrou o Velho Cairo. Menina, nao posso ir la que fico horas e horas andando no meio daquelas ruazinhas e vielas. Eu ate tento perguntar pros senhores mais idosos se eles sabem de alguma coisa da historia local e eu adoro mesmo, aprendo bastante, alias, eu sou apaixonada por essa parte da historia islamica aqui do Cairo.
bjo grande

Gisele Marie disse...

Oi Taciana, seja bem vinda sua visita muito me honra =)...

Pois é eu gosto tanto de história que você me deixou com vontade de andar também por estas ruazinhas e vielas do Cairo, quem sabe um dia inshallah não farei isto?

São Paulo teve muita influência do Oriente Médio provavelmente trazida por muçulmanos antes da Família Real aportar no Rio de Janeiro, eu tenho comigo uma foto que mostra inclusive uma construção curiosa do lado da antiga Catedral de São Paulo, que foi demolida em 1911. Circular e com cúpula, esta construção parece ter sido um tipo de chafariz para ablução muito comum em antigas mesquitas do Oriente Médio, mas até hoje não obtive confirmação do mesmo.

bjo.

Salam!